Guia de boas práticas na indústria animal

Guia de boas práticas na indústria de alimentação animal
O Sindirações preparou um guia de boas práticas na indústria de alimentação animal para o enfrentamento da Covid-19, com o objetivo de formalizar e orientar o setor sobre as medidas que devem ser adotadas e que estão baseadas nas informações e conhecimentos atuais sobre o tema. Sem previsão para fim da pandemia, o Sindirações trabalhou para fornecer aos associados informações que possam contribuir com o bom desempenho do setor e orientá-los na adoção de programas eficazes de higiene pessoal, limpeza e sanitização, controle de fornecedores de matérias-primas e serviços, estocagem, distribuição e transporte.
A indústria de alimentação animal tem papel essencial na produção de alimentos e, neste momento de pandemia causado pelo novo coronavírus, é fundamental manter o fornecimento de alimentos aos animais de produção e de companhia seguindo sempre as legislações nacionais e internacionais que regulam o setor em relação às Boas Práticas de Fabricação.
De acordo com Ariovaldo Zani, CEO do Sindirações: “apesar das ações já conduzidas para a segurança de alimentos, nos atentamos, acima de tudo, na proteção dos colaboradores e o ambiente de trabalho contra a infecção do novo coronavírus, prevenindo-os quanto à exposição e transmissão do vírus e intensificando os controles de higiene e limpeza das instalações.”
O guia de boas práticas na indústria de alimentação animal para o enfrentamento da Covid-19 está dividido em: informações aos funcionários; medidas de higiene para os funcionários; organização de vestiários e refeitórios; organização para o distanciamento social; monitoramento constante dos funcionários; e recomendações para conduta fora do ambiente de trabalho.
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Por que o guia é relevante para o setor
A alimentação animal integra uma cadeia que depende de regularidade, controle e confiança. Fábricas, armazéns, transportadores, fornecedores e clientes precisam manter suas atividades coordenadas mesmo quando há mudanças na rotina de trabalho. Em um cenário de crise sanitária, a prevenção passa a ser também uma forma de proteger a continuidade do abastecimento.
O documento do Sindirações deve ser entendido como orientação operacional baseada no conhecimento disponível naquele momento. Ele não substitui normas oficiais, orientações de autoridades de saúde ou procedimentos internos validados. Cada empresa precisa avaliar seus riscos, documentar suas decisões e manter seus protocolos atualizados conforme as regras aplicáveis.
Informação clara para os funcionários
Uma boa prática começa com comunicação simples e consistente. As equipes precisam saber quais são os cuidados esperados, como relatar sintomas, quem deve ser procurado em caso de dúvida e quais são os fluxos para afastamento ou retorno. Instruções visíveis nos pontos de entrada, lavatórios, vestiários e áreas de convivência ajudam a transformar uma recomendação em comportamento cotidiano.
Treinamento e responsabilidade compartilhada
O treinamento deve considerar as tarefas reais de cada função. Trabalhadores da produção, manutenção, limpeza, laboratório, expedição e transporte têm exposições diferentes e podem precisar de orientações específicas. Registros de capacitação, reciclagens e conversas rápidas no início do turno ajudam a identificar dificuldades antes que elas se tornem falhas de processo.
A linguagem também importa. Comunicação respeitosa reduz o estigma e aumenta a chance de que uma pessoa informe um mal-estar ou uma situação de risco. O objetivo é criar uma cultura em que segurança, higiene e cuidado mútuo façam parte da rotina, sem depender apenas de fiscalização.
Higiene pessoal e uso adequado de proteção
A higiene das mãos, a etiqueta respiratória e o uso correto dos equipamentos definidos para cada atividade são medidas centrais. Lavar as mãos com água e sabonete, quando disponível, e utilizar preparação adequada nos pontos previstos deve estar associado a momentos-chave, como a chegada, a saída, as pausas, o uso de sanitários e a troca de tarefas.
Máscaras e outros equipamentos precisam ser tratados conforme a orientação vigente e o risco da operação. Usá-los de forma incorreta, tocá-los continuamente ou compartilhá-los pode comprometer o propósito da proteção. A empresa deve orientar sobre colocação, retirada, armazenamento e descarte, além de oferecer condições para que o procedimento seja realizado sem improvisos.
Limpeza, sanitização e organização das instalações
Limpar e sanitizar são etapas relacionadas, mas não idênticas. A rotina deve indicar superfícies, frequência, produtos autorizados, concentração, tempo de contato e responsáveis. Pontos de toque frequente, como maçanetas, corrimãos, torneiras, bancadas, controles e equipamentos compartilhados, merecem atenção compatível com seu uso.
Os produtos devem ser armazenados e aplicados de acordo com seus rótulos, fichas e procedimentos aprovados. Misturas improvisadas, excesso de produto ou aplicação sobre áreas inadequadas podem criar riscos adicionais. A verificação por listas de controle, registros de execução e observação em campo permite corrigir desvios e demonstrar que o programa está funcionando.
Vestiários, refeitórios e distanciamento
Áreas de troca e alimentação exigem planejamento porque concentram pausas e circulação. Escalonar horários, organizar filas, melhorar a ventilação quando possível e reduzir o compartilhamento de utensílios são alternativas que podem ser avaliadas conforme o espaço e a legislação. O layout precisa facilitar a passagem sem cruzamentos desnecessários e manter lavatórios e dispensadores acessíveis.
O distanciamento não deve ser visto como uma medida isolada. Ele funciona melhor quando combinado com limpeza, ventilação, comunicação e monitoramento. A liderança pode observar os horários de maior movimento, conversar com as equipes e adaptar o fluxo de pessoas sem prejudicar a segurança alimentar nem a produtividade.
Monitoramento e resposta a sinais de doença
Monitorar significa acompanhar a saúde ocupacional e as condições de trabalho dentro dos limites legais, preservando a privacidade. A empresa deve definir como receber relatos, como orientar a pessoa e como acionar os responsáveis. Não cabe ao ambiente industrial substituir avaliação clínica: quando houver sintomas ou exposição relevante, a conduta precisa seguir a orientação de profissionais e autoridades competentes.
Também é prudente estabelecer um plano para limpeza de áreas, comunicação interna e continuidade das atividades quando surgir um caso suspeito ou confirmado. O plano deve ter responsáveis, canais de contato e critérios de revisão. Manter a documentação organizada favorece decisões rápidas e evita que cada turno adote uma resposta diferente.
Controle de fornecedores e matérias-primas
A prevenção alcança a cadeia de suprimentos. Antes de contratar ou receber um serviço, a empresa pode revisar requisitos de higiene, acesso, documentação e comunicação de ocorrências. Transportadores e prestadores que entram na unidade devem conhecer as regras de circulação e os pontos de higienização, com permanência limitada às atividades necessárias.
Para matérias-primas, o foco continua sendo a conformidade do produto, a integridade das embalagens, a identificação dos lotes e as condições de recebimento. Um protocolo bem desenhado distingue riscos sanitários diferentes e evita conclusões que não estejam apoiadas por evidência. Quando houver dúvida, a decisão deve ser registrada e encaminhada ao responsável técnico.
Estocagem, distribuição e transporte
Armazenar corretamente ajuda a preservar qualidade e rastreabilidade. Pallets, corredores, áreas de segregação e pontos de carregamento devem permanecer organizados para permitir inspeção, limpeza e movimentação segura. Embalagens danificadas, produtos fora de especificação e devoluções precisam de fluxo definido, identificação e avaliação antes de qualquer reprocessamento ou descarte.
Na expedição, conferência de pedidos, higiene das superfícies de contato e comunicação entre fábrica, motorista e destinatário reduzem ruídos. O veículo deve atender aos requisitos aplicáveis ao tipo de carga e ser mantido em condições adequadas. Registros de origem, destino e lote apoiam a investigação de desvios e ajudam a manter a confiança entre os participantes da cadeia.
Conduta fora do ambiente de trabalho
As orientações de prevenção não terminam no portão da fábrica. Incentivar cuidados em deslocamentos, ambientes de convivência e contatos com a comunidade amplia a coerência do programa, mas isso deve ser feito com educação e respeito às escolhas individuais e às normas vigentes. A comunicação pode reforçar que cada pessoa tem papel importante na proteção de colegas, familiares e clientes.
É importante evitar abordagens punitivas ou exposição indevida de trabalhadores. Políticas claras de afastamento e apoio favorecem o relato responsável. O gestor deve manter a atenção voltada para o risco e para a continuidade segura do trabalho, sem transformar o monitoramento em vigilância invasiva.
Como transformar recomendações em rotina
O primeiro passo é mapear os processos e identificar onde pessoas, materiais e informações se encontram. Depois, a equipe pode priorizar controles viáveis, definir responsáveis e criar indicadores internos simples, como conclusão de treinamentos, cumprimento de rotinas de limpeza e registro de não conformidades. Esses indicadores servem para melhorar o processo, não para produzir números sem contexto.
Revisão contínua e aprendizado
Protocolos precisam ser revisados quando mudam as orientações oficiais, os fluxos internos, o quadro de pessoal ou as condições da cadeia logística. Reuniões curtas entre produção, qualidade, manutenção, recursos humanos e transporte ajudam a reunir sinais que ficam separados no dia a dia. A experiência acumulada durante a pandemia também pode fortalecer planos para outras emergências.
Ao organizar essas medidas, a indústria de alimentação animal protege pessoas e preserva controles já importantes para a qualidade. O guia do Sindirações oferece uma estrutura de referência; sua aplicação responsável depende de avaliação local, treinamento, registros e diálogo permanente com os responsáveis técnicos e as autoridades competentes.
Conclusão
O enfrentamento da Covid-19 na indústria exige coordenação entre higiene pessoal, limpeza, organização dos espaços, monitoramento, fornecedores e logística. A continuidade do fornecimento de alimentos para animais deve caminhar junto com a proteção dos colaboradores e com o cumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação. Ao transformar orientações em procedimentos claros e revisáveis, as empresas tornam a prevenção mais consistente e fortalecem a resiliência de toda a cadeia.