10 de mar de 2021

Sabor para dieta de suínos

O planejamento de dietas para animais de produção em sistema intensivo, como o de suínos, requer a observação do comportamento de consumo do animal, bem como dos reflexos das dietas anteriores, além da tomada de decisões sobre os componentes da nutrição em cada uma das fases da suinocultura.

Quando analisamos o consumo por suínos, observamos que a preferência alimentar dos animais vem se tornando um dos mais importantes aspectos nesse tipo de produção, combinada com outros fatores de nutrição e manejo.

Os elementos que influenciam o consumo dos suínos, em suas diferentes fases, são inúmeros. Considerando, por exemplo, para matrizes suínas em lactação, o estresse térmico por calor apresenta-se como um limitante de desempenho e, consequentemente, de grande impacto sobre o comportamento das leitegadas. Estas que, na sequência, têm um grande desafio, o desmame: causando estresse pela separação da porca, mudança de dieta e a transferência para novas instalações, resultando em queda de consumo e consequentemente perda no rendimento. 

Os aromatizantes e palatabilizantes têm a função de estimular o consumo do alimento em todas as fases, além de ser uma forma de identificar e diferenciar o produto. Eles podem ser adicionados ao premix, núcleo ou à ração, seja extrusada ou peletizada.

Além de criar uma associação positiva entre sabor e alimento, os aromas auxiliam no estímulo de consumo, desencadeando um aumento das secreções digestivas através de reflexos condicionados, preparando o intestino para uma melhor digestão. Outro benefício proporcionado é mascarar odores desagradáveis dos minerais, antibióticos e subprodutos, assim como evitar alarmes relacionados as reações associadas às alterações das formulações.

Para alimentação de suínos é de grande importância uso do mesmo aroma nas fases de gestação, lactação e dietas pós desmame. Na maioria das ocasiões, os aromatizantes são utilizados em dietas pré-iniciais destinadas aos jovens suínos, com a principal finalidade de atrair os leitões, ainda em fase de amamentação, para o consumo precoce de dieta sólida, pois, após desmame esse será seu único alimento até o abate. Nesta fase, os aromas têm ainda a função de facilitar o processo da desmama em animais mais jovens.

Já no caso dos leitões, o consumo precoce de rações não depende somente do cheiro do aroma utilizado, mas também do sabor que este produto transmite aos alimentos, tornando crescente a sua ingestão. No período de aleitamento o consumo de ração também é um importante fator econômico. Quanto maior o consumo de dieta sólida, menor é a sobrecarga para as porcas e consequentemente menos leitões desuniformes. 

Se considerarmos que os leitões têm preferência por sabores adocicados, pode-se propor a formulação de dietas com uso de aromatizantes já utilizados anteriormente nas dietas das porcas e adoçantes com o propósito de aumentar o consumo e consequentemente o ganho de peso.  Os leitões são mais exigentes e perceptivos que o próprio ser humano que contém em média 9.000 papilas gustativas, quando comparado a leitões, com o aproximado a 15.000.

Os aromatizantes também podem ser utilizados como estratégia de marketing para diferenciar o produto, através da sensitividade do aroma, criando um conceito único para a ração e posicionando a marca e o produto através desta característica.

A escolha do tipo de palatabilizante ou aromatizante depende da composição do produto e de sua finalidade, seja por questão de estímulo ao consumo, ganho de peso ou marketing através da singularidade da ração.  Os benefícios dos aromatizantes e palatabilizantes suplementando as rações de suínos têm sido medidos pelos parâmetros de crescimento e ganho de peso ou pela atratividade do alimento. Desta forma estão sendo cada vez mais usados em dietas para porcos.

Cezar Moretto, Zootecnista

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