Subprodutos do arroz na alimentação de ruminantes

Subprodutos do Arroz na Nutrição de Ruminantes: Qualificação e Conservação
O beneficiamento do arroz (Oryza sativa L.) para produção de grãos polidos para alimentação humana gera um volume expressivo de coprodutos agroindustriais de grande utilidade na nutrição de ruminantes. Entre os principais materiais derivados destacam-se o farelo de arroz integral, o farelo de arroz desengordurado, a quirera de arroz e a casca de arroz.
1. Origem e Processo de Obtenção
Nas indústrias de brunimento e polimento de arroz, o descascamento separa a casca (rica em sílica e lignina). O brunimento do grão castanho gera o farelo de arroz integral, rico em gordura e proteína. A extração mecânica ou por solvente do óleo desse farelo produz o farelo de arroz desengordurado. A quirera consiste em fragmentos quebrados de grãos de arroz produzidos durante o polimento.
2. Identificação e Documentação de Lote
A compra responsável de coprodutos do arroz requer nota fiscal e certificado do engenho de origem. É essencial monitorar o nível de adulteração por casca de arroz moída adicionada ao farelo, prática que eleva o teor de sílica e reduz drasticamente a digestibilidade do insumo.
3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia
A caracterização laboratorial do lote recebido deve avaliar os seguintes parâmetros:
- Proteína Bruta (PB): O farelo de arroz integral e o desengordurado apresentam teores de PB entre 13% e 16%.
- Extrato Etéreo (EE): O farelo integral contém de 14% a 18% de EE, enquanto o desengordurado possui menos de 2% de EE.
- Matéria Mineral (MM) e Sílica: O teor de cinzas/MM não deve ultrapassar 10% a 12% no farelo puro. Níveis elevados indicam contaminação por casca de arroz.
- Extrato Etéreo e Rancificação: O farelo integral possui lipase ativa que degrada o óleo rapidamente, exigindo controle de acidez e tempo de estocagem.
4. Conservação, Armazenamento e Transporte
O farelo de arroz integral deve ser consumido rapidamente na propriedade ou estocado com adição de antioxidantes para evitar o ranço oxidativo e hydrolytico. O transporte deve ocorrer em caminhões fechados e o armazenamento em galpão seco, ventilado e sobre paletes de madeira, protegido contra carunchos e roedores.
5. Comparação Responsável de Fornecedores
A avaliação de custo-benefício deve comparar o valor por unidade de energia metabolizável e proteína do farelo de arroz com o milho grão e farelo de trigo postos na fazenda. A proximidade com engenhos das regiões produtoras viabiliza o frete B2B.
6. Avaliação por Profissional Habilitado
A inclusão dos coprodutos de arroz na ração de bovinos de corte ou leite deve ser orientada por um zootecnista ou médico veterinário. O profissional determinará a taxa de substituição segura e equilibrará os minerais e a fibra da ração para garantir a máxima saúde e eficiência alimentar.