Manejo da saúde de bezerros: guia prático

Manejo da Saúde de Bezerros: do nascimento ao desmame
O manejo da saúde de bezerros começa antes do nascimento e depende de uma rotina coerente, observação atenta e decisões ajustadas à realidade de cada propriedade. Este complemento organiza os pontos do texto original em uma sequência prática, sem substituir o protocolo sanitário local nem a avaliação de um médico-veterinário.
Por que a prevenção deve começar cedo
As primeiras semanas concentram mudanças importantes: o recém-nascido precisa se adaptar ao ambiente, mamar, manter a temperatura corporal e iniciar o desenvolvimento do sistema digestivo. Falhas de higiene, demora para ingerir colostro, instalações úmidas e baixa ingestão de alimento podem aumentar a vulnerabilidade. Por isso, a prevenção não é uma medida isolada; é um conjunto de cuidados repetidos desde a maternidade até o desmame.
Um bom plano também reduz improvisos. A equipe pode definir quem observa os partos, onde ficam os materiais limpos, como os registros serão feitos e quando o veterinário deve ser chamado. A rotina precisa ser simples o bastante para ser cumprida nos dias de maior movimento.
Preparação da vaca e do local de nascimento
O local de parto deve oferecer abrigo, drenagem e espaço para a vaca se movimentar, sem acúmulo de fezes ou lama. A limpeza entre lotes, o manejo cuidadoso e a separação de animais doentes ajudam a limitar a pressão de infecção. Também é útil deixar previamente disponíveis luvas, recipientes higienizados, material para identificação e produtos definidos pelo responsável técnico.
Na fase pré-parto, a vaca precisa receber alimentação e água adequadas, além do calendário sanitário recomendado para a região. Condição corporal, histórico de doenças e dificuldade de parto merecem atenção. Quando houver distocia, retenção de placenta, apatia ou ausência de comportamento materno, a intervenção deve seguir orientação profissional.
Colostro: prioridade nas primeiras horas
O colostro fornece energia e fatores de defesa importantes para o bezerro. A prioridade é garantir que ele mame o quanto antes, com volume e qualidade compatíveis com a orientação do veterinário e com os recursos disponíveis. Observar a sucção, a deglutição e o comportamento do animal é mais seguro do que presumir que a mamada ocorreu apenas porque a vaca está próxima.
Se a mãe não produzir colostro suficiente ou o bezerro não conseguir mamar, a propriedade deve ter um plano de contingência. O colostro de banco ou de outra vaca deve ser obtido, armazenado e oferecido com higiene. Produtos comerciais podem ser considerados quando indicados, mas não devem ser escolhidos apenas pelo preço ou pela embalagem. Registre horário, origem e quantidade fornecida.
Umbigo, pele e higiene
O cordão umbilical é uma porta de entrada para microrganismos. A desinfecção deve ser feita logo após o nascimento com produto, concentração e tempo de contato definidos pelo protocolo da fazenda. O recipiente precisa estar limpo, e a solução não deve ser contaminada por sucessivas imersões. A recomendação do texto original deve ser conferida com o veterinário, especialmente quando houver mudança de produto ou de legislação.
Nos dias seguintes, observe aumento de volume, calor, dor, secreção, mau cheiro ou sangramento. Também verifique se o bezerro se movimenta normalmente e se permanece ativo. Qualquer alteração deve ser registrada e comunicada cedo; aplicar medicamentos por conta própria pode mascarar sinais e atrasar o diagnóstico.
Observação diária e sinais de alerta
Uma inspeção diária deve considerar atitude, apetite, postura, respiração, fezes, hidratação e interação com a mãe ou com o grupo. Diarreia, tosse, secreção nasal, febre, umbigo alterado, dificuldade para ficar em pé e recusa de leite são sinais que justificam avaliação. A gravidade depende da idade e da evolução, portanto o horário em que o sinal apareceu é uma informação valiosa.
O isolamento de um animal doente, quando recomendado pelo veterinário, deve ser feito com acesso a água, proteção climática e manejo que não aumente o estresse. Pessoas, baldes e equipamentos que entram em contato com bezerros doentes precisam seguir a rotina de higienização da propriedade.
Vacinação e controle sanitário
O calendário vacinal não deve ser copiado de uma fazenda para outra. Ele depende das doenças presentes, da categoria animal, do histórico do rebanho, dos produtos autorizados e das regras oficiais vigentes. O produtor deve manter vacinas na temperatura indicada pelo fabricante, respeitar validade, dose, via de aplicação e intervalo entre doses, além de anotar lote e data.
O texto original menciona enfermidades e idades específicas. Essas referências devem ser tratadas como contexto histórico e conferidas antes de virar uma ordem de manejo. Campanhas oficiais, normas estaduais e orientação veterinária podem mudar. A vacinação de matrizes, o controle de trânsito e a comunicação de suspeitas também fazem parte da proteção do rebanho.
Nutrição, água e ambiente
Depois do colostro, o leite continua sendo a base da alimentação do bezerro, conforme o sistema de criação. A oferta deve ser regular e higiênica, e utensílios precisam ser lavados e secos. Quando houver ração inicial, ela deve ser fresca, protegida de umidade e introduzida de modo gradual. Água limpa e de fácil acesso torna-se cada vez mais importante à medida que o animal explora o alimento sólido.
O ambiente deve proteger contra chuva, vento, calor excessivo e contato desnecessário com barro. Cama seca, boa ventilação e lotação compatível favorecem o conforto. Mineralização e suplementação devem considerar solo, forragem e fase de crescimento; o excesso também pode causar problemas, por isso a formulação precisa ser técnica.
Desmame com planejamento
O desmame não deve ser visto apenas como uma data. O bezerro precisa apresentar desenvolvimento, consumo consistente de alimento sólido e adaptação ao ambiente, de acordo com o sistema produtivo. Mudanças de lote, transporte, vacinação e desmame concentradas no mesmo período podem aumentar o estresse. Sempre que possível, organize as etapas e acompanhe o comportamento após a transição.
Identificação, pesagem quando disponível e registros de tratamentos ajudam a comparar resultados ao longo das safras. O objetivo não é acumular formulários, mas reconhecer cedo os animais que precisam de atenção e aprender quais práticas funcionam melhor na propriedade.
Registros e trabalho da equipe
Uma ficha simples pode reunir nascimento, mãe, horário da primeira mamada, tratamento do umbigo, vacinas, ocorrências clínicas, pesagens e data do desmame. Registros legíveis melhoram a comunicação entre funcionários, produtor e veterinário. Eles também ajudam a separar um evento pontual de um padrão que exige revisão das instalações, do colostro, da água ou da alimentação.
Treinamento prático é tão importante quanto comprar insumos. Toda pessoa envolvida deve saber conter o bezerro sem brutalidade, reconhecer sinais de alerta, limpar equipamentos e pedir ajuda. Procedimentos invasivos, antibióticos, antiparasitários e qualquer ajuste de protocolo devem ser orientados por profissional habilitado.
Checklist para a rotina da fazenda
Ao revisar o manejo, confirme se há uma área de parto adequada, materiais limpos, fonte segura de colostro, protocolo para o umbigo, água disponível, calendário sanitário atualizado, registros e contato veterinário. A equipe também pode revisar semanalmente os casos de diarreia, mortalidade, tratamentos e atrasos de crescimento, sem transformar uma observação local em estatística geral.
Para complementar a organização do sistema, veja também o conteúdo interno sobre nutrição de bezerros. Em conjunto, saúde, nutrição, higiene e bem-estar formam uma base mais consistente para que o animal chegue ao desmame em boas condições.
Nota de responsabilidade técnica
Este material é informativo. Sinais clínicos, doses, produtos, intervalos e calendários devem ser confirmados com médico-veterinário e com os serviços oficiais de defesa agropecuária da região. Em caso de suspeita de doença de notificação obrigatória, siga imediatamente o fluxo oficial aplicável.
O desempenho de qualquer sistema de produção de gado de corte está diretamente relacionado à saúde e ao estado nutricional do rebanho. Esse desempenho de produção pode ser avaliado em relação aos critérios de bezerros desmamados, animais para abate e produção de carne e carcaça.
(Correa 1983).
Para não comprometer esse sistema, são imprescindíveis medidas preventivas que possam reduzir a morbimortalidade, que acabam por levar à redução e, consequentemente, à produção.
Portanto, o manejo da saúde dos bezerros é de fundamental importância.
Para facilitar a implementação de medidas preventivas, os agricultores recomendam um guia de fácil utilização (Anexo I).
Para garantir a sobrevivência e o bom desenvolvimento dos animais ao longo da vida, os bezerros precisam receber anticorpos maternos, através do colostro, durante as primeiras horas de vida (máximo 6 horas).
Normalmente, a natureza proporciona essa “manipulação”. No entanto, nos casos em que as vacas não produzem colostro, ou por algum motivo os bezerros não recebem esse leite da mãe, é imprescindível o uso de colostro de outro bezerro.
O colostro, além de fornecer anticorpos, também é rico em proteínas, minerais, enzimas e vitaminas, e possui efeitos laxantes suaves, antitóxicos e energizantes.
Para o bom desenvolvimento dos bezerros, a “cicatrização do cordão umbilical” é fundamental para evitar a contaminação do ambiente externo e das instalações de montagem.
O umbigo deve ser cortado na largura de dois dedos (aproximadamente
cm) e imerso por 2 a 3 minutos em solução de iodo a 10% (Anexo II), ou outro produto similar, imediatamente após o nascimento.
Bezerros “curados” devem ser examinados até que o cometa se cure. Deve-se lembrar aqui que um grande número de criadores tem utilizado ivermectina em bezerros recém-nascidos para prevenir miassis, segundo Bianchin et al. (1991), não trouxe nenhum benefício adicional ao uso de iodo na “cicatrização do cordão umbilical”. Um suprimento adequado de colostro e “cicatriz” apropriada do umbigo podem ser responsáveis pela prevenção de 70% da morbidade neonatal (Laender et al. 198).
É importante vacinar contra paratifóide ou salmonelose em bezerros de 15 a 20 dias. Também é recomendado vacinar vacas contra paratifóide no oitavo mês de gestação. A diarreia é um sinal clínico comum em bezerros recém-nascidos, porém outros agentes podem induzir esse processo (Madruga et al., 198).
Nestes casos, a melhor indicação de tratamento deve ser feita pelo médico veterinário.
Para combater a febre aftosa, os órgãos oficiais de saúde de defesa de cada estado coordenam diferentes campanhas de acordo com a região e o resultado desejado. No Mato Grosso do Sul, o IAGRO tem tomado a atitude correta ao buscar erradicar a doença.
Nas terras altas, todos os animais com um ano de idade são vacinados entre 1 e 28 de fevereiro: todos os animais com menos de dois anos entre 1 e 30 de maio, e todos os animais em casa a partir de 30 de novembro.
Nas zonas húmidas, todos os animais da propriedade são vacinados uma vez por ano, de 10 de maio a 15 de junho ou de 10 de novembro a 15 de dezembro. . A vacina contra Brucelose deve ser administrada em dose única entre novembro e junho pós-parto apenas em mulheres de três a oito meses de idade. Devem ser marcados com um “V” à “esquerda”, seguido do último dígito do ano de vacinação. Esse manejo pode ser combinado com uma vacina contra o antraz sintomático (vacina multivalente) por um período de quatro a seis meses. Isso deve ser repetido seis meses depois.
Em áreas onde o botulismo é comum, os bezerros devem ser vacinados aos quatro meses de idade, repetidos após
0 dias e uma vez por ano.
A vacina anti-rábica bovina é recomendada apenas em áreas endêmicas e deve ser administrada anualmente no mês de julho. Dependendo do tipo de criação (reprodução, criação ou engorda), as vacinas podem ser utilizadas com diferentes períodos de proteção. Deve ser combinado com vacinação de cães e cavalos e controle de morcegos vampiros na área.
A partir dos seis meses de idade, os bezerros devem ser desmamados e marcados. Do desmame aos 30 meses de idade, Honer e Bianchin (1991) recomendam a desparasitação estratégica anual em maio, julho e setembro.
Para que os animais respondam adequadamente às vacinas, eles devem estar em bom estado de nutrição, o que depende da disponibilidade e boa qualidade do pasto, aliado à suplementação mineral específica para cada região, opcionalmente, no cocho, no ano tudo. .
É importante que os veterinários respeitem o calendário de higiene, administrem vacinas, principalmente a brucelose, diagnostiquem a doença e prescrevam se necessário. Lembre-se que este documento tem como objetivo orientar os motoristas rurais. No entanto, novas opções de vacinas e medicamentos podem surgir neste caso, consulte seu veterinário.