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Subproduto/coproduto de milho na alimentação animal.

DDG, grãos secos de destilaria de milho, sendo depositado em um cocho

Coproduto de milho na alimentação animal: vantagens do DDG

O coproduto de milho na alimentação animal ganhou espaço à medida que a cadeia do milho passou a se conectar ainda mais à produção de etanol. Nesse processo, o grão deixa de ser visto apenas como ingrediente para ração ou matéria-prima da indústria de alimentos e passa a oferecer também alternativas para a pecuária. Entre elas estão o DDG, o WDG e o DDGS, materiais que podem contribuir para o aproveitamento integral da matéria-prima.

Para o produtor, essa discussão é prática. O coproduto precisa ser entendido, comparado e incluído na dieta com critério. O valor nutricional não depende apenas do nome do insumo: é necessário observar a composição disponível, a umidade, a forma de armazenamento e o equilíbrio com os demais ingredientes. Assim, a oportunidade econômica pode caminhar junto com uma decisão responsável de nutrição.

Por que o milho é tão importante para a nutrição animal?

Assim como a soja, o milho é amplamente utilizado na nutrição animal. No Brasil, o grão tem papel relevante na produção agropecuária, com Mato Grosso entre os principais polos produtores. Sua versatilidade explica parte dessa importância: o milho pode entrar na formulação de rações, na indústria alimentícia e na produção de biocombustíveis.

Essa diversidade também cria uma disputa por usos. O mesmo grão pode seguir para a alimentação humana, para a produção de ração ou para uma usina de etanol. A transformação industrial, porém, não elimina seu potencial para a cadeia de proteína animal. Durante a fabricação do etanol, o amido é direcionado para a obtenção do combustível e os sólidos remanescentes podem ser aproveitados como ingredientes na alimentação de animais.

Esse aproveitamento ajuda a aproximar duas cadeias produtivas. A indústria de biocombustíveis encontra uma destinação para parte dos materiais resultantes do processo, enquanto a pecuária passa a contar com uma fonte alternativa de nutrientes. A adoção, naturalmente, deve considerar a realidade de cada propriedade e a recomendação de um profissional responsável pela formulação da dieta.

DDG, grãos secos de destilaria de milho, sendo depositado em um cocho
O DDG apresenta textura farelada e pode ser utilizado como coproduto na formulação de dietas, conforme a composição e a orientação técnica.

O que são DDG, WDG e DDGS?

A sigla DDG vem do inglês dried distillers grains, expressão traduzida como grãos secos de destilaria. Em termos simples, trata-se do material que resulta depois de etapas industriais da produção de etanol e passa por secagem. O produto final tem características próprias e deve ser avaliado antes de entrar na dieta do rebanho.

O caminho começa com a moagem do milho. Em seguida, ocorre a fermentação, etapa em que o amido é convertido para viabilizar a produção do etanol. Depois vem a destilação, responsável pela separação do combustível. Na sequência, o material pode passar por centrifugação, gerando os WDG, ou grãos úmidos de destilaria.

Quando esses grãos úmidos são submetidos à secagem, obtém-se o DDG. Também é possível adicionar os solúveis, conhecidos como xaropes, aos resíduos. O resultado é o DDGS, ou grãos secos de destilaria com solúveis. Embora as siglas sejam parecidas, a diferença entre os produtos interfere na umidade, na conservação, no transporte e na composição que será considerada pelo nutricionista.

Por isso, não basta afirmar que um produto é “derivado do milho”. A análise do lote e as informações do fornecedor são essenciais para saber qual material está sendo comprado. A propriedade também precisa verificar se há estrutura para receber, armazenar e distribuir o ingrediente sem perdas ou deterioração.

Quais nutrientes tornam o DDG interessante?

O DDG é descrito como um coproduto com alto percentual de proteína. Por esse motivo, pode participar de estratégias que buscam reduzir a dependência de uma única fonte proteica, como o farelo de soja. Isso não significa que a troca seja automática ou que o DDG deva substituir integralmente qualquer ingrediente. A substituição precisa ser calculada de acordo com a exigência do animal e com a composição real do produto disponível.

Outro ponto mencionado para bovinos de corte e leite é a presença de fibra. A fibra participa do funcionamento adequado do rúmen e pode favorecer a digestibilidade quando a dieta é bem balanceada. O efeito observado, entretanto, depende do conjunto da formulação, da qualidade do volumoso, da adaptação dos animais e da forma como o alimento é fornecido.

O processo de produção do etanol também remove parte do amido do milho. Em determinadas formulações para ruminantes, essa característica pode reduzir o risco de acidose ruminal associado ao excesso de amido rapidamente fermentável. A afirmação não deve ser interpretada como garantia de prevenção: a acidose está relacionada ao equilíbrio da dieta, ao consumo e ao manejo, e continua exigindo acompanhamento técnico.

Uso na produção de bovinos de corte e leite

Na pecuária de corte, o coproduto pode ser considerado quando o objetivo é organizar uma fonte de proteína e fibra dentro de uma dieta de terminação ou de outras fases produtivas. O produtor precisa comparar o custo por unidade de nutriente, e não apenas o preço do produto por saco ou por tonelada. Também deve observar transporte, umidade e disponibilidade regional, pois esses fatores alteram o custo efetivo.

Na produção de leite, a mesma lógica se aplica, com atenção adicional às exigências de vacas em diferentes momentos da lactação. A dieta deve sustentar a produção sem desorganizar o consumo de matéria seca, o funcionamento ruminal ou o equilíbrio mineral. Um ingrediente interessante isoladamente pode não ser adequado em excesso ou combinado com outros alimentos de composição semelhante.

A qualidade do manejo é parte do resultado. Cochos limpos, acesso uniforme e rotina de fornecimento ajudam a reduzir variações de consumo. A armazenagem deve proteger o coproduto da umidade e de contaminações. Em qualquer sistema, mudanças na dieta devem ser graduais e acompanhadas pela resposta do lote, sempre com orientação de um médico-veterinário ou zootecnista.

Gado leiteiro se alimentando em cochos de uma instalação moderna
O uso de coprodutos na produção leiteira depende de formulação, manejo do cocho e avaliação da composição do alimento.

O DDG pode ser usado na alimentação de suínos?

Estudos também apontam para a possibilidade de fornecer DDG na alimentação de suínos. A possibilidade amplia o interesse comercial do coproduto, mas não elimina a necessidade de formular a ração para essa espécie. Suínos têm exigências próprias, e fatores como digestibilidade, fibra, energia, aminoácidos e minerais precisam ser considerados de maneira específica.

Na prática, o produtor ou fabricante de ração deve trabalhar com dados do ingrediente e limites adequados para a categoria animal. A qualidade do lote é decisiva: variações na origem do milho e no processo industrial podem alterar o perfil nutricional. O uso deve ser avaliado dentro de um programa de alimentação, e não como uma decisão isolada baseada apenas na promessa de economia.

Quais cuidados evitam desequilíbrios na dieta?

Mesmo com vantagens nutricionais, o fornecimento em quantidade inadequada pode causar excesso de nutrientes. O cuidado citado para o DDG inclui fósforo, cálcio e proteína. O balanceamento precisa considerar o que já está presente no volumoso, nos minerais, no farelo de soja e nos demais componentes da ração.

Esse controle evita que uma fonte concentrada seja adicionada sem revisar a dieta completa. O acompanhamento pode incluir análise bromatológica, observação do consumo, avaliação das fezes, escore corporal e indicadores produtivos definidos pelo responsável técnico. Quando houver dúvida sobre um lote, a decisão mais segura é suspender a inclusão até que a composição seja esclarecida.

Também é importante diferenciar informação técnica de promessa comercial. O DDG não produz ganho de peso milagroso e não substitui o planejamento nutricional. Seu potencial está em integrar uma cadeia de aproveitamento de coprodutos, oferecer nutrientes que podem ser úteis e, em algumas condições, melhorar a flexibilidade de compra de ingredientes.

Como avaliar a compra e a comercialização do coproduto?

Antes de comprar, o produtor deve solicitar a identificação do produto, a composição disponível, as condições de entrega e as orientações de armazenagem. Comparar fornecedores é mais fácil quando todos apresentam informações equivalentes. O custo logístico também merece atenção, principalmente para materiais que podem perder qualidade se forem transportados ou guardados de maneira inadequada.

Para quem vende, a clareza sobre origem, tipo de coproduto e características do lote facilita a negociação. Uma descrição objetiva ajuda o comprador a entender se está diante de DDG, WDG ou DDGS e quais cuidados deverá adotar. A comercialização digital pode aproximar produtores, indústrias e compradores interessados em fontes alternativas de nutrição animal.

Na Agro2Business, é possível apresentar produtos do agronegócio e buscar oportunidades de negociação. Para aprofundar o tema, consulte também o conteúdo sobre fontes alternativas de nutrição animal. A plataforma não substitui a avaliação técnica da dieta, mas pode ser uma ferramenta para conectar oferta e demanda.

Conclusão: aproveitamento com planejamento

O coproduto de milho na alimentação animal representa uma alternativa relevante porque conecta a produção de etanol à pecuária. DDG, WDG e DDGS surgem em diferentes pontos do processamento e apresentam características que precisam ser conhecidas antes do uso. Entre os benefícios considerados estão o teor proteico, a presença de fibra e a possibilidade de reduzir a participação de amido em determinadas dietas de ruminantes.

A decisão final deve ser baseada em análise, manejo e orientação profissional. Com quantidade adequada, armazenamento correto e equilíbrio de fósforo, cálcio, proteína, energia e fibra, o coproduto pode participar de estratégias para bovinos de corte, bovinos de leite e, conforme estudos e formulação específica, suínos. O aproveitamento responsável transforma um material da indústria de biocombustíveis em uma oportunidade para a nutrição animal.

Por Vinicius Ferarezi — 06/11/2020