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Resíduos de cervejaria podem integrar alimentação de bovinos

Cevada e malte em processo de beneficiamento industrial para coprodutos

Resíduo de Cervejaria na Nutrição Animal: Qualificação, Lote e Conservação

O resíduo de cervejaria — conhecido comercialmente como bagaço de cevada ou levedura de cerveja — é um dos coprodutos úmidos de maior tradição na alimentação de bovinos de corte e leite. Derivado da etapa de mosturação do malte de cevada na fabricação de cerveja, esse insumo destaca-se por reunir teores expressivos de proteína não degradável no rúnem (PNDR) e fibra altamente digestível, tornando-se um excelente ingrediente para dietas de alta produção.

1. Origem e Processo de Obtenção

Durante o processo de brassagem na cervejaria, os grãos de malte moídos são submetidos à rampa de temperatura em meio aquoso para solubilização dos açúcares fermentáveis. Após a filtragem do mosto, a fração sólida insolúvel constituída pelas cascas e restos do endosperma da cevada é recolhida como bagaço úmido de cervejaria, apresentando elevado teor de água residual no momento da saída.

2. Identificação e Documentação de Lote

O recebimento do resíduo de cervejaria exige notas fiscais e tickets de pesagem da indústria cervejeira geradora. É indispensável verificar se a carga provém de processo industrial limpo, isenta de produtos químicos de higienização de tanques ou resíduos de terra e entulho das áreas de apoio logístico.

3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia

O bagaço de cervejaria pode ser comercializado na forma úmida (in natura) ou desidratada (seca). O acompanhamento bromatológico laboratorial deve monitorar:

  • Matéria Seca (MS): Na forma úmida, a MS varia de 20% a 25%, significando que cerca de 75% a 80% do peso do produto é água. Na forma seca, a MS supera 88%.
  • Proteína Bruta (PB): Excelente perfil proteico, variando de 24% a 28% na base da matéria seca, com elevada fração de proteína verdadeira.
  • Fibra em Detergente Neutro (FDN): Teor de FDN entre 45% e 52%, estimulando a ruminação sem provocar enchimento excessivo.
  • Extrato Etéreo (EE): Teor lipídico entre 6% e 9%, agregando valor energético à mistura.

4. Conservação, Armazenamento e Transporte

Na forma úmida, o transporte deve ser feito em caçambas estanque para evitar o vazamento de efluentes nas rodovias. Como a umidade elevada favorece a deterioração aeróbica rápida (fermentação indesejada em menos de 48 horas), o produto deve ser compactado e vedado em silos tipo trincheira ou bag flexível logo na chegada, utilizando lonas de dupla face para garantir anaerobiose. A adição de inoculantes siláticos ou ácidos orgânicos auxilia na preservação estendida do material.

5. Comparação Responsável de Fornecedores

Na negociação do bagaço úmido, o comprador deve calcular rigorosamente o valor por tonelada de matéria seca entregue na fazenda, descontando a água do transporte. A proximidade geográfica entre a cervejaria e a propriedade rural é fator determinante para viabilizar o frete e manter a vantajosidade do insumo frente ao farelo de soja.

6. Avaliação por Profissional Habilitado

O planejamento nutricional com resíduo de cervejaria deve ser supervisionado por um zootecnista ou veterinário. O especialista equilibrará a exigência proteica da categoria animal com a taxa de passagem ruminal e garantirá que a conservação do silo de bagaço seja mantida sem contaminações fúngicas, preservando a palatabilidade e o desempenho zootécnico.