9 de ago de 2021

As forças da cana para nutrição animal

Poucas indústrias aproveitam tanto uma matéria-prima como a sucroenergética. No processo industrial do setor, tudo é aproveitado, desde a palha da cana-de-açúcar cortada no campo, passando pela reutilização da água no processo produtivo, até a geração de energia a partir da própria atividade. Mais ainda, com subprodutos do processo de extração de açúcar e álcool, também é possível produzir ração animal.

A Biosev é uma das empresas do setor que enxergou, no segmento de nutrição animal, uma oportunidade para fortalecer seu relacionamento com fornecedores que também atuam na pecuária e inseriu, em seu portfólio de produtos, a ração animal a partir dos subprodutos da indústria. Esse trabalho de integração cana e pecuária teve origem há quase 30 anos, quando foram iniciadas as primeiras pesquisas sobre o uso dos subprodutos da cana como fonte suplementar de alimentos para os animais.  

Foram realizados investimentos em equipamentos e em importantes parcerias com universidades, como Esalq e Fzea-USP. Os principais subprodutos utilizados na formulação de ração são bagaço de cana, melaço e levedura, que compõem 80% da sua fórmula. O restante é composto por alimentos convencionais. Essa combinação proporciona alto desempenho no rebanho suplementado a campo e elevado ganho de peso, rendimento e qualidade da carcaça nos bovinos em regime de confinamento.

A inclusão da ração na dieta dos rebanhos permite um aumento significativo do número de cabeças por hectare, podendo atingir números expressivos como oito UA (unidade animal). Como consequência desse aumento de produção por área, o produtor pode reduzir a área de pastagem e disponibilizar essa área remanescente para a produção de cana-de-açúcar, possibilitando o melhor uso da terra. 

Com a utilização de subprodutos, é possível adquirir a ração na usina a preços competitivos, o que proporciona ao produtor a diversificação da propriedade rural, além de promover o aumento da lucratividade. O produtor explora as áreas de melhor solo e topografia para a cultura da cana, e as áreas impróprias para plantio são destinadas para exploração da pecuária. A proposta não é reduzir nenhuma das atividades, mas, com a integração, contribuir para uma produção ainda mais sustentável. O novo uso da terra aumenta a rentabilidade sem necessidade de expansão da área produtiva e evita o deslocamento para regiões remotas com ecossistemas preservados, garantindo a conservação ambiental.

Atualmente, a Biosev tem capacidade para produzir 70 mil toneladas de ração em suas duas unidades de fabricação, em Morro Agudo (SP) e Lagoa da Prata (MG), volume suficiente para alimentar, aproximadamente, 40 mil cabeças de bovinos, em suas diversas categorias, no período de safra da indústria canavieira, que coincide com o período da entressafra da pecuária. Todo o volume da ração é comercializado para parceiros e fornecedores de cana-de-açúcar.

Muito mais que apenas rentabilidade, o fornecimento de ração ao produtor faz parte do programa “Mais Cana” da companhia, que visa à aproximação da Biosev de seus fornecedores e parceiros. Além do portfólio de produtos para nutrição animal, a Biosev foi pioneira ao estruturar o braço do negócio especializado em confinamento de bovinos de corte. Com 28 anos de operação, o confinamento, localizado na unidade de Vale do Rosário, em Morro Agudo-SP, atende a cerca de 7 mil cabeças de bovinos.

Outra forma de aproveitar todas as energias da cana é produzir suplementos proteicos e energéticos, como levedura seca e melaço em pó. A levedura seca, obtida por meio da fermentação no processo de fabricação de álcool e posterior secagem, é um alimento de alto valor biológico utilizado na composição das rações, nos concentrados e nos suplementos recomendados para todas as espécies animais. Já o melaço em pó é um suplemento energético de alta qualidade utilizado para a alimentação de diferentes espécies animais (bovinos, equinos, suínos, aves e peixes) como fonte de energia, palatabilizante e aromatizante.

 As leveduras e o melaço em pó são exportados, atualmente, para mais de 15 países. Esses derivados de produtos mostram a expertise da empresa e a capacidade de aproveitar oportunidades que agregam valor tanto para a própria Biosev, ao oferecer produtos de alto valor agregado, quanto para o consumidor, que tem acesso a produtos altamente eficientes, com valores mais competitivos.

A Biosev é a segunda maior processadora de cana--de-açúcar do mundo, com 11 unidades em operação, estrategicamente organizadas em cinco polos agroindustriais: Ribeirão Preto, Mato Grosso do Sul, Nordeste, Leme e Lagoa da Prata. A companhia, controlada pela Louis Dreyfus Group, iniciou sua atuação na indústria de açúcar e etanol, em 2000, com a aquisição de sua primeira unidade no Brasil. 

Atualmente, tem capacidade de processamento de 36,4 milhões de toneladas/ano de cana-de-açúcar e 1.346 GWh/ano de energia elétrica renovável excedente, gerada a partir da utilização do bagaço de cana-de-açúcar e de outras biomassas. Para armazenagem e movimentação de açúcar, a empresa possui uma joint venture no Teag – Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá. Em 2013, a empresa ingressou no Novo Mercado da BM&F Bovespa, segmento que adota os mais altos padrões de governança corporativa.

Regina Célia Cardoso Margarido

Gerente de nutrição animal da Biosev

Op-AA-49

https://sucroenergetico.revistaopinioes.com.br/revista/detalhes/11-forcas-da-cana-para-nutricao-animal/#:~:text=Os%20principais%20subprodutos%20utilizados%20na,%C3%A9%20composto%20por%20alimentos%20convencionais.

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