21 de set de 2023

Confinamento de gado: adsorventes e ionóforos para melhor desempenho

Confinamento de gado é uma estratégia para criação e engorda de bovinos muito utilizada por criadores do Brasil e do mundo. Contempla o oferecimento de recursos nutricionais ideais, em condições adequadas, para que os animais se desenvolvam sem ocorrência da perda de peso e evitando o desgaste muscular.

Apesar do sucesso dessa técnica de Pecuária Intensiva, muito se tem buscado melhorar na questão da nutrição e desenvolvimento dos bovinos, de modo que a cada dia surgem novas alternativas de aperfeiçoamento, baseadas em avanços tecnológicos da área.

A principal intenção é oferecer ao mercado animais mais sadios, com carne mais nutritiva e mais saborosa e de maior maciez, sem encarecimento excessivo dos custos, que já são elevados na técnica de confinamento. 

Uma das estratégias de que se tem lançado mão é a introdução de ionóforos e adsorventes como aditivos na nutrição de animais confinados, para melhoria do desempenho e favorecimento dos objetivos já citados acima. 

Se você ainda não conhece a atuação desses aditivos e quais os seus tipos, e se ainda não entendeu sua importância, sua função, como aplicar, e deseja outras informações a respeito, este artigo pode esclarecer. 

O que é o confinamento de gado?

O confinamento de gado consiste na aplicação de um sistema de pecuária intensiva onde os bois são criados dentro de um espaço restrito, sem acesso à pastagens. Os animais são mantidos em piquetes ou currais onde lhes é fornecido alimento de qualidade e água no cocho e lhes são dispensados muitos cuidados.

A técnica é muito usada na terminação, ou seja, em períodos que antecedem o abate, com o principal objetivo de engorda e acabamento ideal da carcaça para comercialização. Trata-se de uma técnica que entrega muitos benefícios, como os citados abaixo.

Benefícios do confinamento de gado

  • Possibilita aceleração do desenvolvimento bovino;
  • Favorece o manejo de animais durante a seca, retirando do pasto os animais mais pesados e prontos para engorda;
  • Auxilia na redução da idade de abate;
  • Aumenta a eficiência produtiva;
  • Favorece o controle de lotação dos pastos, diminuindo o alto consumo de forragem. Essa ação permite maior produtividade das forrageiras, que ficam mais disponíveis para outros animais;
  • Reduz os gastos com recuperação de pastos degradados;
  • Possibilita que proprietários que também investem na agricultura tenham área disponibilizada para a lavoura, durante o tempo do confinamento do gado;
  • Obtenção de melhores carcaças, com carne de mais qualidade;
  • Permite obtenção de lucro também por meio da produção de adubo orgânico feito com o esterco provindo do confinamento; 
  • Melhor controle do manejo sanitário do rebanho;
  • Redução da mortalidade;
  • Possibilidade de aumento nos lucros;

Como você pode notar são muitos os benefícios, mas não significa que não existem dificuldades a vencer. Para pôr em prática um confinamento de gado é preciso um planejamento prévio, para evitar desacertos e perdas financeiras. 

Um dos grandes desafios do confinamento de gado é a manutenção da saúde bovina, sendo esta uma das preocupações do setor. Por este motivo, a ciência e a tecnologia voltadas para o ramo, lutam para abreviar os problemas sanitários. 

Uma das soluções apresentadas é a introdução de adsorventes e ionóforos como aditivos. Saiba um pouco mais sobre eles. 

Adsorventes no confinamento de gado:

Para que você entenda melhor a função dos adsorventes é preciso conhecer o mal que eles são capazes de combater. Por isso, começaremos nossa conversa falando das micotoxinas, termo que você já deve conhecer, pois já deve ter ouvido falar do quanto elas podem afetar os bovinos, inclusive os que estão em confinamento. 

Pois saiba que as micotoxinas são substâncias tóxicas provenientes do metabolismo secundário de fungos filamentosos. Elas são causadoras de graves problemas de saúde tanto para bovinos de corte, quanto para bovinos de leite… 

Existem diversos fungos produtores de micotoxinas, assim como existem milhares de tipos de micotoxinas. Segundo estudos científicos 25% dos grãos colhidos no mundo estão contaminados por algum tipo de micotoxina. No entanto, nem todas representam perigo à saúde. Entre as que trazem prejuízos à pecuária, as mais comumente encontradas são as dos gêneros: Aspergillus, Fusarium e Penicilillium. 

Os gêneros acima citados são os responsáveis pela presença de micotoxinas como: as aflatoxinas , as fusariotoxinas e as ocratoxinas, havendo também as vomitoxinas conhecidas como deoxinivalenol ou DON, as fumonisinas, as zearalenonas, entre outras espécies. 

Por afetarem os alimentos que fazem parte da ração bovina, as micotoxinas são um sério problema para os pecuaristas, especialmente, quando se trata de confinamento. Elas contaminam alimentos concentrados e volumosos, trazendo perdas financeiras significativas.

As micotoxinas presentes em cereais contaminados, podem ser ingeridas pelos animais em qualquer fase produtiva, podendo ocorrer em qualquer uma das etapas da vida bovina. 

Mas, fique sabendo que a propensão ao risco aumenta em animais confinados, pois são submetidos a altas porções de suplementos concentrados. Já o gado leiteiro é mais afetado nas fases de recria e produção, pois nestes períodos sua dieta é , geralmente, baseada em alimentos volumosos. 

Os animais consomem, portanto, alimentos concentrados e volumosos, muitas vezes, mal armazenados ou que foram estocados por longo tempo, o que favorece a contaminação. 

Os prejuízos são múltiplos. Nos bovinos de corte a contaminação pode resultar em: 

queda de imunidade, danos às funções hepáticas e ainda prejudicar a saúde intestinal, entre outros males. Algumas pesquisas científicas informam que também podem ocorrer perdas gestacionais, problemas de desempenho e reprodutivos, podendo causar até mesmo óbitos.

Com o gado leiteiro não é diferente e até mesmo a eficiência reprodutiva fica comprometida. Além disso, há agravantes, como por exemplo, a presença da Aflatoxina M1 (AFM1) que se manifesta no leite das vacas que ingeriram alimentos contaminados pela Aflatoxina B1 (AFB1).

Porém, boas práticas, dentro do contexto da nutrição animal, apontam uma solução para estes problemas, ou seja, o uso dos adsorventes como aditivo. Com esta ação pode-se reduzir ou evitar o impacto negativo que as micotoxinas causam.

E aí entram os adsorventes. Mas, na verdade, o que são eles e como atuam? 

Os adsorventes são compostos moleculares, ou seja, são substâncias químicas capazes de neutralizar a atividade tóxica das micotoxinas, por meio de um mecanismo chamado de adsorção. Estes adsorventes conseguem aderir à superfície das micotoxinas fazendo com que sejam eliminadas pelas excretas animais, sem serem absorvidas pelo trato gastrointestinal.

Os bovinos recebem os adsorventes como aditivos, que são acrescentados à ração. Os adsorventes agem, então, neutralizando as micotoxinas, evitando que a toxicidade seja absorvida pelo organismo do animal e reduzindo os efeitos deletérios que provocam no trato intestinal. 

Adsorventes: Principais tipos utilizados.

Dois grupos de adsorventes são os mais usados na nutrição animal: os orgânicos e os inorgânicos.   

  1. Os adsorventes inorgânicos 

 São os que possuem estrutura composta por silicatos e argilas. Eles agem por meio de diferenças de cargas elétricas. Os mais comumente utilizados são: Aluminossilicato de cálcio e sódio hidratado (ACSH); Bentonitas (montmorilonitos); Tectossilicatos Zeólitos; Sepiolitas; Diatomitos.

Os adsorventes de natureza inorgânica não apresentam características nutricionais e não são muito caros, são características que popularizaram seu uso. No entanto, os inorgânicos possuem maior especificidade, ou seja, não adsorvem quaisquer micotoxinas, mas, somente algumas específicas, além disso, oferecem baixa proteção.

  1. Os adsorventes orgânicos

São aqueles que atuam por intermédio da parede celular de leveduras e algas. Eles contam com poder de seleção e adsorção. Estes adsorventes orgânicos são compostos como por exemplo, os derivados de leveduras, que muito comumente são usados na nutrição dos animais. 

Os orgânicos contam com a capacidade de adsorver variadas micotoxinas e não apenas algumas específicas. A parede celular das leveduras possuem complexos carboidratos, que expressam funções adsortivas capazes de neutralizar várias micotoxinas. Sendo assim, as micotoxinas aderem à superfície do adsorvente orgânico e são ali neutralizadas, evitando que o organismo animal as absorva. 

Além disso, os adsorventes orgânicos apresentam a vantagem de não interagirem com os elementos normais da dieta, deixando-os disponíveis para a nutrição do animal. 

Vantagens e aplicações dos adsorventes na saúde e nutrição animal.

Os adsorventes são de grande valia, não só para cada produtor rural, mas podemos dizer que cooperam com todo o agronegócio, já que evitam as perdas financeiras e a má qualidade dos produtos. O impacto negativo atravessa a barreira das propriedades rurais, já que as perdas financeiras e baixa qualidade acabam sendo repassadas para os consumidores. 

Um dos benefícios que oferecem os adsorventes é exatamente evitar perdas financeiras. Uma outra vantagem é otimizar a produtividade nas propriedades. Porém, há muitos outros benefícios que estes aditivos oferecem tanto para o gado de corte quanto para o gado de leite. Temos como exemplo, os citados abaixo.

  • Os adsorventes são capazes de neutralizar as micotoxinas evitando que sejam absorvidas pelo trato gastrointestinal dos animais, causando doenças;
  • Impedem a formação de outros metabólitos tóxicos, que tenham sido produzidos a partir da absorção das micotoxinas;
  • Melhoram a ingestão de matéria seca;
  • Promovem a prevenção de perdas zootécnicas;
  • Evitam a condenação de carcaça em frigoríficos; (A condenação de carcaças de bovinos é realizada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA);
  • Auxiliam a sanidade dos animais, especialmente a saúde intestinal; 
  • Potencializam ganho de peso
  • Contribuem para melhor acabamento da carcaça
  • Melhoram o rendimento da carcaça;
  • Ajudam o funcionamento do sistema imunológico;
  • Evitam patologias secundárias;
  • Cooperam para a saúde do rúmen;
  • Favorecem o manejo sanitário, aumentando a sanidade do rebanho
  • Promovem melhor aproveitamento da dieta
  • Evitam o estresse oxidativo;
  • Otimizam a performance reprodutiva;
  • Potencializam as taxas de concepção e parto;
  • Regulam o ciclo estral das vacas;
  • Diminuem a quantidade de abortos;
  • Reduzem o surgimento de hiperestrogenismo ( elevação da taxa hormonal de estrógeno);
  • Melhoram a produção de leite e a qualidade da carne;
  • Impedem a presença de Alfa M1 no leite;

Além de prevenir distúrbios e potencializar a segurança alimentar, há um fator benéfico que vale a pena destacar. Trata-se do aumento no ganho de peso dos animais. Este fator é citado em estudos, artigos científicos e teses de mestrado. Foi citado, por exemplo, na tese de mestrado de Marson, B. em 2014 na UEL – Universidade Estadual de Londrina. 

Na ocasião, foi descrito aumento de 139 gramas a mais no peso médio diário por animal, no grupo que recebia 10 gr por dia do adsorvente de micotoxinas, em comparação ao grupo controle, que não recebeu adsorventes.

Momentos ideais para o uso de adsorventes no confinamento.

A administração de adsorventes de micotoxinas para bois em confinamento é uma prática importante para conter os efeitos negativos das micotoxinas que prejudicam a saúde e o desempenho dos bovinos em confinamento.

No entanto, não é prática que deva ser realizada sem critérios e sem orientação de quem realmente tem conhecimento sobre a composição do adsorvente, seu modo de ação e sua aplicação. Estes são aspectos que devem ser verificados criteriosamente, em análises.

Sendo assim, trazemos aqui algumas diretrizes que são boas dicas para auxiliar o proprietário rural no momento da escolha e aplicação dos adsorventes.

Como escolher o adsorvente ideal

Em primeiro lugar você deve saber que a escolha do adsorvente deve ser baseada nas características das micotoxinas presentes na ração e considerando as condições específicas do confinamento.

1º- Dose adequada é importante

Em primeiro lugar você deve saber que a dose do adsorvente deve ser determinada de acordo com a quantidade e o tipo de micotoxinas presentes na ração. Portanto, o melhor jeito de saber qual a dose ideal é observando as instruções do fabricante e se baseando em orientação profissional.

2º- Mistura homogênea

Fique atento, pois, o adsorvente deve ser misturado cuidadosamente na ração dos bois. Isso pode ser feito utilizando equipamentos que garantam uma distribuição homogênea do adsorvente na ração.

3º- Monitoramento

Etapa importante é a do monitoramento. Verifique regularmente os níveis de micotoxinas na ração e também a saúde e o desempenho dos animais. Isso permitirá ajustes na dose dos adsorventes, conforme for necessário. Este é um dos motivos pelos quais você deve solicitar ajuda de um profissional de nutrição animal ou um veterinário.

4º- Armazenamento adequado

Os adsorventes de micotoxinas devem ser armazenados de acordo com as recomendações do fabricante para garantir sua eficácia ao longo do tempo.

5º Recorra a um profissional de nutrição animal, veterinário ou zootecnista

Recomenda-se consultar um veterinário ou um profissional de nutrição animal antes de iniciar a administração de adsorventes de micotoxinas. Eles podem avaliar a situação específica do confinamento, descobrir quais as micotoxinas presentes, para ser possível estabelecer um planejamento assertivo de administração de adsorventes.

Além disso, esses profissionais poderão realizar o monitoramento, que requer análises a respeito da ação do adsorvente e sua atuação sobre as micotoxinas. Somente um profissional especializado poderá checar condições importantes como por exemplo, os dados sobre a adsorção e dessorção, como está sendo o desempenho do aditivo, e se está ocorrendo a excreção de micotoxinas nas fezes.

A inclusão dos adsorventes na dieta animal assegura a redução de riscos à saúde animal e evita muitos prejuízos. No entanto, não só os adsorventes são utilizados para inibir a ação de microrganismos no rúmen, também existem os ionóforos. Que tal conversarmos sobre eles? 

Ionóforos no confinamento de gado:

Os ionóforos são uma linhagem de antibióticos capazes de inibir ou desativar o crescimento de microorganismos do rúmen. Quando bem utilizados conseguem aumentar a performance animal.

Os benefícios que prestam se devem, especialmente, às alterações que promovem na fermentação ruminal. No Brasil, são especialmente usados para ruminantes os ionóforos chamados monensina e lasalocida.

Conceito de ionóforos e sua função no confinamento.

Os ionóforos são um grupo de compostos químicos utilizados como aditivos alimentares em bovinos e outras espécies de ruminantes. Sua atuação possibilita potencializar a eficiência alimentar, melhora a saúde e o desempenho dos animais.

Eles afetam a fermentação ruminal, resultando em benefícios nutricionais e metabólicos. Os ionóforos são comumente utilizados em bovinos de corte em confinamento. 

Seu modo de ação objetiva inibir atividades microbianas no rúmen, influenciando a fermentação ruminal e os processos de degradação dos nutrientes. Algumas das principais opções de ionóforos disponíveis no Brasil estão descritas abaixo. 

Principais Ionóforos Disponíveis no Brasil

De acordo com informações de pesquisadores e instituições da área, existem centenas de ionóforos já descritos (em torno de 120), porém apenas a monensina, a lasalocida, a salinomicina e a laidomicina propionato são ionóforos devidamente aprovados para utilização na nutrição de ruminantes. 

No Brasil, somente 2 tipos têm a aprovação dos órgãos competentes para serem usados, trata-se da monensina e a lasalocida, que são os que estão liberados para utilização na dieta dos ruminantes.

  • Monensina

A monensina é um dos ionóforos mais utilizados em bovinos. Ela é eficaz na melhoria da eficiência alimentar, prevenção da acidose e controle de coccidiose. Além disso, pode auxiliar na redução da produção de metano.

  • Lasalocida

A lasalocida é outro ionóforo comumente utilizado. Ela também ajuda na melhoria da eficiência alimentar e no controle de coccidiose, que é uma doença muito frequente em ruminantes, causando diarreia. 

  • Salinomicina

A salinomicina é utilizada principalmente para prevenir a coccidiose, mas também pode ter efeitos positivos sobre a eficiência alimentar.

  • Laidomicina

Embora menos comum, a laidomicina também é um ionóforo utilizado em algumas formulações de rações.

  • Narasin

 Este é outro ionóforo utilizado em algumas formulações de ração, contribuindo para melhorias na eficiência alimentar e na prevenção da coccidiose.

Benefícios dos ionóforos na saúde, eficiência alimentar e ganho de peso dos animais.

Diversos estudos têm comprovado a eficácia dos ionóforos quando introduzidos na nutrição animal. Entre estas pesquisas, uma delas afirma que a lasalocida e a monensina têm sido utilizadas no Brasil como promotores de crescimento em confinamento porque aumentam a eficiência e/ou a taxa de ganho de peso vivo. (Salman, A. K. D. et al.,2006,p.10)

No entanto, os ionóforos entregam muitos outros benefícios. Alguns estão citados abaixo.

  • Inibe a ação das bactérias gram-positivas favorecendo o desenvolvimento das gram-negativas. Esta ação otimiza resultados positivos no rúmen;
  • Reduz a produção de amônia e de lactato. O resultado é um pH mais equilibrado e estável no rúmen;
  • Reduz a produção de gás metano diminuindo, assim, as perdas energéticas e tornando o processo digestivo mais eficiente; 
  • Eleva a geração de propionato promovendo maior disponibilidade de energia para proveito do organismo animal;
  • Traz melhorias no desempenho dos animais;
  • Otimiza a conversão alimentar;
  • Potencializa a produção de carne de qualidade;
  • Previne a laminite e acidose metabólica; 
  • Entre os benefícios está também o aumento da capacidade do animal em usar a energia. Isso ocorre porque há redução na geração de metano e elevação na produção de ácido propiônico;
  • Pode promover a inibição das bactérias produtoras de lactato. Com a redução de lactato as chances dos bovinos contraírem Acidose ruminal é bem menor. 
  • Atuam no intestino reduzindo as chances do aparecimento de coccidiose (doença causada por protozoário, que provoca diarreia líquida nos bovinos); 
  • Melhoria da palatabilidade, especialmente quando a lasalocida sódica é correlacionada com a monensina;
  • Influencia positivamente a fermentação ruminal potencializando a produção de leite;
  • Reduz a taxa de mortalidade das crias (bezerros e bezerras);
  • Auxilia no crescimento e desenvolvimento das crias;
  • Diminui a produção de metano e evita excedente de lactato, fazendo com que o pH fique sempre estabilizado;

Estratégias de aplicação e manejo:

  • Orientações sobre a forma correta de utilizar ionóforos no confinamento.

Não é novidade para ninguém que nosso país detém um dos maiores rebanhos bovinos do mundo, estando aliás, em segundo lugar na produção e exportação de carne de boi. 

O manejo a pasto é o sistema de criação mais empregado e se faz presente em 90 por cento dos casos. No entanto, muitos dos pecuaristas brasileiros não abrem mão do confinamento, em especial, na fase de terminação. 

O objetivo é alcançar o melhor em qualidade de carne, sem elevação exorbitante de custos.O mesmo pode ser dito dos criadores de gado leiteiro, que buscam alcançar a cada dia uma melhor produção. 

Apesar do empenho da pecuária nacional observa-se que a forragem produzida não é suficiente, assim como também não apresenta total qualidade no decorrer de todo o ano, muitas vezes, devido às secas e oscilação de clima de nossa terra tropical. 

Este fato é bem prejudicial, tanto para quem cria gado de corte, quanto para quem investe em gado leiteiro. Há a cada dia maiores exigências nutricionais que precisam ser supridas. 

Sendo assim, para atender essa demanda nutricional capaz de gerar um gado de qualidade, a tecnologia tem se aplicado na busca de maior eficiência da fermentação ruminal e mais controle sobre esta. Neste sentido, é que foram descobertos os ionóforos, antibióticos que são usados como aditivos para inibirem a atuação perniciosa de certas bactérias no rúmen.

Muitos estudos já comprovaram a eficácia dos ionóforos, no entanto, não são aditivos que podem ser utilizados sem critério e sem conhecimento, é preciso cuidado na aplicação para que uma superdosagem não cause uma intoxicação. 

O ideal é que o produtor rural procure profissionais especializados para orientar o emprego dos ionóforos. Apesar dos muitos benefícios que entregam, qualquer animal está sujeito a problemas caso não sejam utilizados corretamente. 

Portanto, vale a pena observar algumas dicas de cuidados na administração das dosagens e modos de usar. 

Dosagens recomendadas e cuidados na administração

Conforme já citado em tópico acima, os ionóforos mais comercializados no Brasil são a Monensina Sódica e a Lasalocida Sódica, 

A Monensina sódica advém de uma cepa de bactérias cuja espécie é chamada Streptomyces cinnamonensis. Ela é distribuída comercialmente com o nome de Rumensin, contendo 10% de Monensina Sódica. 

Já a Lasalocida Sódica é gerada por bactérias da espécie Streptomyces lasaliensis. Ambas pertencem ao gênero Streptomyces. Ela é comercializada no Brasil com o nome de Taurotec, contendo em sua formulação 15% de Lasalocida Sódica.

Os ionóforos Monensina e a Lasalocida podem ser utilizados em suplementos protéico-energéticos, em rações concentradas, misturas minerais e, principalmente, em dietas de confinamento. 

Se você é um proprietário rural que pretende fazer uso de ionóforos, saiba que artigos e pesquisas científicas publicadas por estudiosos do assunto, assim como as bulas dos produtos comercializados nos ajudam neste sentido. 

Recomendações para utilização da monensina

Observe o que argumentam alguns pesquisadores sobre a monensina

Nicodemo(2001), nos dá sugestões para o uso da monensina sódica. Ele alerta para alguns aspectos interessantes. Segundo ele: 

  • O fornecimento de monensina sódica deve ter em vista potencializar o processo digestivo, impedindo a perda de nutrientes e reduzindo o consumo;
  • Não se deve iniciar o fornecimento diretamente, sem que os bovinos passem, antes, por adaptação;
  • Para animais em pastejo, os níveis recomendados durante a adaptação não devem ultrapassar a dosagem de 50 a 100 mg de monensina sódica/cabeça/dia, nos 5 ou 7 dias iniciais;
  • Depois que estes animais criados a pasto estiverem adaptados, pode-se fornecer 200 mg/cabeça/dia, misturados a 450 g de suplemento;
  • Animais em sistemas de confinamento devem receber, inicialmente, de 5 a 10g de monensina sódica/tonelada de alimento, enquanto estiverem em período de adaptação;
  • Os bois confinados, depois de adaptados à monensina sódica, podem receber uma concentração que gira em torno de 25 a 30g/tonelada.
  • É fundamental seguir as recomendações dos fabricantes;
  • Para diminuir os riscos de intoxicação em animais criados a pasto, a monensina sódica pode ser ofertada através do suplemento proteico-energético;
  • O artigo ainda alerta para os casos de interrupção do tratamento com monensina sódica. Caso os bovinos fiquem sem consumi-la por um período superior a 72 horas, deve-se realizar novamente a adaptação;

Mais sugestões nos oferece a Elanco Companhia de Produtos, empresa que comercializa a monensina sódica no Brasil. Veja as recomendações de uso que nos entrega:

  • Conforme informa a Elanco, o Rumensin (monensina sódica) é apresentado na forma líquida e seca como suplementação, podendo ser também fornecido em bloco ou mistura granulada. (ELANCO,2018)
  • A empresa alerta para os cuidados a serem tomados com o produto. Este só pode ser usado para ruminantes, sendo altamente tóxico para equinos. A ingestão de monensina por equídeos é fatal.
  • A ELANCO recomenda que a administração seja feita da seguinte forma: 
  1. Rumensin 100 : – Administrar de 240 mg a 400 mg por animal/dia, considerando-se o peso e a dieta. 
  2. Rumensin 200 : – Administrar 150 a 450 mg de monensina por animal/dia, sem deixar de levar em consideração o peso, o consumo e a energia da dieta;
  • Outra advertência é para a atenção no emprego do aditivo. Podem surgir consequências como queda de produção, se forem excedidos os níveis recomendados. Portanto, todo cuidado é bem-vindo para que não seja administrado de forma errada. 
  • A dieta do animal é outro fator que a empresa ressalta. Se esta for constituída de ração ou pastejo contendo nutrientes inadequados para o crescimento ou produção do leite, não é recomendável a utilização da monensina.

Recomendações para utilização da Lasalocida sódica

A Zoetis- Indústria de Produtos Veterinários Ltda é a empresa responsável pela comercialização do Taurotec, (lasalocida sódica) no Brasil. Veja o que informa a bula do produto.

  • Este ionóforo pode ser administrado via oral na ração, ou em mistura mineral proteinada ou energética. 
  • O produto é contraindicado para o uso em alimentação de equinos e suínos, pois causa intoxicação (ZOETIS, 2018)
  • Os resultados do uso deste aditivo vão depender muito da forma como é administrado, e também depende da dieta que está sendo oferecida para os animais;

Observe algumas recomendações da dosagem de Taurotec (lasalocida sódica) que constam na bula: 

  1. A dosagem inicial recomendada para a primeira semana deve ser de 50 mg a 100 mg/animal/dia (0,33 g a 0,66 gramas do produto comercial/animal/dia). 
  2. Depois do período de adaptação pode-se chegar a 300 mg/cabeça/dia (2,0 gramas do produto comercial/animal/dia) (ZOETIS, 2018)

Manejo sanitário no confinamento de gado

Um manejo sanitário do gado em confinamento bem planejado é super importante para assegurar a saúde e o bem-estar dos animais, sendo também essencial para uma produção de sucesso. 

A prática adequada de manejo sanitário deve privilegiar ações de higiene, planejamento e aplicação assertiva de vacinação e monitoramento constante. Só assim é possível prevenir doenças contagiosas que podem propagar-se rapidamente em ambientes fechados ou mais restritos, como é o caso dos confinamentos.

Neste caso,um cuidado fundamental se refere à gestão eficaz do ambiente, estando nisto incluída a limpeza das instalações e a disponibilidade de água limpa, já que estas desempenham um papel vital para um bom manejo sanitário.

Além disso, a nutrição balanceada e o controle do estresse são fundamentais para que o manejo sanitário garanta a saúde do gado, contribuindo para a qualidade dos produtos entregues ao mercado sem desconsiderar a sustentabilidade. 

Programas de vacinação e controle de parasitas em animais confinados

Uma sugestão das medidas de biossegurança e sanidade que devem ser tomadas para prevenção de doenças no confinamento está abaixo, para que você inicie seu planejamento, organizando um cronograma sanitário para seus animais.

Além de organizar um cronograma de vacinas é sempre bom ter em mente algumas recomendações importantes. Por isso, não se esqueça de:

  • Organizar os bois em lotes homogêneos;
  • Oferecer uma dieta que não cause problemas de saúde intestinal:
  • Fornecer concentrado + volumoso de 2 a 3 vezes ao dia, mantendo os mesmos horários de trato;
  • Disponibilizar cocho adequado com espaço suficiente para evitar competição;
  • Fazer uso de ionóforos ou adsorventes como aditivos alimentares, para isto consulte um veterinário ou nutricionista animal de sua confiança;

Nutrição no confinamento de gado

A nutrição adequada de bois em confinamento desempenha um papel fundamental no sucesso da produção pecuária. Um planejamento nutricional bem feito não apenas influencia o ganho de peso e a conversão alimentar eficiente, mas também afeta diretamente a saúde, o bem-estar e a qualidade da carne. Por isso é tão fundamental buscar suprir as exigências nutricionais. 

A exigência nutricional pode ser entendida como a porção diária de cada nutriente que os animais precisam ingerir para atingir um certo nível esperado de produção. Portanto, cada proprietário interessado em obter os melhores resultados em seu confinamento bovino deve estar ciente das exigências nutricionais que precisa cumprir para desenvolvimento de seu rebanho.

Conhecendo essas exigências o produtor rural poderá traçar a melhor estratégia a ser adotada em sua propriedade. Esta estratégia deve contemplar todas as etapas pelas quais passará o rebanho, desde a mineralização ainda no pasto até a adoção do sistema de confinamento.

Um aspecto importante é a orientação do nutricionista neste passo a passo das exigências nutricionais, pois é preciso supri-las, atendendo aos objetivos do sistema, sem arrastar-se de prejuízo em prejuízo.

Um ponto relevante é entender que a exigência de cada rebanho e de cada animal pode variar conforme suas características. Dependem, por exemplo, do peso vivo, da categoria, do estado de saúde em cada curva de crescimento e também de fatores ambientais.

Os bovinos, assim como todos os outros animais, têm diversas exigências nutricionais diárias. Entre estas estão a água, energia, proteína, minerais, vitaminas, e as fibras,que são muito necessárias em confinamento com alta inclusão de concentrado. 

Bem-estar animal no confinamento de gado

Promover o bem-estar e conforto dos animais confinados é essencial para garantir sua saúde, qualidade de vida e produtividade. Se você parar para pensar, logo perceberá que as práticas que tornam melhor e mais saudável a vida dos animais são atitudes cotidianas que obviamente já fazem parte do manejo. 

Veja se você concorda:

  1. É preciso fornecer um ambiente adequado;
  2. Higiene e Limpeza são fatores cruciais;
  3. A nutrição precisa ser balanceada para atender necessidades específicas de cada fase de crescimento e contribuir para o ganho de peso;
  1. Água deve ser limpa e precisa estar sempre acessível;
  1. Também é bom evitar o uso excessivo de dispositivos de contenção;
  1. Faça monitoramentos regulares;
  2.  Forneça cuidados veterinários regulares, vacinações e realize tratamentos preventivos; 
  1. Busque a redução de estresse minimizando barulhos altos, mudanças abruptas no ambiente e práticas de manejo agressivas.
  1. Ofereça uma dieta balanceada buscando o apoio de profissionais especializados em nutrição animal.

Ao implementar essas estratégias, os produtores podem criar um ambiente mais saudável para os animais confinados, melhorando tanto o bem-estar quanto a produtividade.

Sustentabilidade e impactos ambientais do confinamento de gado

O confinamento de gado tem implicações significativas em termos de sustentabilidade e impactos ambientais. Embora seja uma prática que aumenta a produção de carne e melhora a eficiência alimentar, também apresenta desafios ambientais que precisam ser considerados.

Alguns destes impactos se destacam, temos por exemplo:

  • O uso excessivo de recursos naturais;
  • Emissões de gases de Efeito Estufa
  • Poluição 
  • Desmatamento e mal uso da terra
  • Uso indiscriminado de antibióticos e hormônios

Avaliação dos impactos ambientais e medidas de mitigação no sistema de confinamento

Para mitigar esses impactos, práticas sustentáveis podem ser adotadas:

  • Gestão Eficiente de Resíduos: Investir em sistemas de gestão de dejetos e tratamento de efluentes para reduzir a poluição da água e do solo;
  • Eficiência na Alimentação: Melhorar a eficiência alimentar dos animais por meio de dietas balanceadas, reduzindo a pressão sobre os recursos naturais;
  • Energias Renováveis: Utilizar fontes de energia renovável para reduzir a pegada de carbono da produção;
  • Pastoreio Sustentável: Integrar práticas de pastoreio com sistemas de confinamento para reduzir o impacto ambiental e melhorar o bem-estar animal;
  • Manejo de Emissões: Investir em tecnologias de captura e redução de gases de efeito estufa, como biodigestores para o tratamento de dejetos.

Conclusão

 Conforme você pode perceber, o confinamento de gado, embora eficaz na produção de carne, exige muito mais que apenas uma dieta balanceada. Há, sem dúvida, necessidade de utilização de aditivos como os ionóforos e adsorventes. Além de serem considerados excelentes promotores de crescimento, estes antibióticos colaboram para impedir uma série de enfermidades que afetam os bovinos. 

Entre outros benefícios, os Ionóforos melhoram a eficiência alimentar, reduzindo emissões de gases que vão inchar ainda mais a atmosfera. Os adsorventes primordialmente evitam os altos riscos causados por micotoxinas. 

Portanto, integrar esses aditivos à dieta dos bois em confinamento fortalece a produção, contribui para o cuidado ambiental e assegura a lucratividade do produtor.

São muitos os desafios, mas mesmo assim a pecuária do Brasil cresce a cada dia.

E se você deseja descobrir mais sobre qualquer assunto no ramo da pecuária e do agronegócio visite a Agro2 business, uma plataforma a serviço do pecuarista e do Brasil. 

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