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Mandioca pode ser boa alternativa na alimentação de ruminantes

Raízes de mandioca em cultivo agrícola para coprodutos

Mandioca e Coprodutos na Nutrição de Ruminantes: Qualificação, Lote e Conservação

A cultura da mandioca (Manihot esculenta Crantz) oferece múltiplas alternativas para a nutrição de ruminantes, aproveitando desde a raiz integral até coprodutos industriais como a casca, a raspa e o bagaço de fecularia. Com elevada concentração de amido de rápida fermentação ruminal na raiz e boa qualidade proteica na parte aérea (rama e folhas), a mandioca consolidou-se como um recurso energético e volumoso estratégico, especialmente em regiões de clima tropical e semiárido.

1. Origem e Processo de Obtenção

Os coprodutos da mandioca dividem-se em agrícolas e industriais. No campo, a colheita gera a rama e a folhagem (massa verde) e raízes fora do padrão comercial. Nas indústrias de farinha e fecularia, a lavagem e o descascamento produzem a casca e o entrecasca, enquanto a extração do amido gera o bagaço de mandioca (massa de fecularia), caracterizado por fibra digestível e amido residual.

2. Identificação e Documentação de Lote

O recebimento de coprodutos de mandioca vindos de fecularias ou farinheiras requer nota fiscal e comprovação de lote. É imprescindível identificar a variedade da mandioca (mandioca-mansa/de mesa ou mandioca-brava/industrial), pois as variedades industriais possuem teores elevados de glicosídeos cianogênicos (como a linamarina), exigindo processamento prévio para eliminação do risco de intoxicação por ácido cianídrico (HCN).

3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia

A caracterização laboratorial da fração da mandioca fornecida ao rebanho é indispensável. Os parâmetros analíticos principais abrangem:

  • Amido e Carboidratos Solúveis: Na raiz seca (raspa) e na farinha, o amido pode ultrapassar 75% da MS, atuando como substituto energético de altíssimo desempenho para o milho.
  • Proteína Bruta (PB): A raiz é pobre em proteína (2% a 4% na MS), enquanto a folhagem da rama seca (silagem ou feno de rama) pode atingir de 14% a 18% de PB.
  • Matéria Seca (MS): A raiz in natura e a massa de fecularia possuem elevada umidade (MS entre 15% e 30%), ao passo que a raspa de mandioca desidratada atinge de 86% a 90% de MS.

4. Conservação, Armazenamento e Transporte

Para o uso seguro da mandioca in natura ou de coprodutos úmidos de fecularia, o material deve passar por trituração e desidratação ao sol (picagem e espalhamento em terreiro por 24 a 48 horas) ou ensilagem anaeróbica. O processo de ensilagem ou secagem reduz a zero o risco de toxicidade do HCN. A raspa seca deve ser transportada e armazenada em local estanque, protegido de umidade e roedores.

5. Comparação Responsável de Fornecedores

O comprador deve analisar a relação custo-benefício comparando a raspa de mandioca desidratada ou a massa de fecularia com os cereais tradicionais postos na fazenda. A sazonalidade da safra da mandioca e a distância logística entre a fecularia e a propriedade devem ser devidamente dimensionadas na planilha de custos do concentrado.

6. Avaliação por Profissional Habilitado

O balanceamento de dietas contendo mandioca exige acompanhamento técnico especializado de zootecnista ou médico veterinário. Por ter amido de altíssima degradabilidade ruminal, a inclusão de mandioca requer o ajuste fino da taxa de nitrogênio não proteico (ureia) e da fibra efetiva para evitar quadros de acidose e garantir a máxima sintese de proteína microbiana no rúnem.