As forças da cana-de-açúcar para nutrição animal

Cana-de-Açúcar e Coprodutos Sucroenergéticos na Nutrição Animal
A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum L.) é uma das culturas de maior capacidade de produção de matéria seca e energia por hectare no mundo. Na pecuária tropical, a cana in natura hidrolisada, a silagem de cana e coprodutos industriais como o bagaço, a levedura de destilaria e o melaço constituem recursos volumosos e energéticos estratégicos para o enfrentamento do período de seca e suplementação de bovinos de corte e leite.
1. Origem e Processo de Obtenção
A utilização da cana abrange o uso agrícola direto da planta inteira picada e o aproveitamento dos derivados da indústria sucroenergética. O melaço é extraído na cristalização do açúcar; a levedura de destilaria origina-se da fermentação alcoólica do mosto; e o bagaço resulta do esmagamento da cana nas moendas para extração do caldo.
2. Identificação e Documentação de Lote
A aquisição de coprodutos sucroenergéticos de usinas exige a conferência da nota fiscal de origem e especificação da mercadoria. É fundamental certificar-se de que o melaço ou levedura não contenham contaminações químicas provenientes dos processos de higienização industrial e que a palhada ou bagaço estejam isentos de poeira mineral ou corpos estranhos.
3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia
A análise laboratorial dos materiais derivados da cana é indispensável para o correto balanceamento da ração:
- Carboidratos Solúveis e BRIX: A cana in natura e o melaço apresentam altíssima concentração de açúcares solúveis (sucrose), oferecendo energia de rápida disponibilidade ruminal.
- Proteína Bruta (PB): A cana in natura é pobre em proteína (cerca de 2% a 3% de PB na MS), exigindo obrigatoriamente a correção com nitrogênio não proteico (ureia + sulfato de amônio). A levedura de cana desidratada, por sua vez, é altamente proteica (38% a 42% de PB).
- Fibra em Detergente Neutro (FDN): O bagaço de cana in natura possui FDN elevado e de baixa digestibilidade, sendo necessário o tratamento térmico/químico ou hidrólise para melhoria do aproveitamento.
4. Conservação, Armazenamento e Hidrólise
No uso da cana in natura picada com ureia, a mistura deve ser fornecida fresca no cocho. A hidrólise da cana com cal microprocessada (hidróxido de cálcio) permite armazenar o material picado por até 3 a 5 dias sem deterioração. A silagem de cana exige o uso de aditivos químicos ou bacterianos para controlar a fermentação alcoólica indesejada por leveduras selvagens, preservando os açúcares da planta.
5. Comparação Responsável de Fornecedores
A avaliação econômica da compra de melaço, levedura ou bagaço de usina deve ponderar o valor por unidade de energia ou proteína posta na fazenda. A proximidade geográfica com as usinas de açúcar e etanol é fator decisivo para a viabilidade do frete.
6. Avaliação por Profissional Habilitado
O uso da cana-de-açúcar e seus coprodutos na dieta animal exige obrigatoriamente o acompanhamento de um zootecnista ou médico veterinário. O profissional calibrará a adição de ureia, o nível de fibra efetiva e a adaptação do rebanho, garantindo excelente ganho de peso ou produção leiteira com total segurança sanitária.