28 de ago de 2020

Como deixar uma vaca preparada para emprenhar?

Confira artigo do consultor de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal, Rômulo Batistela: 

Como é de conhecimento da grande maioria dos Pecuaristas, a estação de monta (EM), ou período de monta, é uma prática da criação de bovinos em que as fêmeas em reprodução são expostas ao touro ou à inseminação artificial (IA) durante um determinado período do ano.

Esta estratégia tem por objetivo, concentrar os partos e, em sequência, as demais operações produtivas da propriedade (desmama, vacinações, vermifugações, etc.). Além disso a adoção da EM possibilita a identificação de fêmeas de melhor desempenho reprodutivo, sendo que as vacas que parem no início da estação de partos, normalmente, ficam gestantes mais cedo na estação de monta subsequente e, desmamam produtos com maior potencial produtivo, tanto no aspecto de ganho de peso como fertilidade.

A relevância da adoção da EM nas propriedades em contrapartida, faz aumentar a importância de ter-se as matrizes em condições de reprodução no início da mesma, possibilitando não só que todas as fêmeas expostas a reprodução tenham tempo hábil para tal, mas também que o maior número destas fiquem prenhez no início de estação. Abaixo tabela, onde apresenta-se a diferença de potencial produtivo de bezerros advindos de prenhezes de início, terço médio e final de estação.

Com base nesta informação, que vem de encontro com a sabedoria popular que reafirma a superioridade do "bezerro do cedo" em relação ao "do tarde", o objetivo deste material é promover o entendimento da importância da adoção de estratégias produtivo nutricionais no sentido de propiciar que as diferentes categorias fêmea: Multíparas, Secundíparas e Primíparas, sejam tratadas de forma a chegarem na estação de monta em condição corporal apta a emprenharem o mais breve possível.

Buscando parametrizar o que podemos chamar de condição ideal à ocorrência da prenhez, um indicador que apresenta uma correlação interessante é o Escore de Condição Corporal (ECC), que basicamente consiste na avaliação visual das fêmeas durante o processo produtivo a fim de quantificar se estão, pensando na faixa de avaliação, desde magras demais ou gordas demais para a reprodução. Abaixo segue ilustração de tal avaliação.

Associada a questão do ECC, faz-se necessário levar em consideração que categorias fêmea (Multípara, Secundípara e Primípara) tem necessidades nutricionais distintas, isto devido ao estágio de desenvolvimento das mesmas, neste caso as Primíparas são as mais exigentes uma vez tratar-se de uma fêmea jovem em lactação e ainda em crescimento.

A Ciclicidade das Fêmeas está diretamente correlacionada à ocorrência de um balanço energético positivo e ECC. Abaixo poderão verificar o impacto da evolução do ECC sobre os índices de prenhez em primíparas da raça nelore.

O fato de termos Primíparas parindo com escore abaixo de 3 e em não sendo adotada uma estratégia no sentido de promover a recuperação deste, está diretamente relacionada a baixas taxas de prenhez tanto na primeira IATF( 20,1%) como taxa de prenhez final (58%), lembrando que além dos produtos da primeira IATF serem os famosos "bezerros do cedo", normalmente estes são produtos de maior valor genético, em se tratando da multiplicação de raças puras, ou cruzamento industrial, ambos produtos de maior valor comercial. A mesma categoria animal parindo com escore 3,1 e entrando em monta ganhando Peso/ECC teve incremento de 37 pontos percentuais na prenhez na 1° IATF (57%) e 24 pontos percentuais na Taxa de Prenhez Final (81,8%).

O mesmo comportamento se dá, em menor amplitude, nas demais categorias fêmea.

Secundíparas

Multíparas

Com base no conjunto de informações acima descritos, associada a:

  • Sazonalidade da oferta de forragem;
  • Estação de Nascimentos concentrada no período seco;
  • Pior oferta de forragem, fisiologicamente em se tratando de qualidade mas podendo ocorrer também em quantidade;

Entende-se que é necessária a adoção de estratégias produtivo nutricionais específicas, a fim de promover bons resultados na monta subsequente.

Estas estratégias passam pela avaliação do perfil do rebanho e forragem disponível, promovendo a suplementação estratégica de cada categoria a fim de atender suas exigências. Disponibilizar as melhores áreas de pastagem para as categorias mais exigentes (Primíparas, por exemplo) também é interessante.De posse dessas informações, faz-se possível a indicação de suplementos proteicos ou proteico energéticos a fim de promover manutenção, menor ou maior recuperação do ECC dos animais.

Sugestão de Programa Nutricional

Tendo por base não haver restrição na oferta de forragem, ocorrendo apenas o impacto da sazonalidade sobre a qualidade da mesma, e tecnicamente tendo 1 como ponto de Escore Corporal para uma fêmea Nelore como equivalente a 28Kg de Peso Vivo, direcionamos a estratégia nutricional a fim de promover ganhos que levem ao atingimento do ECC desejado.

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