O farelo de trigo na alimentação animal

Farelo de Trigo na Nutrição Animal: Qualificação, Lote e Conservação
O farelo de trigo é um dos coprodutos mais consolidados e utilizados na nutrição de bovinos, suínos, equinos e aves em todo o país. Resultante do processo de moagem do grão de trigo para a produção de farinha alimentícia, o farelo reúne o pericarpo, a camada de aleurona e frações do germe. Trata-se de um insumo altamente palatável, com excelente equilíbrio entre fibra digestível, proteína e fósforo, funcionando como ingrediente estratégico para formulações concentradas e suplementações de campo.
1. Origem e Processo de Obtenção
Nas indústrias moageiras (moinhos de trigo), o grão passa por etapas de limpeza, condicionamento hídrico e moagem gradual em cilindros de estria. O farelo é separado por peneiramento mecânico como a fração externa do grão. Dependendo da tecnologia do moinho e do grau de extração da farinha, o farelo pode apresentar variações no teor de amido residual, influenciando diretamente o seu valor energético.
2. Identificação e Documentação de Lote
A compra e o recebimento de farelo de trigo exigem a verificação da nota fiscal e da documentação técnica emitida pelo moinho de origem. O lote deve ser rastreável até a unidade moageira, garantindo que o produto não contenha resíduos de expurgo não autorizados, insetos de moinho ou contaminação por poeiras minerais da etapa de pré-limpeza dos grãos.
3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia
Embora apresente boa padronização, a análise bromatológica laboratorial do lote é indispensável para o ajuste preciso das dietas. Os parâmetros bromatológicos de referência incluem:
- Proteína Bruta (PB): Situa-se normalmente entre 15% e 17%, oferecendo contribuição proteica moderada e de boa aceitabilidade pelos animais.
- Fibra em Detergente Neutro (FDN): Varia de 38% a 45%, proporcionando fibra de rápida fermentação ruminal, ideal para a manutenção do ambiente ruminal saudável.
- Fósforo e Minerais: Apresenta teor elevado de fósforo orgânico, aspecto relevante para o balanço eletrolítico e mineral nas rações.
- Matéria Seca (MS): Padrão médio entre 87% e 89% de MS no momento do ensaque.
4. Conservação, Armazenamento e Transporte
Por ser um produto higroscópico e farelado, o transporte deve ser realizado em caminhões sider, baú ou caçambas perfeitamente cobertas por lonas impermeáveis e sem rasgos. O armazenamento na fazenda exige galpão seco, bem ventilado e com piso impermeabilizado. Os sacos ou Big Bags devem permanecer sobre estrados de madeira, distantes das paredes, prevenindo a compactação, o aquecimento da massa e o desenvolvimento de mofos ou carunchos (Sitophilus spp.).
5. Comparação Responsável de Fornecedores
Na cotação de farelo de trigo, o comprador deve comparar o preço por quilograma de matéria seca entregue no destino. É importante avaliar a capacidade de fornecimento contínuo do moinho durante a entremoagem, a reputação da marca no mercado comercial e a pontualidade logística do freteiro, evitando descontinuidades no programa nutricional da propriedade.
6. Avaliação por Profissional Habilitado
A definição do percentual de inclusão do farelo de trigo na ração deve ser conduzida por um zootecnista ou médico veterinário. O profissional dimensionará o nível de fibra e a velocidade de degradação do amido, adequando a dieta conforme a espécie, o estágio lactacional ou a fase de terminação, maximizando o aproveitamento dos nutrientes sem riscos de distúrbios metabólicos.