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Subprodutos do etanol de milho como fonte de proteína mais barata

O DDG e WDG resultantes da produção de etanol de milho são alternativas ao farelo de soja na alimentação de bovinos. Saiba por quê.

Desde 2012, quando foi inaugurada a primeira usina de processamento do grão para a produção de etanol no país, essa indústria vem ganhando força. A produção de etanol de milho é vista estrategicamente pela indústria alcooleira, pois usinas flex podem trabalhar durante a entressafra da cana-de-açúcar e consumir o excedente de produção do milho.

Para o produtor de milho, essa possibilidade de escoamento da produção deverá minimizar a redução de preços na época da colheita. As usinas, por sua vez, poderão vender subprodutos produzidos durante o processo, como o DDG (grão de destilaria seco) e o WDG (grão de destilaria úmido), consumidos na alimentação de bovinos, suínos e aves (IEA, 2018).

Goiás e Mato Grosso são os únicos estados nos quais é produzido o etanol de milho. Segundo a União Nacional de Etanol de Milho (Unem), existem 15 projetos de usinas em construção e sendo licenciados, a maioria no Mato Grosso e alguns em Goiás. A previsão é que mais três destilarias sejam inauguradas entre 2019 e 2020, sendo duas no Mato Grosso (Sinop e Sorriso) e uma em Chapadão do Céu, Goiás.

Ainda segundo a Unem, a estimativa de produção de etanol de milho para 2018 (os dados ainda não foram consolidados) é de 600 a 700 milhões de litros. A expectativa é que, em cinco anos, a produção seja de 3,0 a 3,5 bilhões de litros. Etanol de milho x etanol de cana A produção de etanol de milho possui algumas particularidades quando comparada à produção a partir da cana-de-açúcar. No caso do milho, é preciso utilizar enzimas para facilitar a quebra das grandes moléculas de amido e, por isso, são necessárias mais etapas até o produto final.

Consequentemente, o custo de produção do etanol de milho é maior que o da cana, de R$ 1,23 ante a R$ 1,13 por litro em 2018, segundo o Instituo de Economia Agrícola (IEA). Outras vantagens englobam a produção de etanol de milho: – Enquanto uma tonelada de cana-de-açúcar pode gerar em torno de 70 a 85 litros de etanol, uma tonelada de milho produz cerca de 400 litros. – Os grãos de milho podem ser armazenados, minimizando os efeitos da entressafra da cana no fornecimento do biocombustível em âmbito nacional. – As usinas obtêm renda adicional dos subprodutos gerados na produção de etanol, como o óleo bruto e os grãos de destilaria (DDG e WDG), de alto valor agregado.

O rendimento médio é 380 kg de DDG para cada tonelada de milho. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o DDG é comercializado entre R$ 400,00 e R$ 650,00 por tonelada, sem o frete. A variação é em função do valor nutricional (proteínas e fibras), que no caso da proteína pode variar de 25% a 32%. Já o WDG possui valor de mercado mais baixo, devido à concentração de água no produto. A cotação varia de R$ 130,00 a R$ 200,00 a tonelada, sem o frete. Utilização dos grãos de destilaria na alimentação de bovinos.

Como mencionamos anteriormente, o DDG e o WDG são resíduos da produção do etanol de milho e podem ser utilizados como fonte de energia e proteína para bovinos, dependendo dos níveis de inclusão. A composição dos grãos de destilaria, como também são conhecidos, varia muito, e na literatura são encontrados diversos teores de nutrientes na sua composição.

Em linhas gerais, o WDG pode apresentar, em média, 30% de MS (matéria seca), 10% de EE (extrato etéreo), 40% de FDN (fibra em detergente neutro) e 32% de PB (proteína bruta). As concentrações de proteína, gordura, fibra e P (fósforo) são três vezes maiores nos grãos de destilaria em comparação com o milho, de acordo com um trabalho de KLOPFENSTEIN et al 2008. Já o DDG pode apresentar de 88% a 90% no conteúdo de MS, 25% a 32% de PB, 43% a 53% de PDR (proteína degradável no rúmen), 47% a 57% de PNDR (proteína não degradável no rúmen), 39% a 45% de FDN, 8,8% a 12,4% de lipídios e 85% a 90% de NDT (nutrientes digestíveis totais), segundo TJARDES & WRIGHT (2002).

Além disso, o subproduto também é boa fonte de energia proveniente dos lipídios e pode substituir parte do milho utilizado na ração dos animais, minimizando problemas com acidose (doença metabólica causada pela ingestão de grãos ou outros alimentos altamente fermentáveis em grandes quantidades) nos confinamentos. O nível de inclusão nas dietas é muito estudado e na literatura podem ser encontrados que níveis acima de 30% não são recomendados, devido à diminuição drástica do consumo de matéria seca pelos animais, comprometendo o ganho de peso médio diário.

Expectativas positivas

Os grãos de destilaria como fonte de alimentos para os bovinos são uma excelente estratégia para diminuição de custos no confinamento, visto que podem substituir o milho e a soja. Seus preços podem variar de 31,8% a 63,6% em relação à soja (farelo), segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria. Para 2019, a maior produção de milho prevista no Brasil é um fator que deverá manter os preços do cereal em patamares mais baixos em relação a 2018. Dessa forma, a produção de etanol a partir do cereal deverá ser viável.

Autora: Letícia Vecchi – Zootecnista

http://pastoextraordinario.com.br/subprodutos-do-etanol-de-milho/

O que são DDG e WDG?

DDG e WDG são nomes usados para os grãos de destilaria que permanecem depois que o amido do milho é fermentado para produzir etanol. A diferença mais evidente entre eles é a quantidade de água. O DDG passa por secagem e pode ser armazenado e transportado com mais facilidade. O WDG conserva umidade e, por isso, exige planejamento logístico e uso mais rápido ou uma forma adequada de conservação.

Embora sejam originados do mesmo processo, esses ingredientes não devem ser tratados como produtos idênticos. A matéria-prima, a eficiência da retirada do amido, a separação do óleo, a secagem e o armazenamento influenciam o resultado final. Por essa razão, a análise do lote é uma etapa importante antes de formular a dieta.

Por que os grãos de destilaria podem reduzir o custo?

O valor econômico dos subprodutos depende de uma comparação completa, e não apenas do preço por tonelada. É necessário considerar matéria seca, concentração de proteína, energia, fibra, minerais, frete, perdas e disponibilidade local. Um ingrediente aparentemente barato pode perder vantagem quando contém muita água ou precisa percorrer longas distâncias.

Quando o DDG ou o WDG está disponível perto do confinamento, ele pode complementar a oferta de proteína e energia da dieta. Isso abre espaço para substituir parte de ingredientes tradicionais, como farelo de soja e milho, desde que a formulação preserve o equilíbrio nutricional. A oportunidade tende a ser mais interessante em regiões próximas às usinas ou em períodos de oferta regular.

Como avaliar a qualidade do produto

A avaliação começa pela identificação do produto e pela conferência da matéria seca. No WDG, pequenas variações de umidade alteram bastante a quantidade efetivamente entregue de nutrientes. No DDG, a uniformidade da secagem e a presença de partículas muito finas ou empedradas ajudam a indicar problemas de processo ou estocagem.

Itens que merecem atenção

O produtor deve solicitar uma análise laboratorial representativa do lote, observar cor, odor, fluidez e sinais de aquecimento ou mofo. Também convém verificar proteína bruta, fibra, gordura, minerais e energia conforme a necessidade da formulação. A amostra precisa representar o carregamento, pois a composição pode variar entre lotes e até dentro do mesmo estoque.

O controle de recebimento, a cobertura contra chuva e a limpeza dos equipamentos contribuem para preservar a qualidade. No caso do WDG, a distância até a usina, a frequência de entrega e a capacidade de consumo diário são decisivas para evitar deterioração.

Inclusão na dieta exige planejamento

A inclusão deve ser definida por nutricionista ou zootecnista, considerando categoria animal, fase de produção, objetivo de ganho, volumoso e demais ingredientes. A adaptação gradual ajuda o rebanho a se acostumar ao novo perfil de sabor, fibra, gordura e fermentação. Também é necessário acompanhar consumo, escore de fezes, comportamento no cocho e desempenho.

Não existe uma taxa universal que sirva para todas as propriedades. O limite prático depende da composição do lote e do restante da dieta. Excesso de gordura, fósforo ou determinados minerais pode desequilibrar a formulação, enquanto fibra e umidade alteram o volume e a estabilidade da mistura. O custo por unidade de proteína ou energia é uma métrica mais útil que o preço nominal.

Logística: DDG seco e WDG úmido

O DDG oferece maior flexibilidade de estoque porque sua baixa umidade reduz o risco de deterioração quando é armazenado corretamente. Ainda assim, o galpão precisa ser ventilado, protegido e organizado para impedir contato com água. A movimentação deve evitar segregação de partículas, especialmente quando o produto será misturado a outros ingredientes.

O WDG pode ter vantagem de preço na origem, mas sua umidade torna o transporte e o giro mais exigentes. Antes da compra, é prudente estimar o consumo do rebanho, a capacidade de descarga e a regularidade dos caminhões. Uma boa negociação considera frete, prazo, qualidade garantida e procedimento para rejeitar cargas fora do padrão.

Riscos e cuidados na formulação

A substituição parcial de farelo de soja ou milho precisa respeitar a função de cada ingrediente. Proteína bruta não descreve sozinha o aproveitamento no rúmen, e a energia disponível também varia. A dieta deve ser balanceada para proteína degradável, proteína não degradável, fibra efetiva, amido, gordura e minerais, com atenção especial ao fósforo.

O acompanhamento frequente permite corrigir a formulação quando o lote muda. Registros de consumo e desempenho ajudam a separar uma economia real de uma falsa vantagem causada por menor ingestão ou queda de ganho. Em caso de dúvida sobre mofo, aquecimento, odor estranho ou contaminação, o lote deve ser isolado e avaliado tecnicamente.

Uma decisão econômica e nutricional

Os subprodutos do etanol de milho podem aproximar a indústria de biocombustíveis da pecuária e criar valor para a cadeia do milho. Para o confinador, a oportunidade está em comprar um ingrediente competitivo, conhecer sua composição e incorporá-lo com precisão. Para a usina, consistência, rastreabilidade e informação nutricional são fatores que ampliam a confiança do mercado.

Em resumo, DDG e WDG não são soluções automáticas, mas ferramentas úteis dentro de um programa de nutrição bem acompanhado. A melhor escolha combina análise do lote, custo posto na fazenda, disponibilidade, estrutura de armazenamento e orientação profissional. Para aprofundar temas relacionados à produção rural, consulte também o conteúdo de gestão e produção do portal.

Suplementação nutricional na seca: como o PEDDG entra no planejamento da pecuária

A suplementação nutricional é uma ferramenta de planejamento para atravessar a época de seca com mais previsibilidade. Quando o pasto perde qualidade e disponibilidade, o produtor precisa observar o consumo, a condição dos animais, a água e a oferta de forragem antes de definir qualquer ajuste na dieta. Neste artigo, o PEDDG é apresentado como uma alternativa de ração peletizada para sistemas de pasto, semiconfinamento ou confinamento, sempre com adaptação e orientação técnica compatíveis com o rebanho.

Por que a seca exige mais atenção à dieta

O período seco costuma alterar a quantidade e o valor nutritivo da forragem disponível. A planta pode apresentar menor proporção de folhas e maior presença de material fibroso, o que torna especialmente importante acompanhar a digestibilidade e o consumo. Não basta observar a cor do pasto: lotação, altura, acesso ao cocho, qualidade da água, categoria animal e histórico de desempenho também influenciam o resultado.

O objetivo da suplementação não deve ser tratado como uma promessa automática de ganho. Ela precisa complementar o que o pasto oferece e fazer parte de um plano que considere custo, logística, mão de obra e metas realistas. Em caso de dúvida, uma análise de forragem e a avaliação de um profissional habilitado ajudam a evitar excesso, falta ou mudança brusca no fornecimento.

O que observar antes de suplementar

Forragem, água e acesso

Antes de iniciar, o produtor pode registrar a condição do pasto, a disponibilidade de cocho e a distância que os animais percorrem até a água. Cochos insuficientes favorecem competição e consumo irregular. Água limpa e acessível é parte da dieta, não um detalhe separado, porque o consumo de matéria seca e o conforto térmico dependem de hidratação adequada.

Categoria e objetivo do lote

Gado em gestação, animais em crescimento, recria e terminação têm necessidades diferentes. O plano também muda quando a intenção é preservar condição corporal, sustentar ganho, acelerar a recria ou preparar o lote para acabamento. Por isso, uma taxa de fornecimento citada para uma categoria não deve ser transferida automaticamente para outra.

Como o PEDDG é descrito no material original

O texto-base descreve o PEDDG como uma ração peletizada de dieta total com DDG de milho, farelo de amendoim, leveduras, ionóforos, simbióticos, adsorventes, vitaminas A, E e D e núcleo completo de minerais peletizados. Também menciona fibras, minerais, vitaminas, proteínas, energia, prebióticos e probióticos vivos. Essas informações devem ser conferidas no rótulo, na ficha técnica e nas condições de registro e uso aplicáveis ao produto comercializado.

Na prática, o produtor deve confirmar lote, composição, validade, armazenamento e recomendação de uso antes de comprar ou distribuir a ração. A forma peletizada pode facilitar o manejo e a uniformidade do fornecimento, mas não elimina a necessidade de acompanhar sobra, consumo, comportamento e resposta dos animais. O resultado de uma fazenda não deve ser apresentado como garantia para todas as propriedades.

Adaptação e rotina de fornecimento

A adaptação gradual é uma medida prudente sempre que uma nova dieta concentrada é introduzida. O cocho precisa estar limpo, protegido de chuva quando necessário e dimensionado para reduzir disputa. Nos primeiros dias, vale acompanhar se todos os animais chegam ao alimento, se há rejeição, empanzinamento, fezes muito alteradas ou queda de consumo. Qualquer sinal clínico exige avaliação veterinária.

O material original cita, para gado de corte em gestação a pasto, uma referência de 0,7% do peso vivo por animal ao dia na primeira semana e 1,2% depois. Esses números são parte do conteúdo fornecido pelo anunciante e não substituem uma recomendação individual. Peso, escore corporal, qualidade do pasto, composição do produto e objetivo do sistema podem exigir outro manejo. A alteração deve ser feita com acompanhamento técnico e medição do consumo real.

Suplementação em pasto e semiconfinamento

Em sistemas de pastagem, a ração pode ser usada para complementar nutrientes quando a forragem não atende ao objetivo produtivo. O semiconfinamento combina pasto com oferta de concentrado no cocho e, segundo o texto-base, costuma trabalhar com uma faixa de 1% a 2% do peso vivo. Essa faixa é apenas uma descrição geral do sistema; a formulação, o manejo e a resposta precisam ser ajustados ao lote.

A decisão de adotar semiconfinamento envolve mais do que a quantidade de ração. O produtor deve calcular disponibilidade de área, capacidade de cocho, frequência de abastecimento, custo do concentrado, preço esperado do boi e risco climático. Também é importante definir como será feita a leitura de desempenho: pesagens, escore corporal, consumo estimado e registros sanitários tornam a decisão mais objetiva.

Recria, terminação e diferentes aditivos

O artigo original menciona produtos comerciais associados à formulação e cita V-MAX 50® VIRGINIAMICINA VM, da PHIBRO®, e ZIMPROVA® NARASINA, da ELANCO®. Como nomes, indicações e regras de uso dependem do produto registrado e da legislação vigente, qualquer decisão deve partir da bula, do rótulo e da orientação do responsável técnico. Não é prudente comparar desempenho ou declarar superioridade sem ensaio, contexto e dados verificáveis.

O mesmo cuidado vale para as referências a controle de parasitas internos e externos. A descrição comercial de tecnologia não substitui um programa sanitário, diagnóstico e tratamento adequado. Carrapatos, mosca-dos-chifres e bernes podem exigir medidas específicas, e o uso de aditivos deve respeitar carência, indicação e segurança para os animais e para os alimentos.

Indicadores para acompanhar o resultado

Um bom acompanhamento começa antes do primeiro fornecimento. Registre número de animais, categoria, peso ou estimativa consistente, condição corporal, área, disponibilidade de forragem, quantidade distribuída e sobras. Depois, compare a evolução do lote em intervalos definidos. Consumo irregular, cocho vazio por longos períodos ou excesso de sobra podem indicar problema de acesso, palatabilidade, dimensionamento ou ajuste da dieta.

Também convém separar efeito da suplementação de outros fatores. Chuva, temperatura, sanidade, genética, manejo do pasto e mudança de lotação interferem na resposta. Em vez de atribuir todo ganho ao produto, o produtor pode comparar registros, custos por animal e margem do sistema. Essa leitura ajuda a decidir se o PEDDG faz sentido para aquela fazenda na próxima seca.

Cuidados de segurança, armazenamento e responsabilidade

A ração deve ser armazenada em local seco, ventilado e protegido de contaminantes, seguindo as instruções do fabricante. Sacos ou bags danificados, produto úmido, mofo, odor estranho e presença de pragas são sinais para interromper o uso e solicitar avaliação. A mistura com outros ingredientes só deve ocorrer quando prevista e tecnicamente indicada.

O planejamento também inclui segurança dos trabalhadores, controle de acesso ao cocho e descarte correto de embalagens. O produtor deve manter registros de compra, lote, quantidade fornecida e orientação recebida. Em sistemas que utilizam medicamentos ou aditivos, cumprir as exigências de uso responsável protege o rebanho, o consumidor e a reputação da cadeia da carne.

Como transformar a seca em um plano de manejo

Uma sequência simples pode ajudar: avaliar o pasto, separar os lotes por categoria, conferir água e cochos, calcular o custo da dieta, definir a adaptação, registrar o consumo e revisar o plano com base nos indicadores. O PEDDG pode ser considerado dentro dessa rotina, desde que sua composição e indicação sejam confirmadas e que a taxa de fornecimento seja adequada ao sistema.

O conteúdo comercial e técnico sobre o produto está disponível na página da Agro2Business. Para ampliar canais de compra e venda de resíduos e subprodutos, o produtor também pode consultar o marketplace da Agro2Business. A escolha final deve combinar informação do fornecedor com avaliação independente da fazenda.

A proximidade dos meses mais secos e frios traz aos pecuaristas produtores a necessidade de planejar a dieta do rebanho para evitar perder os ganhos de desempenho dos animais conquistados nos meses mais chuvosos. No período de estiagem, quando os pastos passam a não apresentar níveis satisfatórios de proteína, vitaminas e minerais, recomenda-se aos produtores fornecer uma suplementação nutricional aos bovinos para manter positivos os índices zootécnicos e, consequentemente, a produtividade e a rentabilidade da fazenda. “Sem o balanço de consumo proteico e energético adequado para a boa digestibilidade do pasto, o boi perde boa parte do peso ganho no período de águas”, pontua o zootecnista Luciano Morgan, gerente de categoria Bovinos de Corte da área de Ruminantes da DSM.

Alinhada aos principais desafios da pecuária, a EcobioAgroNutri, responsável pela ração peletizada de Dieta total PEDDG a base de DDG de milho,  farelo de amendoim, leveduras, ionóforos, simbióticos, adsorventes, vitaminas A.E.D + núcleo completo de minerais peletizados, que contribuem para melhorar o desempenho dos bovinos. Contém alta técnologia que fornece a composição adequada de fibras, minerais, vitaminas, proteínas, energias, prebióticos e probióticos vivos para engorda acelerada de bovinos. O foco em levar inovações para aos clientes trouxe tecnologia ENDO ECTO a ração PEDDG, a qual forncece controle homeopático contra parasitas internos e externos, sendo então solução eficaz no combate de mosca do chifre, carrapatos e bernes em bovinos.

Para os pecuaristas que produzem bovinos de corte em sistemas de pasto, a suplementação nutricional dos animais ajuda a manter os resultados positivos tanto na época de águas como em seca. Uma recomendação do modo de utilizar o PEDDG seria :-Gado de corte em gestação a pasto, primeira semana fornecer 0,7% do peso vivo do animal/dia. Após a primeira semana subir o fornecimento para 1,2% do peso vivo do animal/dia;

O fornecimento de nutrientes que contribuem para melhorar os índices zootécnicos evitam o risco de perda de peso do rebanho. Para esse sistema no atual momento de transição, em que os pecuaristas começam a se preparar para o período de seca, a equipe da EcoBioAgroNutri em trabalho com a equipe Agro2Business está a disposição para auxiliar os pecuaristas na adaptação do PEDDG de acordo com o regime adotado.

Entre os produtos da ração PEDDG indicados para suplementar o rebanho no período de seca, destaque para o V-MAX 50 ® VIRGINIAMICINA VM da PHIBRO ®, indicado para bovinos de corte em crescimento produzidos em sistemas de pastagem em período seco, permitindo bom desempenho dos animais mesmo com a queda de qualidade dos pastos. E para os bovinos na fase de terminação ou recria mais acelerada, a recomendação é o ZIMPROVA ® NARASINA da ELANCO ®, (Maior resultado que RUMENSIN /BOVENSIN – MONENSINA SÓDICA), indicado para bovinos em crescimento e em engorda produzidos preferencialmente em pastagens com adequada disponibilidade e que, como diferencial, otimiza o desempenho dos animais.

Para intensificar a produção em sistemas de pastagem, uma opção cada vez mais utilizada pelos pecuaristas brasileiros é o semiconfinamento, considerado um “meio termo” entre o confinamento e a suplementação em pastagens. É um sistema que se baseia em nutrição e engorda em pasto, com fornecimento de ração concentrada em cocho, entre 1% e 2% do peso vivo do animal.


Com 1,2% de consumo do PEDDG ® do peso vivo do animal, é possível manter 1 animal de engorda para cada 1.200m2 de pasto.Isso significa, que em 1 alqueire serão engordados 20 animais , ou seja, 20 animais de engorda por alqueire, 5x mais animais por alqueire que a pecuária extensiva. Aos produtores que optam pelo sistema de confinamento no período de seca, as tecnologias desenvolvidas pelo PEDDG, têm resultados comprovados ao gerar animais pesados e bem-acabados, porém é necessário uma avaliação individual pela nossa equipe sobre o rebanho.

Esses e outros benefícios produtivos são gerados pela associação equilibrada de macro e micronutrientes com os Mmnerais no PEDDG, além de vitaminas e aditivos naturais, como leveduras. Mas há ainda a melhor eficiência alimentar; redução de problemas digestivos, como o timpanismo; rápida adaptação dos animais; aumento do consumo de ração desde os primeiros dias de confinamento; e menor incidência de animais com acidose. “São questões que impactam positivamente toda a cadeia da carne e beneficiam os consumidores”, reforça.

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Bayer anuncia novas vagas de emprego no Brasil

Bayer anuncia novas vagas de emprego

A Bayer anuncia novas vagas de emprego em diferentes localidades do Brasil, com oportunidades distribuídas entre áreas administrativas, técnicas, comerciais, de tecnologia, qualidade, produção e ciências da vida. O conteúdo abaixo reúne as informações disponíveis no anúncio original e ajuda o leitor a entender como consultar os detalhes de cada posição.

Profissionais diversos colaboram em uma mesa com notebook em um ambiente corporativo moderno de ciências da vida
Ambientes multidisciplinares reúnem profissionais de diferentes áreas em empresas de ciências da vida.

O que o anúncio informa

Segundo o texto-base, a companhia abriu 47 oportunidades em unidades localizadas em São Paulo, São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Não-Me-Toque (RS) e Belford Roxo (RJ). Como processos seletivos podem mudar com o tempo, a existência de uma vaga, o prazo de inscrição e os requisitos devem ser confirmados diretamente no portal de carreiras indicado pela empresa.

O anúncio também destaca a continuidade dos processos seletivos em um momento de preocupação com a segurança e o bem-estar de profissionais, clientes e comunidades. Essa informação é contextual e não substitui as orientações oficiais da empresa nem representa uma garantia de contratação.

Por que conferir a localidade da oportunidade

A distribuição das vagas por cidade é um dos pontos mais importantes para quem pretende se candidatar. A localidade pode influenciar o modelo de trabalho, a necessidade de deslocamento, a disponibilidade para viagens e a relação da função com uma unidade específica. Antes de iniciar uma candidatura, vale verificar o endereço ou a região da posição, além das informações sobre jornada e formato de trabalho que estiverem publicadas.

Também é recomendável comparar a descrição da vaga com a própria experiência. Uma mesma área, como compras, vendas ou dados, pode ter responsabilidades diferentes conforme o nível da posição e a operação atendida. Ler o anúncio completo ajuda a evitar candidaturas incompatíveis e permite adaptar o currículo às competências realmente solicitadas.

O destaque para São José dos Campos

São José dos Campos concentra a maior parte das oportunidades mencionadas no anúncio. O texto apresenta a cidade como sede de um Shared Services Center, ou centro de serviços compartilhados, estrutura voltada à execução e à padronização de processos que atendem diferentes áreas ou operações.

Vagas ligadas a compras e finanças

Entre as posições citadas estão funções de Analista de Compras em diferentes níveis, além de atividades relacionadas à área fiscal, contas a pagar e liderança de compras. Para avaliar esse tipo de oportunidade, o candidato deve observar se a descrição exige conhecimento de negociação, relacionamento com fornecedores, análise de contratos, controles financeiros, sistemas corporativos ou gestão de indicadores. Esses requisitos variam conforme a vaga e precisam ser confirmados no anúncio oficial.

O texto-base informa que os interessados poderiam se inscrever até 7 de maio. Como o prazo está vinculado ao anúncio original, é essencial conferir no portal se a oportunidade continua aberta, se houve atualização da data ou se a vaga foi encerrada.

Oportunidades em Uberlândia

Em Uberlândia, o anúncio relaciona posições de engenharia de projetos e especialização em ciência de dados e soluções de dados. São áreas que podem envolver projetos operacionais, análise de informações, construção de soluções, integração entre equipes e suporte à tomada de decisão.

O título da vaga não é suficiente para determinar o perfil procurado. Uma posição de ciência de dados pode exigir formação, programação, estatística ou experiência com ferramentas específicas, enquanto uma função de soluções de dados pode estar mais concentrada em arquitetura, processos, sistemas e relacionamento com áreas de negócio. A descrição publicada pela empresa é a referência adequada para identificar os requisitos.

Vagas em Não-Me-Toque

O anúncio menciona duas oportunidades em Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, para Representante Técnico de Vendas Pleno. Funções desse tipo costumam combinar conhecimento técnico, relacionamento com clientes e atuação comercial, mas as atividades concretas, a área de atendimento e os critérios de experiência devem ser conferidos na página da vaga.

Para posições com atuação externa, é prudente verificar se há exigência de viagens, carteira de habilitação, disponibilidade regional ou familiaridade com determinados produtos e mercados. Essas condições não devem ser presumidas a partir do título e só podem ser consideradas confirmadas quando aparecerem no anúncio oficial.

Oportunidades em Belford Roxo

Em Belford Roxo, o conteúdo original lista funções relacionadas a tecnologia, qualidade, compras, projetos, produção e cadeia de suprimentos. A variedade mostra que uma unidade pode reunir profissionais com formações e trajetórias diferentes, desde áreas de suporte corporativo até atividades mais próximas da operação.

Como interpretar as áreas de produção e supply chain

Supply chain, ou cadeia de suprimentos, envolve o fluxo de materiais, informações e atividades necessárias para que uma operação funcione. Dependendo da posição, isso pode incluir planejamento, abastecimento, compras, logística, controle de qualidade ou projetos de melhoria. Já as funções de qualidade podem se relacionar a processos, documentação, conformidade e acompanhamento de padrões. O escopo exato deve ser analisado na descrição individual da vaga.

Vagas em São Paulo

Na capital paulista, o anúncio apresenta posições ligadas à farmacovigilância, segurança de produtos, vendas técnicas e análise comercial. Farmacovigilância e segurança de produtos são áreas que exigem atenção a informações sobre o uso de produtos, avaliação de relatos e cumprimento de procedimentos aplicáveis. O candidato deve consultar a formação e a experiência exigidas antes de enviar os dados.

As funções comerciais, por sua vez, podem envolver relacionamento com clientes, suporte técnico, planejamento de vendas e acompanhamento de resultados. Como o anúncio reúne níveis e responsabilidades diferentes, não é adequado tratar todas as posições como equivalentes. A candidatura deve ser feita para a vaga cujo perfil esteja alinhado à experiência do profissional.

Como consultar as descrições completas

O anúncio orienta os interessados a acessar o portal de carreiras da Bayer para consultar a descrição das vagas. Na página oficial, o candidato deve procurar a oportunidade por localidade, área ou palavra-chave e conferir os requisitos, o prazo, a documentação e as etapas do processo.

O portal corporativo indicado no conteúdo original é http://www.carreiras.bayer.com.br. Antes de inserir informações pessoais, confirme se o endereço corresponde ao canal oficial da empresa e leia as instruções de privacidade e de candidatura apresentadas na própria plataforma.

Cuidados antes de enviar a candidatura

Uma candidatura mais cuidadosa começa pela leitura integral da vaga. O currículo deve apresentar experiências e competências relacionadas ao cargo, com informações claras sobre formação, idiomas, ferramentas e resultados profissionais quando forem relevantes. Não é necessário incluir dados que não tenham relação com a posição.

Também é importante desconfiar de pedidos de pagamento, compra de cursos obrigatórios ou envio de documentos por canais não indicados no anúncio oficial. Processos seletivos legítimos devem ser acompanhados pelos meios informados pela companhia. Em caso de dúvida, o candidato pode interromper o contato e buscar confirmação no portal de carreiras.

Resumo das oportunidades por cidade

O anúncio original organiza as vagas da seguinte forma: São José dos Campos reúne oportunidades de compras, fiscal, contas a pagar e liderança; Uberlândia concentra engenharia e dados; Não-Me-Toque apresenta posições de representação técnica de vendas; Belford Roxo reúne tecnologia, qualidade, compras e projetos de produção e supply chain; e São Paulo traz funções de farmacovigilância, segurança de produtos, vendas técnicas e análise de vendas.

Essa divisão é útil para uma primeira triagem, mas não substitui a consulta individual de cada vaga. Quantidades, prazos, requisitos e títulos podem ser atualizados pela empresa. Para acompanhar outras oportunidades profissionais, consulte também a seção de empregos e carreiras do site.

Informações do anúncio original

Empresa tem 47 oportunidades em várias localidades 

A Bayer, multinacional alemã com foco em Ciências da Vida, anuncia a abertura de 47 vagas de emprego em suas unidades em São Paulo, São José dos Campos (SP), Uberlândia (MG), Não-Me-Toque (RS) e Belford Roxo (RJ).

“Neste momento, nossa prioridade é proteger a segurança e o bem-estar de nossos profissionais, bem como o das comunidades em que estamos presentes. Seguimos os processos seletivos para manter nosso compromisso com nossos clientes e com a sociedade” afirma Barbara Will, líder de Talent Acquisition no Brasil. “O mundo está atravessando uma crise sem precedentes e entendemos o quanto as oportunidades profissionais podem apoiar a população nesse momento”.

Um dos destaques é o Shared Services Center localizado em São José dos Campo. O primeiro centro regional de serviços compartilhados da Bayer no Brasil, chega ao país para reforçar o compromisso com inovação, trabalhando com processos globais cada vez mais ágeis.

Veja abaixo a lista de vagas abertas da companhia:

32 vagas em São José dos Campos

Entre as vagas, há 12 para Analista I de Compras, 16 para Analista II de Compras, duas para Analista III Fiscal, uma para Analista III de Contas a Pagar e uma para Team Lead Compras. Os interessados podem ser inscrever até o dia 7 de maio.

3 Vagas em Uberlândia

As posições são para 1 para Engenheiro de Projetos Senior, 1 para Especialista em Ciência de Dados e 1 para Especialista em Soluções de Dados.

2 em Não me Toque (RS)

Ambas as vagas são para Representante Técnico Vendas Pleno.

4 vagas em Belford Roxo

São elas, 1 para IT Business Partner – Product Supply, 1 para Especialista em Processos de Qualidade; 1 para Comprador Senior e 1 para Especialista em Projetos para Produção e Supply Chain.

5 vagas em São Paulo

As vagas são para as seguintes posições: 1 para Gerente de Farmacovigilância II; 1 para Especialista em Segurança de Produtos Fámarcos; 1 para Representante Técnico de Vendas Especialista e 1 para Representante Técnico de Vendas e Analista de Vendas II.

Para saber a descrição destas vagas, acesse o portal de carreiras da companhia em http://www.carreiras.bayer.com.br.

O confinamento na pecuária de corte pode ser um aliado para a terminação de bovinos de forma rápida e eficiente. No entanto, é um sistema que requer estrutura apropriada, mão de obra treinada e dieta bem balanceada. Com as margens da atividade cada vez mais apertadas, para o confinamento ser uma alternativa rentável, é necessário que todas as atividades, desde o planejamento do sistema até o embarque dos animais ao frigorífico, sejam realizadas com o máximo de atenção.

Por isso, o zootecnista e supervisor da Minerthal do Tocantins, Julio Cesar de Matos, alerta para o erro mais comum dos produtores: confinar animais de forma repentina, sem o planejamento adequado. “É fundamental ter um plano a seguir. Só assim conseguimos prever a dinâmica e o resultado do confinamento do ano em que ele será realizado e, caso haja a necessidade de efetuar alguns ajustes, teremos tempo suficiente para realizar as alterações ou até mesmo para ajustar o planejamento inicial. Ressalto que em anos com margens menores, a melhoria dos processos provavelmente será decisiva para a obtenção de uma taxa de retorno atrativa”, aponta o especialista.

Um dos fatores fundamentais, segundo ele, são aquisição, colheita, processamento e armazenamento dos alimentos. “Além disso, a construção das instalações, a capacitação da mão de obra e a compra de animais são os maiores desafios da atividade de confinamento. Todos esses fatores requerem uma atenção especial no momento do planejamento, a fim de evitar imprevistos e perdas decorrentes de práticas indevidas”, reforça.

Veja abaixo cinco dicas que podem auxiliar para que o confinamento obtenha sucesso e não cause dor de cabeça e prejuízos ao produtor:

1. Planeje e pesquise a compra dos lotes antecipadamente

Com o conhecimento da capacidade de suporte de animais da estrutura da propriedade, dos objetivos com o confinamento (peso de abate, dias de cocho, ganho de carcaça, lucro por animal etc.) e do capital disponível é possível prever a quantidade de animais e peso médio a serem comprados, caso o produtor não possua os próprios animais.

Esta é uma etapa crucial nesta atividade. Com isso, a orientação é para que se faça um estudo criterioso do mercado a fim de conseguir o melhor preço na compra dos animais, sem deixar para última hora e pagar caro pelo lote.

A compra dos animais representa a maior parcela dos custos de produção do confinamento e, se feita de maneira errada, pode acabar com a possibilidade de lucro.

2. Avalie a qualidade dos animais

Tão importante quanto o preço pago pelos animais é considerar o animal em si. É preciso avaliar a qualidade e o estado nutricional dos animais que entrarão no confinamento e se a genética ajudará no ganho de peso de forma eficiente. E, por fim, analisar o investimento x benefício entre o preço a ser pago e o resultado que o animal poderá trazer.

3. Faça contas na distribuição dos custos do confinamento

A matemática deve ser uma aliada do produtor, de forma cotidiana. Por isso, quando se analisa a composição custos de um confinamento pode-se observar a importância de cada item e qual área o produtor deve concentrar os esforços.

4. Faça a projeção da dieta e compra de insumos

Com a quantidade de animais estabelecida, é preciso partir para outro ponto importante do planejamento: a dieta que será oferecida ao gado confinado. Por isso, conhecer a região onde se encontra a fazenda e ter informação de todos os insumos possíveis de serem comprados, assim como a melhor época de compra de cada um é fator primordial para ter melhor custo de diária do confinamento.

A dieta ideal também deve levar em consideração fatores como o escore dos animais e realidade do mercado nutricional.

Quanto aos animais é preciso estar atento ao peso de entrada, qual a projeção de peso de saída, quantos dias esses animais ficarão confinados, qual o volumoso será ofertado, além de avaliar a possibilidade da ingestão de ração e qual o consumo diário de nutrientes necessários para manutenção e ganho de peso esperado.

Depois, é necessário fazer uma cotação de quais insumos que serão utilizados, verificar disponibilidade e preços de subprodutos na sua região, fazer a compra visando melhor utilização do frete, aproveitando o sistema de bonificações/descontos em pedidos que tenham quantidade mínima. Além disso, o produtor pode avaliar se é possível fechar contratos com fornecedores com o intuito de garantir preços bons e se podem ser feitos contratos de suprimento de insumos para serem entregues no decorrer do confinamento.

5. Avalie a sua estrutura, manejo e treine a equipe!

É preciso avaliar a localização geográfica da propriedade para se planejar quanto às instalações, pela incidência de chuvas, ventos e declividade do terreno.

Um ponto de atenção na estrutura é ter condições de armazenagem de boa quantidade de insumos para o decorrer do confinamento, com objetivo de garantir bons preços na compra.

O local deve ser telado para evitar pássaros e roedores, abrigar os insumos contra chuva, ser seco e ventilado, ter estrados de madeira para colocar as sacarias, ter identificação do estoque, bem como fluxo de entrada e saída de insumos.

Formar e treinar a equipe para entender os manejos que serão necessários é um ponto importante, pois permite ao colaborador entender a importância de sua ação dentro do processo, e não apenas “fazer por fazer”.

Caso tenha rodado confinamento no ano anterior, o produtor deve tentar focar em melhorar em algum manejo que não foi eficiente, por exemplo, escore de cocho.

Como transformar planejamento em rotina de decisão

Um confinamento rentável depende de transformar o planejamento em uma rotina simples de acompanhamento. Antes da entrada dos animais, vale registrar a capacidade real dos currais, as condições de piso e drenagem, a disponibilidade de água, os equipamentos e o calendário de compras. Esse diagnóstico ajuda a separar o que precisa ser corrigido antes do início do ciclo do que pode ser aperfeiçoado durante a operação.

Registre o que acontece no cocho

A leitura do cocho deve fazer parte do trabalho diário. A equipe pode observar sobra, aparência do alimento, comportamento dos animais e alterações provocadas por chuva, calor ou mudança de ingrediente. O objetivo não é seguir uma receita fixa, e sim identificar desvios cedo e comunicar a pessoa responsável pela formulação e pelo manejo. Ajustes devem ser feitos com critério, evitando mudanças bruscas que prejudiquem a adaptação.

Separe custo previsto de custo realizado

Planilhas ou registros de campo devem distinguir a previsão inicial do que efetivamente foi gasto. Inclua aquisição dos animais, frete, insumos, perdas, manutenção, mão de obra, medicamentos quando indicados por profissional habilitado e despesas de comercialização. Essa comparação revela quais decisões alteraram o resultado e permite corrigir a próxima compra. Como preços e condições variam entre regiões e safras, não existe uma margem universal: a análise precisa usar os dados do próprio sistema.

Bem-estar, biossegurança e segurança da equipe

Instalações conservadas, acesso contínuo à água, manejo calmo e observação de sinais de doença são elementos produtivos e também de responsabilidade. A lotação deve ser compatível com a estrutura, e a movimentação deve respeitar os procedimentos definidos para reduzir estresse e acidentes. Em caso de dúvida sobre sanidade, nutrição ou uso de produtos, o produtor deve buscar orientação de médico-veterinário ou zootecnista.

O embarque também faz parte do resultado

O encerramento do ciclo precisa ser planejado com a mesma atenção dedicada à compra. Organize documentos, agenda, equipe, acesso de veículos e comunicação com o frigorífico ou comprador. A conferência dos lotes e o cuidado no embarque ajudam a evitar atrasos, perdas de informação e manejo desnecessário. Depois da saída, reúna os registros do ciclo e faça uma avaliação objetiva: o que funcionou, onde houve desperdício e qual melhoria deve entrar no próximo planejamento.

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*Por outro lado, se o seu negócio utiliza como matérias-primas resíduos e subprodutos de origem agropecuária encontre na Agro2Business uma ampla oferta de itens e fornecedores confiáveis para o seu negócio.  

Transição entre águas e seca: decisões na pecuária

Fase de transição entre águas e seca é período de decisão para pecuaristas

A transição entre águas e seca exige do pecuarista uma leitura cuidadosa do pasto, do rebanho e dos objetivos de produção. Este guia reúne os pontos de atenção do conteúdo original e acrescenta contexto prático para apoiar decisões responsáveis em cada propriedade.

Gado em pastagem que transita do verde para o seco ao fim do período chuvoso
A observação do pasto ajuda a antecipar decisões de manejo na transição entre águas e seca.

A fase de transição entre as águas e a seca é um momento muito importante para a pecuária, já que é neste período que são tomadas decisões que influenciarão todo o ciclo da atividade. Segundo o médico-veterinário e gerente de Tecnologia e Marketing da Connan, Marcio Bonin, a chave para conquistar bons resultados na pecuária é se planejar. O criador deve ter traçada a sua meta para o ano e, dessa forma, tomar as medidas necessárias de acordo com o objetivo de sua propriedade. “Não se decide no caminho aonde se quer chegar. Na atividade é importante que se tenha um objetivo definido e, a partir dele, se planejar”, destaca.

Por ser uma época de pouca chuva e, consequentemente, de queda na produção e na qualidade das forragens, alguns fatores estratégicos podem auxiliar o pecuarista no momento das decisões. Para auxiliar neste processo, o médico-veterinário listou algumas dúvidas comuns dos criadores neste momento de transição e que serão fundamentas nas demais fases da pecuária.

Qual o momento certo para troca do suplemento de chuvas pelo de seca? 

A decisão deve ser tomada durante o primeiro mês do outono. Do meio da estação para frente, a forragem apresenta grande queda de qualidade e, com a troca do suplemento, é possível voltar a embalar os animais e manter o ritmo de ganho de peso no período das águas.

“Decidindo pela troca nesta fase, o animal continua com bom ganho de peso, mesmo com a menor qualidade de forragem. Poucas fazendas adotam essa estratégia, de efetuar a troca com o pasto ainda verde. A maior parte dos pecuaristas opta pela mudança quando o pasto já está mais seco e com isso o animal desacelera muito o ganho de peso, o que leva a menores índices”, explica Bonin.

É viável suplementar na seca? Esse tratamento influencia no desempenho do animal no próximo período de chuvas?

“Com certeza”, ressalta o gerente. Segundo ele, o pecuarista que suplementa adequadamente consegue aproveitar melhor o início do período das águas. “O animal que não recebe um suplemento adequado em proteína nesta época de seca acaba registrando uma mudança em seu metabolismo, pois a menor quantidade de comida ingerida obriga o organismo do bovino a se adaptar com uma ingestão menor de calorias por dia, o que ocasiona a redução geral do metabolismo”, explica.

Com essa redução do metabolismo, o animal chega na fase das águas com baixa capacidade de aproveitar o bom alimento e assim expressar o seu melhor potencial em ganho de peso. Desta forma existe um grande prejuízo para o pecuarista, pois o animal vai ganhar muito menos peso do que deveria na melhor fase das pastagens, atrasando o ciclo de produção e tornando mais caro o custo de produção da arroba.

“Por isso reforço a importância do planejamento da propriedade. Sabendo qual é a meta para o ano, fica mais fácil definir os investimentos para cada época. Com os objetivos bem determinados, o pecuarista pode investir melhor na suplementação nas águas e ser mais certeiro na escolha do suplemento que dará ao rebanho no período de seca”, destaca Bonin. 

Quanto devo investir na suplementação de seca e quais critérios devo seguir? 

Para responder esta questão é importante que se tenha o conhecimento do prazo de validade dos animais que estão na fazenda, ou seja, que se conheça a data para o abate, e com isso, definir o quanto investir com suplementação em cada fase. Bonin ainda acrescenta que é importante conhecer as condições de pastagem da propriedade, para que o cálculo mostre o nível de consumo de suplemento que deve ser adquirido.

“Se a lição de casa foi bem feita no período das águas, o rebanho entrará bem nas secas, dessa forma o investimento em suplemento será mais leve. Mas se os animais não chegam em boas condições na fase com menos chuva, o pecuarista terá que desembolsar mais com suplementação”, pontua.

Será que minha fazenda vai suportar o rebanho atual durante todo o período de seca?

Para responder esta pergunta é necessário que o pecuarista conheça o quanto de pasto possui e quanto ele suportará em termos de quantidade de animais durante a seca. “Voltamos a falar sobre planejamento. O pecuarista que conhece a realidade de sua fazenda consegue ter mais certezas nos momentos de tomada de decisão. Só conhecendo o estoque de pastagem ele vai conseguir determinar se os pastos serão suficientes ou se será necessário partir para outras estratégias, como o confinamento ou mesmo se será necessário vender alguns animais”, enfatiza Bonin. 

Quando devo vedar as pastagens e qual o melhor capim para a seca?

A vedação de pastagem, que consiste em selecionar algumas áreas de pasto da fazenda e impedir, temporariamente, o acesso dos animais deve ser feita em até 60 dias antes do período de corte das chuvas. “É importante destacar que o período de vedação pode variar de acordo com as características de cada fazenda, mas o objetivo é acumular massa para consumo dos animais no período seco”, informa o médico-veterinário.

A escolha do tipo de pastagem depende da definição de qual categoria fará a sua utilização (cria, recria, engorda ou silagem). Outro fator importante é levar em consideração o clima da região e suas particularidades. No Brasil, a Brachiaria é o gênero mais comum e a que oferece mais condições de nutrição para o gado na seca, pois possui boa quantidade de folhas e menos talos.

Até quando consigo terminar a boiada a pasto? Como fazer e quais os principais cuidados? 

Segundo o gerente da Connan, se trabalhar o modelo convencional, com a nutrição da boiada com pasto e suplementação, pode iniciar a terminação dos animais até 90 dias antes do tradicional corte da chuvas.

Para estender a utilização das pastagens para terminação dos animais mesmo em período seco, recomenda-se a técnica da Terminação Intensiva a Pasto (TIP), um modelo vantajoso, pois dá previsibilidade de abate ao pecuarista, possibilitando que se desenvolva um programa nutricional tanto para as águas quanto para as secas, permitindo abater seus diversos lotes com maior homogeneidade. A TIP facilita também a extensão do prazo de abate sem a necessidade de se investir em uma estrutura de confinamento.

“Em ambos os casos é importante a escolha de um suplemento de qualidade e que acrescente nutrientes à alimentação da boiada”, acrescenta Bonin.

A Connan possui em seu portfólio o Termina-Fácil, um núcleo completo com minerais e proteínas, além de uma combinação de aditivos que devem ser misturados com farelos energéticos. Experimentos promovidos pela empresa, em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), mostraram que os animais ganharam mais peso e mais carcaça, apresentando rendimento de ganho em torno de 75%, ou seja, de cada kg de peso vivo ganho pelos animais, 750 g foi em carcaça.

“O tratamento dos animais com o Termina-Fácil permite a deposição de gordura de acabamento e aumento do ganho em carcaça em qualquer época do ano, sem a necessidade de fechar os animais em confinamento, oferecendo economia com uma tecnologia acessível aos pecuaristas”, finaliza Bonin. 

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*Por outro lado, se o seu negócio utiliza como matérias-primas resíduos e subprodutos de origem agropecuária encontre na Agro2business  uma ampla oferta de itens e fornecedores confiáveis para o seu negócio. 

Como transformar observação em planejamento

O planejamento começa antes de a pastagem perder vigor. O primeiro passo é reunir informações que já existem na fazenda: calendário de chuvas, histórico de uso dos piquetes, categoria dos animais, previsão de abate, disponibilidade de água e quantidade de insumos armazenados. A leitura conjunta desses dados ajuda a identificar quais lotes precisam de prioridade e quais áreas devem descansar.

Defina metas por lote

Uma meta útil precisa estar ligada a uma decisão concreta, como preservar uma categoria, terminar animais em determinada janela ou reduzir a pressão sobre uma área. Separar o rebanho por fase de produção evita que todos os animais recebam o mesmo manejo quando suas exigências são diferentes. Pesagens periódicas, avaliação visual e registros de consumo dão mais segurança para ajustar o plano.

O que observar no pasto antes da seca

Não basta olhar apenas a cor da forragem. O produtor deve observar a presença de folhas, a altura do capim, a cobertura do solo, sinais de pastejo excessivo e a distribuição dos animais. A condição varia entre talhões, por isso uma vistoria por área é mais informativa do que uma impressão geral da fazenda. Quando possível, o acompanhamento deve ser feito com apoio de um profissional de assistência técnica.

Água, sombra e acesso

Estruturas simples também influenciam o aproveitamento do pasto. Bebedouros limpos, acesso sem excesso de lama e oferta de sombra contribuem para o conforto e para a regularidade do consumo. Na seca, qualquer dificuldade de acesso pode concentrar o gado em determinados pontos e acelerar a degradação local.

Suplementação precisa acompanhar o objetivo

Suplemento não substitui o diagnóstico da fazenda. Sua composição e seu nível de fornecimento precisam considerar a qualidade do volumoso, a categoria animal, o peso, a meta de desempenho e o custo por unidade produzida. Mudanças devem ser graduais e acompanhadas, sempre respeitando o rótulo do produto e as orientações de um nutricionista ou médico-veterinário.

Também é prudente conferir cochos, armazenamento e regularidade de oferta. Um produto adequado perde eficiência quando há umidade, competição excessiva entre animais ou interrupções frequentes. O registro diário do fornecimento e a observação do comportamento do lote ajudam a detectar desvios cedo.

Vedação e rotação exigem calendário local

A vedação deve ser planejada conforme o regime de chuvas, o tipo de capim e a finalidade da área. O prazo citado no conteúdo original é uma referência de manejo, não uma regra universal. O momento correto depende da capacidade de rebrota e do volume de massa que se pretende reservar. A rotação entre piquetes pode distribuir melhor a oferta, mas precisa ser compatível com cercas, água e mão de obra disponíveis.

Como decidir entre pasto, TIP e confinamento

A escolha do sistema deve combinar o estoque de forragem, a estrutura, o fluxo de caixa, a data desejada de abate e a capacidade de acompanhamento. A terminação intensiva a pasto pode ampliar as alternativas de manejo, enquanto o confinamento demanda estrutura, logística de alimentação e controle de custos. Não há solução única: a decisão mais segura é a que cabe na realidade da propriedade e pode ser executada com consistência.

Indicadores simples para acompanhar o ciclo

O produtor pode acompanhar evolução de peso, escore corporal, consumo estimado, condição dos piquetes, mortalidade, incidência de problemas sanitários e custo de alimentação. Esses indicadores não precisam ser complexos para serem úteis. O importante é registrar datas, comparar lotes semelhantes e relacionar o resultado ao manejo adotado.

Revisões devem ser periódicas

O plano de transição deve ser revisado quando o clima mudar, quando a disponibilidade de pasto ficar diferente da esperada ou quando os animais não responderem como previsto. Uma revisão antecipada permite corrigir lotação, remanejar lotes, comprar insumos com mais critério ou negociar a venda antes de uma decisão tomada sob pressão.

Decisão técnica começa com informação da propriedade

A transição entre águas e seca é uma janela de organização. Ao conhecer a pastagem, definir prioridades, cuidar da infraestrutura e usar a suplementação de forma orientada, o pecuarista reduz improvisos e preserva opções para o restante do ciclo. As recomendações devem ser adaptadas à região e validadas por assistência técnica, porque clima, solo, forrageira e mercado mudam de uma fazenda para outra.

ABRA garante oferta de gordura animal durante a pandemia da covid-19

A gordura animal ocupou um lugar estratégico na cadeia de abastecimento brasileira durante a pandemia da covid-19. O insumo podia seguir para a produção de biodiesel ou para a fabricação de sabões, saneantes e outros produtos de higiene. Neste contexto, a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) procurou esclarecer à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) que a oferta não deveria sofrer uma interrupção abrupta.

Trabalhador em unidade industrial inspeciona tanques com gordura animal processada

Mesmo em meio à toda turbulência causada pelo coronavírus não há risco de que falte gordura animal no mercado brasileiro. Seja para o mercado de biodiesel seja para o de produtos de higiene e limpeza. Quem garante é a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) num ofício enviado na semana passada à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A manifestação procura responder a um questionamento que havia sido feito à agência reguladora pela Associação Brasileiro das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e Uso Profissional (Abipla).

Entre grupos do setor de biodiesel chegou a circular a ideia de que as usinas de biodiesel reduzissem voluntariamente o uso de gorduras animais de forma garantir maior disponibilidade do insumo para a produção de sabões e outros produtos de limpeza necessários ao enfrentamento da pandemia.

A ABRA, no entanto, ressalta que a oferta de gordura animal não deverá ser afetada de forma mais substancial pelo combate ao novo coronavírus. “Destaca-se que não é esperada redução drástica na produção de gorduras de origem animal durante o período de combate ao novo coronavírus”, diz a nota da associação lembrando que as empresas ligadas à cadeia de produção de carnes estão incluídas entre as atividades essenciais listadas no Decreto Presidencial 10.282/2020.

Além disso, a nota pondera que a própria natureza da crise já tem se encarregado de direcionar uma parcela maior da gordura animal disponível para o mercado de higiene e limpeza uma vez que as políticas de quarentena adotados por estados e município vem reduzindo o consumo de diesel e, consequentemente, de biodiesel. Das 1.900 milhares de toneladas de gordura animal que foram produzidas no Brasil no ano passado, cerca de 705 mil toneladas foram para o setor de biodiesel e 520 para a indústria de higiene e limpeza.

Por que a gordura animal ganhou relevância

A gordura animal é um subproduto que pode ser recuperado, tratado e direcionado a diferentes aplicações industriais. Esse aproveitamento reduz desperdícios e conecta estabelecimentos de origem animal a cadeias que precisam de matérias-primas com especificações próprias. O resultado depende de coleta, processamento, armazenamento e transporte compatíveis com as exigências de cada comprador.

Em momentos de instabilidade, a importância desse fluxo fica mais evidente. A discussão não envolve apenas o volume produzido, mas também a capacidade de manter as operações funcionando, cumprir requisitos sanitários e fazer com que o produto chegue ao destino correto. A cadeia de reciclagem animal, portanto, atua como uma ponte entre a indústria de carnes e os setores de energia e limpeza.

O esclarecimento apresentado pela ABRA

O ofício mencionado no texto tinha uma função objetiva: responder à preocupação de que a demanda por produtos de higiene pudesse criar uma falta de gordura animal para o biodiesel. A posição da associação foi que a produção ligada à cadeia de carnes continuaria operando dentro do enquadramento das atividades essenciais citado no documento.

É importante ler essa manifestação em seu contexto temporal. Ela expressa uma avaliação feita no início da crise sanitária, quando governos, empresas e entidades setoriais tentavam antecipar gargalos. A garantia apresentada pela ABRA não elimina a necessidade de monitorar logística, contratos, preços, qualidade e eventuais restrições regionais. Ela indica, sobretudo, que a origem do insumo permanecia ativa e que havia alternativas de direcionamento.

Do subproduto à matéria-prima industrial

O aproveitamento começa na geração do resíduo e continua em várias etapas. O material precisa ser separado, recolhido e encaminhado para unidades capazes de fazer o processamento adequado. Depois, características como origem, umidade, acidez, estabilidade e condições de conservação ajudam a determinar sua utilização.

Rastreabilidade e qualidade fazem diferença

Para o fornecedor, registrar a origem e as condições de entrega facilita a negociação e dá previsibilidade ao comprador. Para a indústria, receber um insumo padronizado reduz incertezas na formulação e no planejamento. Por isso, a comercialização não deve ser vista apenas como uma venda pontual: ela envolve especificação técnica, regularidade, documentação e confiança entre as partes.

O possível redirecionamento para higiene e limpeza

A pandemia elevou a atenção sobre itens de limpeza e saneamento. Quando uma parcela da atividade econômica diminui, outras necessidades podem ganhar prioridade. No caso descrito pela ABRA, a retração do consumo de diesel e biodiesel durante as medidas de quarentena poderia liberar parte da gordura animal para aplicações relacionadas à higiene.

Esse movimento é melhor compreendido como um ajuste de alocação. A mesma cadeia pode atender mercados diferentes, desde que o produto tenha as características requeridas e que o transporte seja viável. A migração de volumes não acontece automaticamente: depende de contratos, capacidade industrial, especificações e decisões dos agentes responsáveis pela compra e pelo processamento.

Biodiesel e higiene: mercados conectados

O caso também mostra como energia e produtos de limpeza podem compartilhar uma base de matérias-primas. O biodiesel utiliza insumos que precisam ser processados e transformados segundo padrões próprios. A indústria de higiene e limpeza também depende de ingredientes e componentes compatíveis com suas formulações. Em ambos os casos, a previsibilidade da oferta ajuda a reduzir interrupções.

Essa conexão torna o planejamento mais relevante. Uma usina pode rever a combinação de insumos; um fabricante pode avaliar alternativas aprovadas para sua formulação; e um fornecedor pode buscar compradores em mais de um segmento. Nenhuma dessas escolhas deve ignorar a qualidade ou a regulamentação, mas a diversificação de destinos pode aumentar a resiliência comercial.

O papel da regulação na continuidade do abastecimento

A ANP aparece no texto porque participa do ambiente regulatório relacionado aos combustíveis. Em crises, a comunicação entre entidades setoriais e órgãos públicos ajuda a transformar dúvidas em informações para o mercado. O diálogo não substitui normas ou fiscalização, mas pode melhorar a coordenação e evitar decisões baseadas apenas em rumores.

Também é prudente separar uma declaração institucional de uma previsão universal. A disponibilidade nacional pode coexistir com desafios locais de frete, armazenamento ou acesso a fornecedores. Assim, empresas que dependem de gordura animal devem acompanhar seus próprios estoques, fornecedores homologados, prazos de entrega e planos de contingência.

Logística e contratos em períodos de crise

A continuidade da produção não garante, sozinha, que o produto estará no lugar certo. Restrições de circulação, mudanças de turno, menor disponibilidade de transportadores e alterações na demanda podem afetar o fluxo. Uma gestão cuidadosa considera rotas alternativas, pontos de recebimento, capacidade de armazenagem e comunicação rápida com parceiros.

Contratos claros ajudam a reduzir conflitos. Eles podem definir especificações, tolerâncias, frequência de coleta, responsabilidades pelo transporte, critérios de aceitação e procedimentos para divergências. Quanto mais sensível for a aplicação final, maior a importância de alinhar os requisitos antes do embarque.

Oportunidades para a cadeia agropecuária

Para quem gera resíduos e subprodutos de origem agropecuária, a principal oportunidade está em transformar um material de baixo aproveitamento em uma fonte de receita organizada. Isso exige separar corretamente os fluxos, conhecer a qualidade disponível e apresentar informações que permitam ao comprador avaliar o produto.

Para quem compra, ampliar a rede de fornecedores pode trazer flexibilidade, mas a busca deve ser acompanhada por critérios técnicos e comerciais. Preço é apenas uma parte da decisão. Regularidade, conformidade, distância, prazo e capacidade de atendimento também influenciam o custo total e a segurança da operação.

O que permanece como aprendizado

O episódio reforça que cadeias circulares têm valor estratégico quando conectam resíduos, indústria e necessidades essenciais. A gordura animal não é apenas um descarte a ser removido: quando corretamente processada, pode participar de diferentes cadeias produtivas. Em situações de crise, essa versatilidade pode apoiar ajustes de mercado e reduzir a pressão sobre um único canal de demanda.

O aprendizado vale para outros períodos de incerteza. Mapear subprodutos, manter registros, construir relacionamentos comerciais e acompanhar mudanças regulatórias melhora a capacidade de resposta. A combinação de planejamento e transparência permite que decisões sobre direcionamento sejam tomadas com mais segurança.

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Pirataria de sementes provoca prejuízo e amplia riscos no campo

Área de pastagem com emergência uniforme ao lado de uma faixa com falhas e plantas daninhas
O estabelecimento irregular da lavoura é um dos sinais associados ao risco de sementes sem procedência.

A pirataria de sementes é um problema que começa na escolha do insumo e pode se prolongar por todo o ciclo da lavoura. Quando o produtor compra material sem procedência, certificação ou nota fiscal, ele reduz a capacidade de verificar o que está levando para o campo. O resultado pode aparecer em falhas de emergência, presença de plantas daninhas, problemas sanitários e necessidade de refazer operações. Por isso, a decisão de economizar na compra precisa ser avaliada junto com os riscos agronômicos e econômicos envolvidos.

A pirataria no mercado de sementes forrageiras traz um grande prejuízo ao agronegócio e, sobretudo, para o produtor. Atualmente as sementes piratas vêm tomando um espaço preocupante no setor agrícola. Alguns estudos indicam que mais de 30% das sementes utilizadas no Brasil são piratas. Estima-se que o prejuízo para o agricultor brasileiro chega a R$ 2 bilhões por ano e esse número não para de crescer.

 “As sementes piratas são comercializadas no mercado informal e não possuem qualquer garantia, procedência ou certificação. Além disso, uma semente pirata não tem nenhum controle de qualidade e não atendem à atributos básicos para comercialização, conforme estabelecidos pela lei”, explica Diego Pereira, Especialista em Tecnologia de Sementes da Barenbrug.

Por que a procedência da semente importa

A procedência é a primeira camada de segurança para quem planeja formar uma pastagem ou implantar outra cultura. Ela ajuda a identificar a origem do lote, as características declaradas e os controles realizados antes da comercialização. Sem essas informações, o agricultor fica mais exposto a comprar um material diferente do esperado, com qualidade física inferior ou com desempenho irregular.

Essa verificação não substitui a recomendação de um profissional habilitado, mas cria um ponto de partida objetivo para a compra. Conferir o fornecedor, solicitar documentação e guardar os comprovantes são medidas simples que facilitam a identificação de problemas e a tomada de decisão caso o lote não corresponda ao que foi ofertado.

Mas como as sementes piratas são comercializadas?

A maioria delas é proveniente de sementes salvas que produtores utilizam para uso próprio e acabam comercializando o que restou de maneira ilegal.  A compra destas sementes ilegais é facilitada pelo acesso rápido, pela falta de conhecimento e também pelo baixo valor que necessita ser investido. Muitas vezes o produtor quer diminuir seus custos de produção e adquire uma semente pirata, que chega sem registro, sem nota fiscal, sem o acompanhamento de profissionais e o pior, sem qualquer certificação ou garantia de produtividade.

Preço baixo não revela o custo total

O valor pago no momento da compra é apenas uma parte da conta. Se a emergência for desuniforme, podem surgir gastos adicionais com replantio, preparo, controle de invasoras e novas operações de manejo. Também há o custo de oportunidade de ocupar a área com uma cultura que não se estabelece como planejado. O risco é especialmente relevante em sistemas nos quais o calendário de implantação interfere na disponibilidade de forragem.

Isso não significa que toda falha de lavoura decorra da semente. Chuva, profundidade de plantio, preparo do solo, armazenamento e manejo também influenciam a emergência. A diferença é que a compra formal oferece mais elementos para investigar a causa, enquanto o produto clandestino limita a rastreabilidade desde o início.

Quem opta pelas sementes piratas pode ocasionar sérios problemas para a lavoura, expondo toda a sua produção à disseminação de pragas, doenças e plantas daninhas. “As sementes piratas não têm os atributos básicos que uma semente de boa procedência tem, como: naturezas física e sanitária garantidas e genética comprovada. Todas as sementes certificadas passam por um processo rigoroso que garantem germinação e pureza, características obrigatórias de uma semente de qualidade”, reforça Pereira.

O que observar antes de fechar a compra

Antes de concluir a negociação, o produtor pode organizar uma conferência básica do lote e do vendedor. A embalagem deve estar íntegra e conter informações legíveis sobre o produto, enquanto a documentação da venda precisa ser compatível com a operação. A ausência de nota fiscal, a oferta exclusivamente informal e a promessa de produtividade sem base verificável são sinais que justificam cautela.

Rastreabilidade começa na documentação

Guardar nota fiscal, identificação do lote, comprovantes de pagamento e conversas comerciais cria um histórico da compra. Também é recomendável registrar a data de recebimento e as condições de armazenamento. Esses cuidados não garantem, sozinhos, a qualidade agronômica, mas permitem comparar o que foi comprado com o que foi entregue e buscar orientação com mais precisão.

Os fatores de risco de uma semente pirata são inúmeros, sendo quatro principais:

1)    Plantas Daninhas 

O aumento da incidência de plantas daninhas entre a plantação dificulta o controle da mesma e aumenta o uso desnecessário de defensivos agrícolas, afetando a produtividade e riscos ao ambiente. 

Como reduzir a pressão de plantas daninhas

O primeiro passo é diferenciar a falha de estabelecimento da presença de espécies invasoras. Uma área com baixa cobertura deixa mais espaço, luz e recursos disponíveis para plantas que competem com a cultura principal. O monitoramento deve ser feito desde a emergência, observando manchas, distribuição das falhas e evolução das plantas indesejadas.

O manejo precisa seguir orientação técnica e considerar a cultura, o estágio das plantas e as condições da área. A recomendação não deve ser transformada em aplicação automática de produtos. Identificar a origem do problema e corrigir a causa pode evitar intervenções repetidas e reduzir desperdícios.

2)    Sementes Contaminadas

Muitas das sementes piratas podem vir contaminadas e tornam-se vetores para o campo, causando epidemias e, consequentemente, a perda de produtividade e o aumento do custo da produção.

Sanidade e pureza exigem atenção

A qualidade sanitária é diferente da aparência externa. Um lote visualmente limpo pode não responder a todas as perguntas sobre sua origem e seu histórico. Por isso, os controles associados à produção e à comercialização são importantes para reduzir a possibilidade de introduzir contaminantes em uma área ainda livre deles.

Se houver suspeita de problema, o produtor deve evitar misturar o material com outros lotes e buscar orientação técnica. A separação ajuda a preservar informações sobre a ocorrência e evita ampliar a área afetada enquanto a situação é avaliada.

3)    Pragas

Geralmente as sementes piratas aumentam a disseminação de pragas comprometendo a produtividade da lavoura e aumentando o custo do manejo.

O efeito se estende ao planejamento da safra

Uma ocorrência de pragas altera a rotina do campo e pode exigir inspeções mais frequentes, decisões rápidas e revisão do orçamento de manejo. Quando o estabelecimento é fraco, a cultura também pode competir menos com plantas espontâneas, tornando o sistema mais vulnerável. A prevenção, nesse caso, envolve a qualidade do insumo e o acompanhamento da área após a semeadura.

4)    Baixa germinação 

A semente pirata geralmente não emerge de forma uniforme no campo, reflexo do baixo vigor, o que causa falhas no estabelecimento da cultura e acarreta perdas. 

Emergência uniforme facilita o manejo

Quando as plantas emergem em momentos muito diferentes, o produtor encontra uma lavoura com estágios variados. Isso dificulta a leitura do campo e torna menos previsível a escolha do momento adequado para operações. A fotografia de uma área com faixas densas ao lado de trechos falhos ilustra esse tipo de problema, mas o diagnóstico precisa considerar também solo, umidade, profundidade e regulagem da semeadora.

O acompanhamento de uma pequena área de referência, com anotações sobre data de plantio, condições do solo e emergência observada, ajuda a comparar talhões. Registros assim tornam a gestão mais objetiva e podem indicar quando é necessário consultar um especialista.

Compra responsável protege o produtor

Escolher sementes de origem conhecida é uma decisão de gestão de risco. O produtor deve buscar fornecedores regulares, conferir as informações disponíveis e desconfiar de ofertas que não apresentam documentação ou prometem resultados garantidos. Em caso de dúvida, vale interromper a compra até obter esclarecimentos sobre lote, armazenamento, recomendação de uso e condições comerciais.

O cuidado também beneficia toda a cadeia. Menos circulação de material irregular reduz a possibilidade de disseminar pragas, doenças e plantas daninhas entre propriedades. A formalização da compra, por sua vez, fortalece a rastreabilidade e melhora a qualidade das informações disponíveis para assistência técnica e fiscalização.

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Conclusão: informação é parte do insumo

A pirataria de sementes não deve ser analisada apenas pelo preço pago pelo saco. A origem, a documentação, a qualidade física e sanitária e a capacidade de acompanhar o lote fazem parte do valor do insumo. Ao combinar compra formal, orientação técnica e monitoramento do campo, o produtor aumenta sua capacidade de prevenir perdas e de agir cedo diante de qualquer desvio no estabelecimento.

Planejamento nutricional na bovinocultura durante a seca

Por que planejar a nutrição antes da seca

O planejamento nutricional na bovinocultura começa antes de o pasto perder volume e qualidade. A decisão envolve observar o histórico da fazenda, estimar a oferta de forragem, separar categorias animais e organizar água, cochos e suplementos. Como clima, solo, capim, lotação e manejo variam entre propriedades, não existe uma receita única: o plano precisa ser ajustado com acompanhamento técnico e registros do rebanho.

Transição entre águas e seca

Na transição, a redução das chuvas altera o crescimento vegetativo e a composição da pastagem. O produtor pode perceber a mudança pela menor rebrota, pela presença de folhas mais velhas e pela redução do consumo voluntário. Avaliar a massa de forragem, a condição corporal e o ganho de peso ajuda a agir cedo, antes que o déficit alimentar comprometa o desempenho.

Leitura do pasto e do rebanho

O diagnóstico deve combinar a observação dos piquetes com informações dos animais. Peso, idade, raça, estágio de crescimento, condição corporal e histórico sanitário influenciam a resposta à suplementação. Também é importante verificar acesso ao cocho e à água, dominância dentro do lote e uniformidade dos animais. Pesagens periódicas, ainda que simples, tornam o ajuste mais seguro do que decisões baseadas apenas na aparência do pasto.

Estratégias para a recria

Na recria, o objetivo pode ser atravessar a seca preservando o desenvolvimento, acelerar ganhos com uma reserva de pasto ou retirar animais do sistema quando a disponibilidade de alimento não comportar a lotação. Cada escolha altera a necessidade de capital, mão de obra, estrutura e área. Por isso, a estratégia deve ser comparada com o fluxo de caixa e com o calendário de compra, venda e terminação.

Diferimento de pastagens

O diferimento reserva determinados piquetes para uso posterior. Para funcionar, exige planejamento de entrada e saída, escolha de áreas adequadas e controle da altura e da qualidade da forragem. Uma grande quantidade de massa não garante, sozinha, bom valor nutritivo. O uso combinado com suplemento deve considerar a categoria animal e o estado real do pasto, com revisão do plano quando as condições climáticas mudarem.

Suplementação estratégica

Suplemento não substitui o diagnóstico da fazenda. A formulação e o nível de consumo dependem da qualidade da forragem, do objetivo de ganho, do peso dos animais e dos ingredientes disponíveis. Mudanças devem ser graduais, com rotina de fornecimento, espaço de cocho suficiente e observação do consumo. O acompanhamento evita tanto a falta de nutrientes quanto o fornecimento excessivo, que pode elevar custos e desviar o desempenho do objetivo produtivo.

Adaptação e monitoramento do lote

Lotes homogêneos tendem a facilitar o acesso ao cocho e a leitura dos resultados. O produtor deve acompanhar comportamento, consumo, escore de fezes, condição corporal e evolução do peso. Alterações inesperadas podem indicar disputa, baixa palatabilidade, excesso de consumo, problema de digestibilidade ou falha de manejo. Em qualquer dúvida sobre formulação, ureia, minerais ou ingredientes, a avaliação de um profissional habilitado é indispensável.

Recria confinada e resgate

Quando o pasto não sustenta a meta de desempenho, instalações de confinamento podem ser usadas para resgate ou recria confinada. Essa alternativa amplia o controle sobre a dieta, mas exige planejamento de compra de ingredientes, armazenamento, adaptação, manejo de cocho, sanidade e destino dos dejetos. A meta não deve ser o maior ganho possível em qualquer situação; ela precisa estar alinhada à idade, ao potencial de crescimento e ao sistema de terminação.

Água, cocho e rotina de manejo

Água de boa qualidade e em quantidade é parte da dieta. O planejamento deve incluir vazão, limpeza, acesso simultâneo, distância até o bebedouro e segurança de reservatórios naturais. Na seca, a concentração de impurezas pode mudar à medida que o nível baixa. Inspeções frequentes, manutenção preventiva e registro de falhas ajudam a reduzir riscos e a preservar o consumo dos animais.

Indicadores para revisar o plano

Um plano útil transforma observações em decisões. Entre os sinais de revisão estão queda de ganho de peso, perda de condição corporal, sobra ou falta persistente de suplemento, comportamento de disputa no cocho, alteração do escore de fezes e redução do acesso à água. A análise também deve considerar custo por animal, disponibilidade de ingredientes, ocupação dos piquetes e previsão de retorno. Esses indicadores não substituem uma avaliação nutricional, mas ajudam a identificar rapidamente onde investigar.

Matheus Capelari e Luiz Carrijo, da Cargill Nutrição Animal, tratam no artigo abaixo do planejamento nutricional para a bovinocultura em período de seca. Confira: 

A fonte de energia é mais barata que a luz solar. Nesse sentido, a produção de bovinos de corte em pastagens é uma vantagem competitiva para o Brasil, que usufrui das condições climáticas de um país tropical e da disponibilidade de recursos naturais para a produção de carne à custos menores. No entanto, nas principais regiões produtoras, observa-se uma estacionalidade muito evidente na produção de capim devido às variações nos níveis de precipitação, o que reflete diretamente na relação solo-capim-animal e no potencial produtivo do gado. 

A fase de transição águas-seca, que no Brasil central ocorre entre Abril e Junho, se caracteriza pelo período no qual o capim começa a diminuir em quantidade e qualidade, seguindo a diminuição dos volumes de chuvas. A diminuição das chuvas e da temperatura altera o perfil de crescimento do capim, sua composição morfológica e nutricional, diminuindo a oferta de nutrientes e o desempenho animal. 

O crescimento vegetativo diminui nesse período, e a planta se prepara para produção de sementes. O menor consumo e aproveitamento do capim reduz o ganho de peso do gado. Assim, a suplementação estratégica se torna uma ferramenta essencial para manutenção da performance animal no período de transição, corrigindo as deficiências do capim e permitindo o melhor aproveitamento dos nutrientes. 

Mas então, qual seria o suplemento ideal para o gado nesse período? Vale lembrar que cada fazenda tem sua própria dinâmica ao longo do ano e, quanto ao manejo do pasto, o que o produtor enxerga hoje é um reflexo do que tem feito ao longo do último ano, pelo menos. Portanto, uma visão estratégica de longo prazo é sempre muito importante para que o produtor esteja preparado para encarar os períodos de déficit de alimentos na fazenda, e evite que isso prejudique o desempenho animal.

Para novilhos que estão saindo das águas recém desmamados, com peso entre 180-220 Kg, o período de recria no Brasil é tradicionalmente longo, caracterizado por suplementação de baixo consumo (mineral/ureado), entregando os animais, no melhor dos cenários, com 230-250 Kg na entrada das próximas chuvas em novembro. 

Esse cenário é mais conservador, portanto resulta em menor necessidade de investimento em nutrição e estrutura, por outro lado reduz o desfrute e o potencial de lucro do produtor. Para esse tipo de situação, a venda dos bezerros pode se tornar um negócio interessante pois reduz a pressão sobre os pastos e permite ao produtor se capitalizar.

Uma opção interessante para melhores ganhos é o diferimento/vedação de pastagens na saída das águas para serem utilizadas durante o período de transição/seca. Essa alternativa permite que alguns piquetes sirvam de reserva de alimento para o gado, e quando combinado com uma suplementação estratégica, permite ganhos de peso de até 300-500g/d. Dessa forma, os animais entrariam nas águas com 250-280 Kg, podendo assim ser terminados no ano subsequente. No entanto, o correto diferimento é muito importante para o sucesso dessa técnica. É muito comum que pastos diferidos no final das águas e utilizados 4 meses depois, no pico do período seco, apresentem uma boa quantidade de massa, mas com baixo valor nutricional. 

Uma terceira estratégia que tem crescido nos últimos anos é a utilização das instalações de confinamento para a recria confinada ou resgate. Essa técnica permite ao produtor um maior controle sobre o GPD do gado, que nessas situações gira em torno de 600-800g/dia. O principal cuidado nesse período é justamente controlar o GPD excessivo, já que os animais ainda estão fisiologicamente em crescimento e altos níveis de energia restringem o crescimento animal em detrimento da deposição de gordura. 

O ideal para as dietas nesse período é o uso de silagens de capim ou sorgo, menos energéticas que as de milho. Fontes de proteína de boa qualidade também são desejáveis, como o farelo de soja e de algodão, ou subprodutos da produção de etanol de milho. Nesse cenário os animais chegam nas próximas chuvas entre 280-310 Kg e podem ser terminados nas secas do ano subsequente.          

Para garrotes mais pesados (10-12@) a fase de transição deve ser encarada como uma fase de pré-adaptação à dieta de engorda e terminação, seja ela feita em semi-confinamento ou confinamento. Animais nessa fase já estão fisiologicamente mais maduros e, portanto, com estrutura mais pronta para a engorda. No entanto, o requerimento de energia para manutenção dessa categoria é mais alta, tornando a terminação desses animais exclusivamente a pasto muito difícil. O ideal é que os animais recebam nesse período um suplemento para consumo de 3 a 5g/Kg de peso vivo. 

Esse perfil de suplemento permite uma boa adaptação da flora microbiana do rúmen a dietas com mais amido, além de adaptar os próprios animais ao manejo de fornecimento diário de suplemento. Para esse perfil de suplemento é necessário um espaçamento de cocho de pelo menos 30 cm linear por cabeça e é fundamental o acompanhamento mais frequente dos animais. Um dos sinais importantes que pode ser usado para avaliar o andamento da suplementação, é o escore de fezes do gado. 

As fezes devem estar pastosas, com coloração amarronzada e sem apresentar muco. Fezes aneladas normalmente estão relacionadas a falta de proteína e problemas na digestibilidade do capim, e fezes muito líquidas podem ser sinal que alguns animais estão consumindo muita ração, sem estar adaptado para tal. Lotes menores (até 100 animais) e mais homogêneos (menor variação de peso e raça) ajudam no bom desenvolvimento desse tipo de estratégia por permitirem menor disputa no cocho e um consumo mais parelho do suplemento.

Por fim, mas não menos importante, os animais necessitam de disponibilidade de água de boa qualidade e em quantidade, para que possam desempenhar e ganhar peso. O produtor deve se atentar para o período de transição e seca do ano principalmente quando utiliza fontes naturais como cacimbas. Esse tipo de reservatório tende a ficar mais raso com a diminuição das chuvas, muitas vezes forçando os animais a entrarem no reservatório. Esses fatores podem aumentar a concentração e ingestão de toxinas, como a toxina botulínica (Souza et al., 2006;). 

De acordo com o último NRC de 2016, um animal de 270 Kg em condições de temperatura tropical de 32° C deve ingerir em torno de 48 litros de água por dia. Apesar de ser usado como base de requerimentos também para raças taurinas, esses valores nos dão uma boa ideia da importância da disponibilidade de água para bovinos em condições tropicais. Portanto, o planejamento do fornecimento de água também é um fator primordial para o sucesso de um projeto pecuário na transição – seca. 

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Checklist de preparação

  • Mapear pastos, reservas e categorias animais.
  • Revisar cochos, bebedouros, cercas e armazenamento.
  • Definir metas realistas e responsáveis pelo acompanhamento.
  • Registrar consumo, peso, condição corporal e ocorrências.
  • Recalibrar o plano conforme a resposta do lote e a oferta de forragem.

Entressafra do leite: alta e escassez exigem planejamento estratégico

Uma das estratégias que os produtores de leite podem adotar para enfrentarem a entressafra do leite – período que compreende de março até setembro/outubro – é produzir a dieta do rebanho na propriedade. Além de conseguir uma redução dos custos de produção, esta iniciativa permite ao produtor ofertar aos animais uma nutrição precisa, conforme as necessidades exigidas pelo rebanho sem que haja perda de qualidade e quantidade na produção leiteira.

De acordo com o zootecnista e supervisor da Minerthal em Minas Gerais, Sérgio Ferreira, esta pode ser uma saída para enfrentar os desafios como a alta no preço dos insumos para alimentação animal e a escassez de volumoso.

“O período de entressafra requer planejamento, por isso é preciso tentar reduzir o custo de produção sem perder o desempenho dos animais. Para a produção própria de ração é necessário o uso de fontes proteicas e energéticas, como milho, sorgo, farelo de soja ou farelo de algodão aliando a núcleos que forneçam minerais, vitaminas e aditivos que supram as necessidades para a produção de leite”, explica.

De forma prática, a orientação na produção de ração é de processar muito bem os grãos (milho ou sorgo), moendo o mais fino possível (utilizar peneira de 2 mm), pois dessa forma ajuda a melhorar a digestibilidade e aumenta o aproveitamento do alimento.

Outra orientação é fazer a compra antecipada de insumos, para obter melhores condições de negociação e prevenir-se quanto a oferta de volumoso para as vacas durante todo o ano, para que não haja “sufoco”, pois o alimento oferecido é o ponto principal para a melhora na produção. Outra medida ainda é plantar os grãos na própria fazenda, caso haja área disponível.

“Com o atual cenário de preço dos grãos bastante elevado é vantajoso, além de produzir a ração e o volumoso na propriedade, produzir também os próprios grãos inclusos na dieta. Fazendo a colheita da silagem e grãos, como milho ou sorgo, na própria fazenda conseguimos mais eficiência econômica no sistema de produção e com possibilidade de melhores qualidades destes alimentos”, aponta. 

Separar os lotes com mais rigor otimiza a atividade

Para a entressafra, outra medida a ser adotada é fazer um maior número de lotes, separando os animais com mais critério e checar mensalmente os animais mais produtivos, separando-os sempre dos demais.

“Separando lotes prioriza-se os investimentos no período de transição: pré e pós-parto, até o pico de produção. Lembrando também que o produtor deve realizar o descarte de vacas que puxam os índices zootécnico/econômicos da propriedade para baixo, ou seja, animais que não conseguem trazer faturamento suficiente para cobrir o custo de mantê-las em produção”, ressalta.

Cenário atual de incertezas ao produtor de leite

O cenário em 2020 tomou um rumo cheio de incertezas. Com isso, a atenção a produção deve ser redobrada para garantir rentabilidade no negócio. Em geral, anualmente o período da entressafra representa queda na produção no campo, ou seja, menor quantidade de leite sendo entregue ao mercado e por consequência há aumento no valor pago para o produtor. Com a economia do país um pouco desestabilizada, ter bastante controle de custos e saber investir na produção é a melhor saída neste momento.

“Essa é a hora do produtor investir e buscar o máximo potencial dos animais para transformar o possível período de desafio em oportunidade melhorando o resultado financeiro da propriedade. Saber aproveitar este momento é o grande divisor de águas na atividade e permite que as fazendas mais eficientes ganhem mais dinheiro”, finaliza. 

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Por que a entressafra do leite pede decisões antecipadas

A entressafra do leite não deve ser tratada apenas como uma data no calendário. Ela é uma fase em que a disponibilidade de pasto, a compra de ingredientes e a resposta dos animais podem mudar ao mesmo tempo. Por isso, o planejamento começa antes da redução mais perceptível da oferta de forragem. O objetivo é conhecer as necessidades do sistema e preparar alternativas que possam ser ajustadas conforme clima, preços e desempenho.

Uma decisão antecipada também reduz a dependência de compras emergenciais. Quando a propriedade deixa para adquirir volumoso ou concentrado apenas diante da falta, perde margem de negociação e aumenta o risco de aceitar um alimento de qualidade ou composição diferentes do planejado. A análise deve considerar estoque, logística, capacidade de armazenamento, mão de obra e fluxo de caixa.

Diagnóstico do rebanho antes de formular a dieta

Antes de produzir ração ou alterar o fornecimento, é prudente organizar informações básicas: número de vacas em lactação, estágio de lactação, condição corporal, histórico de produção, idade e situação reprodutiva. Esses dados ajudam a separar prioridades e evitam oferecer a mesma dieta para animais com exigências diferentes.

A formulação deve ser conduzida com apoio de profissional habilitado e com ingredientes realmente disponíveis na fazenda. Milho, sorgo e farelos podem participar de estratégias distintas, mas não são intercambiáveis em qualquer proporção. Teor de matéria seca, proteína, energia, fibra, minerais e presença de contaminantes precisam ser avaliados. Uma recomendação geral não substitui a análise do alimento e o acompanhamento do lote.

Volumoso: estoque, qualidade e conservação

O volumoso é a base física da dieta e precisa ser planejado para atravessar o período de menor crescimento das pastagens. Silagem, feno e outras forragens devem ser conservados de modo a limitar perdas por umidade, entrada de ar, aquecimento e deterioração. O estoque só é uma segurança quando a quantidade utilizável é conhecida e a retirada diária preserva o material restante.

Também é importante observar a qualidade ao longo do tempo. Mudanças de odor, cor, temperatura, presença de mofo ou rejeição pelos animais merecem investigação. O fornecimento deve ser regular, com cochos limpos e acesso suficiente para reduzir competição. Água em quantidade e qualidade adequada completa o cuidado básico e pode influenciar diretamente o consumo.

Produção própria de grãos exige cálculo econômico

Plantar milho ou sorgo na propriedade pode ampliar a autonomia, mas a decisão precisa considerar área, produtividade esperada, maquinário, armazenamento, perdas, custo de oportunidade e necessidade de transporte. Produzir dentro da fazenda não significa que o ingrediente seja gratuito. Registrar cada etapa permite comparar o custo efetivo com o preço e a qualidade de uma compra externa.

O processamento dos grãos também merece controle. A granulometria deve seguir a orientação técnica para o ingrediente e para o sistema de alimentação, pois moagem inadequada pode reduzir o aproveitamento, aumentar perdas ou causar desequilíbrios. Regulagens, peneiras e limpeza do equipamento devem fazer parte da rotina, assim como a prevenção contra umidade e contaminação.

Como organizar lotes sem perder simplicidade

Separar lotes com critério permite direcionar alimento e observação para quem mais precisa, especialmente vacas próximas ao parto, recém-paridas e animais no pico de produção. Entretanto, mais divisões significam mais deslocamentos, cochos, registros e trabalho. A organização deve ser compatível com a estrutura da propriedade para que a proposta seja executada todos os dias.

Uma rotina simples de acompanhamento pode incluir escore de condição corporal, consumo aparente, sobras, comportamento no cocho, produção e ocorrências sanitárias. O produtor e a equipe precisam saber o que observar e quando comunicar uma alteração. O foco é identificar desvios cedo, sem transformar um único indicador em diagnóstico definitivo.

Custos, compras e margem de segurança

O controle financeiro deve acompanhar a dieta. Anotar preço, frete, perdas, consumo por lote e rendimento dos alimentos torna a comparação mais realista. O custo por unidade de alimento é apenas uma parte da decisão: disponibilidade, estabilidade da qualidade e efeito sobre o desempenho também entram na avaliação.

Compras antecipadas podem reduzir a exposição a oscilações, mas imobilizar recursos em estoque excessivo também traz risco. Uma margem de segurança razoável deve respeitar o caixa, a capacidade de armazenagem e a validade prática dos ingredientes. Rever o plano em intervalos regulares ajuda a responder a mudanças sem decisões impulsivas.

Indicadores para ajustar o plano durante o período

O planejamento não termina quando a silagem é aberta. Durante a entressafra, a equipe pode acompanhar produção do tanque, consumo, sobras, saúde, reprodução, descarte e custo alimentar. O conjunto de sinais é mais útil do que uma variação isolada, porque clima, manejo e mercado também influenciam o resultado.

Quando um indicador se afasta do esperado, a resposta deve começar pela verificação do básico: pesagem ou estimativa do fornecimento, qualidade do ingrediente, mistura, acesso ao cocho, água, conforto e rotina. Ajustes graduais e registrados favorecem a aprendizagem do sistema. Em caso de alteração clínica ou queda persistente de desempenho, a avaliação técnica e veterinária é indispensável.

Planejamento transforma escassez em resiliência

A entressafra do leite pode pressionar custos e disponibilidade, mas também revela a qualidade da gestão. Uma fazenda resiliente conhece seus recursos, define prioridades, conserva alimento, distribui os animais de forma coerente e acompanha resultados. Não existe uma receita única: a estratégia precisa caber na realidade produtiva, ambiental e financeira de cada propriedade.

O próximo ciclo começa com os registros do ciclo atual. Ao documentar o que foi comprado, produzido, perdido e consumido, o produtor cria uma base para melhorar a próxima decisão. Para ampliar possibilidades de comercialização e buscar fornecedores, consulte também a Agro2business, preservando sempre a avaliação técnica e econômica da operação.

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