A laranja e seus subprodutos na alimentação de ruminantes

Subprodutos da Laranja na Nutrição de Ruminantes: Qualificação e Conservação
A indústria de processamento de citros para extração de suco de laranja gera um volume substancial de coprodutos de alto valor nutricional para a alimentação de bovinos de corte e leite. A polpa cítrica úmida in natura, a polpa cítrica peletizada desidratada (PCP) e o farelo do resíduo de citros destacam-se como excelentes fontes energéticas, ricas em pectina e carboidratos solúveis de rápida fermentação ruminal.
1. Origem e Processo de Obtenção
Nas indústrias citrícolas, após a extração do suco e óleos essenciais, restam as cascas, bagaços, sementes e frutos descartados. Esse material passa por prensagem mecânica (com adição de cal para neutralização da acidez e liberação de água) e pode ser comercializado diretamente na forma de bagaço úmido ou enviado a secadores industriais para fabricação da polpa cítrica peletizada.
2. Identificação e Documentação de Lote
A aquisição de coprodutos de citros exige nota fiscal e especificação de lote emitida pela indústria processadora. É fundamental atestar que o produto não contenha resíduos de defensivos agrícolas acima dos limites permitidos pela legislação e esteja isento de contaminações físicas da etapa de recepção dos caminhões na fábrica.
3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia
O laudo bromatológico do lote de polpa cítrica deve monitorar os seguintes parâmetros:
- Pectina e Carboidratos Solúveis: A polpa cítrica possui elevado teor de pectina (25% a 35% da MS), carboidrato de fermentação ruminal rápida que não produz ácido lático em excesso, prevenindo a acidose.
- Proteína Bruta (PB): Teor proteico modesto (6% a 8% na MS), exigindo complementação com fontes proteicas (como farelo de soja ou ureia) na dieta total.
- Cálcio (Ca) e Minerais: Em razão do uso de cal na prensagem industrial, a polpa cítrica apresenta teor elevado de cálcio (1,5% a 2,0% na MS), exigindo reajuste na relação Cálcio:Fósforo no mineral.
- Matéria Seca (MS): A polpa cítrica peletizada apresenta MS entre 88% e 90%, enquanto o bagaço úmido in natura possui apenas 18% a 22% de MS.
4. Conservação, Armazenamento e Transporte
A polpa cítrica peletizada deve ser transportada em caminhões limpos e secos e armazenada em galpão coberto, sobre paletes de madeira, protegida contra umidade para evitar a formação de blocos empedrados e fungos. O bagaço úmido in natura exige ensilagem rápida com boa compactação para evitar fermentações indesejadas e perdas de efluentes.
5. Comparação Responsável de Fornecedores
Ao cotar a polpa cítrica B2B, é necessário calcular o valor por Mcal de energia digestível entregue na fazenda, comparando o preço relativo com o milho grão. A sazonalidade da moagem de laranja (concentrada no segundo semestre) representa a melhor janela de oportunidade de compra para estocagem estratégica.
6. Avaliação por Profissional Habilitado
O nível de substituição do milho por polpa cítrica na ração deve ser definido por um zootecnista ou médico veterinário. O profissional calibrará a inclusão para otimizar o ambiente ruminal, maximizar a síntese de gordura no leite ou o ganho de peso na engorda, garantindo a saúde e a máxima rentabilidade do rebanho.