Confinamento rentável: 5 dicas para o produtor

O confinamento na pecuária de corte pode ser um aliado para a terminação de bovinos de forma rápida e eficiente. No entanto, é um sistema que requer estrutura apropriada, mão de obra treinada e dieta bem balanceada. Com as margens da atividade cada vez mais apertadas, para o confinamento ser uma alternativa rentável, é necessário que todas as atividades, desde o planejamento do sistema até o embarque dos animais ao frigorífico, sejam realizadas com o máximo de atenção.
Por isso, o zootecnista e supervisor da Minerthal do Tocantins, Julio Cesar de Matos, alerta para o erro mais comum dos produtores: confinar animais de forma repentina, sem o planejamento adequado. “É fundamental ter um plano a seguir. Só assim conseguimos prever a dinâmica e o resultado do confinamento do ano em que ele será realizado e, caso haja a necessidade de efetuar alguns ajustes, teremos tempo suficiente para realizar as alterações ou até mesmo para ajustar o planejamento inicial. Ressalto que em anos com margens menores, a melhoria dos processos provavelmente será decisiva para a obtenção de uma taxa de retorno atrativa”, aponta o especialista.
Um dos fatores fundamentais, segundo ele, são aquisição, colheita, processamento e armazenamento dos alimentos. “Além disso, a construção das instalações, a capacitação da mão de obra e a compra de animais são os maiores desafios da atividade de confinamento. Todos esses fatores requerem uma atenção especial no momento do planejamento, a fim de evitar imprevistos e perdas decorrentes de práticas indevidas”, reforça.
Veja abaixo cinco dicas que podem auxiliar para que o confinamento obtenha sucesso e não cause dor de cabeça e prejuízos ao produtor:
1. Planeje e pesquise a compra dos lotes antecipadamente
Com o conhecimento da capacidade de suporte de animais da estrutura da propriedade, dos objetivos com o confinamento (peso de abate, dias de cocho, ganho de carcaça, lucro por animal etc.) e do capital disponível é possível prever a quantidade de animais e peso médio a serem comprados, caso o produtor não possua os próprios animais.
Esta é uma etapa crucial nesta atividade. Com isso, a orientação é para que se faça um estudo criterioso do mercado a fim de conseguir o melhor preço na compra dos animais, sem deixar para última hora e pagar caro pelo lote.
A compra dos animais representa a maior parcela dos custos de produção do confinamento e, se feita de maneira errada, pode acabar com a possibilidade de lucro.
2. Avalie a qualidade dos animais
Tão importante quanto o preço pago pelos animais é considerar o animal em si. É preciso avaliar a qualidade e o estado nutricional dos animais que entrarão no confinamento e se a genética ajudará no ganho de peso de forma eficiente. E, por fim, analisar o investimento x benefício entre o preço a ser pago e o resultado que o animal poderá trazer.
3. Faça contas na distribuição dos custos do confinamento
A matemática deve ser uma aliada do produtor, de forma cotidiana. Por isso, quando se analisa a composição custos de um confinamento pode-se observar a importância de cada item e qual área o produtor deve concentrar os esforços.
4. Faça a projeção da dieta e compra de insumos
Com a quantidade de animais estabelecida, é preciso partir para outro ponto importante do planejamento: a dieta que será oferecida ao gado confinado. Por isso, conhecer a região onde se encontra a fazenda e ter informação de todos os insumos possíveis de serem comprados, assim como a melhor época de compra de cada um é fator primordial para ter melhor custo de diária do confinamento.
A dieta ideal também deve levar em consideração fatores como o escore dos animais e realidade do mercado nutricional.
Quanto aos animais é preciso estar atento ao peso de entrada, qual a projeção de peso de saída, quantos dias esses animais ficarão confinados, qual o volumoso será ofertado, além de avaliar a possibilidade da ingestão de ração e qual o consumo diário de nutrientes necessários para manutenção e ganho de peso esperado.
Depois, é necessário fazer uma cotação de quais insumos que serão utilizados, verificar disponibilidade e preços de subprodutos na sua região, fazer a compra visando melhor utilização do frete, aproveitando o sistema de bonificações/descontos em pedidos que tenham quantidade mínima. Além disso, o produtor pode avaliar se é possível fechar contratos com fornecedores com o intuito de garantir preços bons e se podem ser feitos contratos de suprimento de insumos para serem entregues no decorrer do confinamento.
5. Avalie a sua estrutura, manejo e treine a equipe!
É preciso avaliar a localização geográfica da propriedade para se planejar quanto às instalações, pela incidência de chuvas, ventos e declividade do terreno.
Um ponto de atenção na estrutura é ter condições de armazenagem de boa quantidade de insumos para o decorrer do confinamento, com objetivo de garantir bons preços na compra.
O local deve ser telado para evitar pássaros e roedores, abrigar os insumos contra chuva, ser seco e ventilado, ter estrados de madeira para colocar as sacarias, ter identificação do estoque, bem como fluxo de entrada e saída de insumos.
Formar e treinar a equipe para entender os manejos que serão necessários é um ponto importante, pois permite ao colaborador entender a importância de sua ação dentro do processo, e não apenas “fazer por fazer”.
Caso tenha rodado confinamento no ano anterior, o produtor deve tentar focar em melhorar em algum manejo que não foi eficiente, por exemplo, escore de cocho.
Como transformar planejamento em rotina de decisão
Um confinamento rentável depende de transformar o planejamento em uma rotina simples de acompanhamento. Antes da entrada dos animais, vale registrar a capacidade real dos currais, as condições de piso e drenagem, a disponibilidade de água, os equipamentos e o calendário de compras. Esse diagnóstico ajuda a separar o que precisa ser corrigido antes do início do ciclo do que pode ser aperfeiçoado durante a operação.
Registre o que acontece no cocho
A leitura do cocho deve fazer parte do trabalho diário. A equipe pode observar sobra, aparência do alimento, comportamento dos animais e alterações provocadas por chuva, calor ou mudança de ingrediente. O objetivo não é seguir uma receita fixa, e sim identificar desvios cedo e comunicar a pessoa responsável pela formulação e pelo manejo. Ajustes devem ser feitos com critério, evitando mudanças bruscas que prejudiquem a adaptação.
Separe custo previsto de custo realizado
Planilhas ou registros de campo devem distinguir a previsão inicial do que efetivamente foi gasto. Inclua aquisição dos animais, frete, insumos, perdas, manutenção, mão de obra, medicamentos quando indicados por profissional habilitado e despesas de comercialização. Essa comparação revela quais decisões alteraram o resultado e permite corrigir a próxima compra. Como preços e condições variam entre regiões e safras, não existe uma margem universal: a análise precisa usar os dados do próprio sistema.
Bem-estar, biossegurança e segurança da equipe
Instalações conservadas, acesso contínuo à água, manejo calmo e observação de sinais de doença são elementos produtivos e também de responsabilidade. A lotação deve ser compatível com a estrutura, e a movimentação deve respeitar os procedimentos definidos para reduzir estresse e acidentes. Em caso de dúvida sobre sanidade, nutrição ou uso de produtos, o produtor deve buscar orientação de médico-veterinário ou zootecnista.
O embarque também faz parte do resultado
O encerramento do ciclo precisa ser planejado com a mesma atenção dedicada à compra. Organize documentos, agenda, equipe, acesso de veículos e comunicação com o frigorífico ou comprador. A conferência dos lotes e o cuidado no embarque ajudam a evitar atrasos, perdas de informação e manejo desnecessário. Depois da saída, reúna os registros do ciclo e faça uma avaliação objetiva: o que funcionou, onde houve desperdício e qual melhoria deve entrar no próximo planejamento.
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