21 de jun de 2021

A laranja e seus subprodutos na alimentação animal - Ruminantes

POLPA DE CITROS PARA RUMINANTES 

Desde 1925 que os trabalhos experimentais da Universidade da Flórida indicavam que a polpa de citros possuía alto potencial alimentício para o arraçoamento de ruminantes (Ammerman & Hillis, 1968). 

Vários trabalhos de pesquisas, conduzidos nos Estados Unidos, Europa, índia, Brasil etc. indicam que a polpa de citros é um produto de considerável importância econômica para a indústria animal. Algumas publicações se reterem à polpa de citros como alimento volumoso. 

Entretanto, o seu conteúdo em fibra bruta (FA) é sempre inferior a 16%, e o teor em nutrientes digestíveis totais (NDT) superior a 50%. Tais limites a enquadram como concentrado. Por sua vez, a produção de ácidos graxos voláteis, resultante da digestão da polpa no rúmen, é similar à observada em dietas com alta participação de alimentos volumosos, ou seja, uma maior produção de ácido acético. 

Apesar da polpa cítrica ser basicamente um concentrado energético, apresenta alto teor de fibras em relação aos tradicionais ingredientes energéticos e estas têm alta digestibilidade (em torno de 90%), o que a qualifica como alimento estratégico para vacas de alta produção leiteira. A

 importância da fibra em dietas de ruminantes reside na manutenção da motilidade ruminal, estímulo à ruminação e, ainda, na proporção de ácido acético em relação ao propiônico como produtos tinais da digestão de carboidratos e, conseqüentemente, na manutenção do teor de gordura do leite. 

Os carboidratos não estruturais, a exemplo dos amidos e açúcares, são nutrientes, normalmente degradados rapidamente no rúmen e convertidos em ácidos graxos (lático e propiônico), e a depender do nível desses na ração, podem causar uma baixa acentuada do pH no rúmen e inibir a digestão dos conteúdos fibrosos do alimento. 

Essa condição predispõe o animal à acidose ruminal, distúrbio metabólico que ocorre pela acumulação de ácido lático no rúmen. A pectina é também outro carboidrato não estrutural, embora associada à parede celular, presente no bagaço da laranja e ditere dos anteriores por ter fermentação acética ao invés de propiônica, o que, além de contribuir para elevar o teor butiroso do leite, já que o ácido acético é precursor da gordura do leite, concorre também para reduzir os riscos de uma acidose ruminal. 

Razões pelas quais a polpa cítrica é um alimento excepcional para ruminantes. Por sua vez, animais sendo arraçoados em dietas altamente concentradas, incluindo a polpa cítrica, e baixa bnl volumosos de origem de forragem (feno, capins etc.) têm tendência a diminuir 6 consumo voluntário de matéria seca (perda de apetite) e, conseqüentemente, perda de peso. 

A ausência total de volumoso, mesmo com grande participação da polpa de citros na ração de bovinos, pode predispor ao meteorismo ou empanzinamento. Têm sido observados, também, casos de enterotoxemia, fatos mais prevalentes em animais em regime de dieta altamente concentrada. 

A queratinização das papilas do rúmen (ruminite) é outro distúrbio anátomofisiológico causado, às vezes, por dietas com alta participação de alimentos concentrados, e que tem sido observada também em animais que consomem ração em que a polpa de citros participava com mais de 50% do concentrado. 

Para animais de alta produção, além da preocupação com o nível de proteína fornecido pela fonte de proteína natural e/ou produtos nitrogenados não protéico (PNNP), é importante a garantia de suprimento de fonte de proteína e energia (ácidos graxos) não degradáveis no rúmen, para se manter altos índices de produtividade.

Animais em dietas com elevada participação de alimentos concentrados tendem a apresentar cálculos renais (pedras nos rins), se a relação cálcio/fósforo não estiver dentro dos limites de 1:1 até 3:1. No caso particular da polpa seca, esta relação já está em desequilíbrio, pois o teor de fósforo é baixo e normalmente se adiciona calcário no processo de desidratação da polpa. 

É prudente considerar a suplementação de magnésio, sendo imprescindível a adição de enxofre, mormente se, além da polpa de laranja, os animais estiverem consumindo PNNP, e de sódio, se a água de beber é doce. Com relação aos micronutrientes, há necessidade de suplementar zinco, manganês e cobre, pois já foi identificado pelo autor e colegas, através da análise foliar, que as regiões citrícolas de Sergipe e da Bahia são deficientes nesses elementos. Acresce a necessidade de se suplementar com cobalto, por se tratar de ruminante, e de iodo, principalmente se os animais encontram-se longe do litoral. 

No tocante às vitaminas, os ruminantes necessitam somente das vitaminas A, De E, e suplementação exclusivamente da vitamina A, uma vez que o sol é excelente promotor da formação de vitamina D e as forragens em geral são ricas em vitamina E. Quanto às do complexo B, são sintetizadas pelos microorganismos no interior do rúmen. 

Por José Olmo Almeida de Andrade Lima 

https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/91662/1/CPATC-CIR.-TEC.-23-01.pdf

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