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Amendoim: a eficiência da utilização de seu resíduo na alimentação animal

Grãos de amendoim e lavoura agrícola para suplementação animal

Amendoim e Coprodutos na Nutrição Animal: Qualificação, Lote e Conservação

O processamento agroindustrial do amendoim (Arachis hypogaea) para extração de óleo, produção de confeitos e alimentos industrializados gera um volume expressivo de coprodutos de alto valor nutricional para a alimentação animal. Entre os principais materiais derivados destacam-se a torta de amendoim, o farelo desengordurado e a casca. Quando adequadamente qualificados e inseridos no planejamento alimentar, esses resíduos representam fontes estratégicas de proteína e energia para ruminantes e não-ruminantes, otimizando o custo da dieta sem comprometer o desempenho zootécnico.

1. Origem e Processo de Obtenção

A composição do coproduto depende diretamente do método de extração aplicado na agroindústria de origem. Na prensagem mecânica simples, obtém-se a torta de amendoim, caracterizada por teores elevados de extrato etéreo residual. Já na extração por solvente, é produzido o farelo desengordurado, com maior concentração proteica relativa e menor teor lipídico. A casca de amendoim, por sua vez, é um coproduto estritamente volumoso e fibroso, proveniente da etapa de descascamento inicial dos grãos.

2. Identificação e Documentação de Lote

A aquisição responsável de coprodutos de amendoim exige a rastreabilidade completa do fornecedor. Cada carregamento entregue na propriedade ou fábrica de ração deve ser acompanhado de documentação de lote e nota fiscal com especificação clara da origem da matéria-prima. É fundamental verificar se a unidade beneficiadora adota boas práticas de fabricação (BPF) para evitar contaminações cruzadas com impurezas minerais ou sujidades do campo.

3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia

Em razão da variabilidade inerente aos processos industriais, é indispensável exigir ou realizar o laudo bromatológico do lote recebido por meio de laboratório de análises credenciado. Os principais parâmetros a avaliar incluem:

  • Proteína Bruta (PB): O farelo desengordurado apresenta habitualmente teores elevados de PB (variando entre 40% e 48%), sendo um excelente substituto parcial para outras fontes proteicas tradicionais.
  • Extrato Etéreo (EE): A torta de prensagem mecânica pode conter de 6% a 10% de EE, demandando atenção na formulação para não ultrapassar os limites de gordura da dieta total.
  • Matéria Seca (MS) e Umidade: O teor de umidade deve ser rigorosamente controlado no recebimento para garantir a estabilidade do produto.
  • Aflatoxinas e Qualidade Sanitária: Devido à suscetibilidade do amendoim ao fungo Aspergillus flavus, o laudo de micotoxinas (especialmente Aflatoxina B1) é item mandatório de biossegurança antes de qualquer inclusão no rebanho.

4. Conservação, Armazenamento e Transporte

O transporte deve ser realizado em caçambas ou carretas limpas, secas e devidamente lagonadas com lona impermeável. No armazenamento na propriedade, o coproduto deve ser mantido em galpão coberto, ventilado, sobre paletes de madeira e afastado de paredes, prevenindo a absorção de umidade do solo. O controle rigoroso de roedores e pragas é essencial para evitar a proliferação fúngica e a deterioração lipídica (ranço oxidativo).

5. Comparação Responsável de Fornecedores

A tomada de decisão na compra de coprodutos de amendoim envolve a avaliação do custo por unidade de proteína digestível e energia entregues na fazenda. O comprador deve analisar a regularidade cadastral do fornecedor, a consistência das entregas ao longo da safra e a incidência do frete rodoviário, garantindo que o valor final posto na propriedade mantenha a atratividade econômica frente a outros insumos concentrados do mercado.

6. Avaliação por Profissional Habilitado

A inclusão de coprodutos de amendoim na dieta de bovinos, suínos ou aves deve ser sempre orientada e calculada por um zootecnista ou médico veterinário habilitado. O profissional ajustará o balanço de aminoácidos, o nível de fibra em detergente neutro (FDN) e os limites de inclusão conforme a categoria animal, fase de produção e metas de ganho de peso ou produção de leite, assegurando a máxima eficiência biológica e a saúde do rebanho.