3 de mar de 2021

Subprodutos e aplicações no agronegócio

Os processos industriais para fabricação dos mais diversos tipos de produtos geram, na maioria dos casos, resíduos, complementos e sobras. Estes são caracterizados como subprodutos e não fazem parte da principal finalidade da produção da empresa

Os processos industriais para fabricação dos mais diversos tipos de produtos geram, na maioria dos casos, resíduos, complementos e sobras. Estes são caracterizados como subprodutos e não fazem parte da principal finalidade da produção da empresa, ou seja, são itens secundários oriundos do processo e não são considerados monetizados. Normalmente são apenas descartados como resíduo. 

O fato é, que há a possibilidade de reaproveitamento desses produtos para os mais diversos fins e, por conseguinte retorno financeiro.  Isso não quer dizer que qualquer sobra pode ser reaproveitada, é importante ressaltar que para ser caracterizado como subproduto é necessário que o material apresente evidências de utilização posterior em outros processos e que não tragam nenhum tipo de risco. 

Estamos falando de matérias-primas base de diversas indústrias, como, por exemplo, de nutrição animal, alimentícia, cosmética, farmacêutica, têxtil, química e outras. Nesse sentido há uma elevada relevância econômica, bem como ambiental, pois ao serem reaproveitados promovem, na prática, o funcionamento do conceito de economia circular.  

O petróleo, por exemplo, é um produto orgânico composto por hidrocarbonetos, o qual, quando processado, resulta em combustíveis, lubrificantes e subprodutos, podendo ser utilizado para obtenção de pigmentos para tintas, plásticos, embalagens, polímeros ou acrílicos, entre outros, ampliando as áreas de atuação das indústrias do setor.  
De acordo com Thiago Mateus, CEO da Agro2Business, há uma movimentação do mercado, ainda que pequena, para uma aproximação e prática do melhor uso desses materiais, principalmente no agronegócio. “Já podemos intitula-los como coprodutos. Isso porque, eles se tornaram no mercado – no aspecto financeiro –  algo rentável, e não apenas como um gasto de descarte”- explica. 

A utilização de fontes alternativas, provenientes especialmente de resíduos e subprodutos da agroindústria, pode ser estratégia importante na ciclagem de elementos essenciais, garantindo o destino adequado de materiais que seriam descartados.  É algo que pode ser melhor aproveitado, apoiando a cadeia produtiva da agropecuária. E quando falamos agropecuária, ela vai desde o adubo no solo até os insumos para nutrição animal. 

Subprodutos e a economia circular

A utilização de subprodutos é muito importante para o mercado como um todo. Mateus ressalta que além da monetização, ou seja, de gerar lucro em algo que seria descartado ou até mesmo explorar melhor as fronteiras comerciais, a indústria deixa de ter uma despesa ao realizar a coleta e descarte adequado desse subproduto para ter uma venda remunerada. “Quando entra para cadeia de nutrição animal, por exemplo, ele se torna um insumo valioso” – enfatiza.

Atualmente, quando pensamos em subprodutos para o agro, podemos destacar o uso de lodo como adubo e os resíduos dos processos da indústria de alimentos para nutrição animal. Tudo que comprove, por meio de estudos, que não irá intoxicar ou atacar o meio ambiente pode ser utilizado, sempre respeitando a regulamentação e normas vigentes.

No caso do lodo, trata-se de um produto muito rico em nutrientes e supervalioso para o solo, para agricultura e para pastagem na pecuária. Mateus explica que o derivado do lodo, após sua análise, é um fortificante poderoso. Para nutrição animal é um aliado, pois o capim com terra adubada fica repleto de vitaminas, e o conteúdo que o lodo pode apresentar é replicável como próprio alimento do gado em si.

“Estamos vendo um movimento, as indústrias estão começando a fabricar o adubo com total interesse no lodo, que até então era pouco visto como um componente essencial para adubação de pasto, solo e também para nutrição animal” – afirma Mateus. Com o seu uso, a empresa consegue ajudar a economia, pensando em multiplicadores, consegue contribuir com o saneamento básico, ou seja, deixa de deixar resíduo no meio ambiente, e com o planeta. Além disso, há várias pesquisas e estudos que indicam que esse produto transcende o segmento da agricultura, isso por que existem lodos com vários tipos de resíduo, como o minério, que com certeza pode ser explorado em vários mercados. 

Há ainda uma questão mais complexa envolvendo o Lodo e o Saneamento Básico. “Quando a gente fala do lodo ainda podemos relaciona-lo ao saneamento, é possível mapear o resíduo orgânico de certos tipos esgotos, como por exemplo de fezes bovina, para ser reaproveitando também. É um ciclo, como diz a própria economia circular. A empresa gera um subproduto que é reutilizado para nutrição animal, resultando em fezes que geram novos subprodutos que podem ser aplicados também. É um benefício como um todo” – destaca o CEO da Agro2Business.

E quando falamos dos resíduos derivados processos da indústria de alimentos, um  conjunto de subprodutos do agronegócio, provenientes de sobras e resíduos das atividades agrícola e agroindustrial, vem ganhando terreno como fontes alternativas para alimentação animal em substituição ou complemento a itens mais tradicionais como milho ou farelo de soja. “É possível utilizar farelo de girassol, trigo e glúten; polpa cítrica; bagaço de cana-de-açúcar, bagaço de laranja; resíduos de cervejaria, entre outros” – afirma Mateus.

Ainda de acordo com ele, este novo cenário vem ganhando força pela forte tendência de elevação no preço do milho e preocupações com relação à oferta, devido à demanda aquecida pelo grão tanto interna quanto externa neste segundo semestre. Além de ser o principal insumo para alimentação de suínos e frangos de corte, o milho também vem sendo cada vez mais utilizado na bovinocultura, com o incremento ano a ano de animais terminados em confinamento.

Segundo a Embrapa, quando existem mais opções de ingredientes, aumentam-se também as chances de atender as exigências nutricionais de rebanhos e plantéis, com a obtenção de respostas positivas no ganho de peso.

“O resido do milho (DPG) é um material bastante interessante para nutrição animal, principalmente por conter uma boa quantidade de proteína, cerca de 30%. O resíduo do milho também pode ser utilizado na fabricação de etanol” – completa Mateus.

O uso de subprodutos oferece ainda uma maior flexibilidade de formulação das dietas, pela disponibilidade e diversidade de alimentos. Sem falar que alguns itens podem conter ingredientes especiais ou complementares aos já existentes, que proporcionam um ajuste na alimentação, possibilitando melhor desempenho dos animais.

Além disso, a maioria dos subprodutos dispensa qualquer tipo de processamento, pois são comercializados em forma adequada ao uso, em farelados ou peletizados, o que representa economia de mão-de-obra e energia.

Nesse sentido é evidente os inúmeros benefícios dos subprodutos. Ajudam o meio ambiente, diminuem o valor da dieta, aumenta o lucro da empresa e ainda tem a vantagem de não competir com a alimentação humana, como no caso do milho. Trata-se de uma tendência e cada vez mais as empresas vão ser cobradas por práticas como essa.

Mas o que falta para mercado utilizar subprodutos?

Aparentemente tudo parece muito fácil, usar subprodutos e garantir inúmeras vantagens, mas segundo Mateus, a situação não é tão simples assim. Há duas questões que atrapalham o desenvolvimento desse setor, e não estamos falando de problemas isolados e sim da base, do fundamento para que todo esse mercado funcione.

A primeira delas está relacionada a falta de informação e conhecimento de toda cadeia produtiva. As empresas muitas vezes não sabem o que fazer com os resíduos e que é possível obter retorno financeiro com isso, outras apenas continuam no modelo tradicional. Segundo o CEO da Agro2Business, o acesso a informação vai trazer um futuro, a médio prazo, muito rico em questão de fontes alternativas, principalmente para nutrição animal. 

“De fato, será percebido que cada vez mais serão necessários alimentos e as fontes alternativas. Não dá para achar que os animais serão tratados como era antigamente, com soja e milho direto, sabendo que algo que ficou numa sobra tem tanto nutriente quanto do que o próprio produto” – afirma Mateus.   

A segunda questão, tão importante quanto a primeira, traz o paradigma da Consciência e do Comodismo. O retorno financeiro existe, mas não será algo que vai mudar o faturamento da empresa, então para que buscar novas alternativas?

A maioria prefere ficar do jeito que estão: alguém especializado faz a coleta dos resíduos, é pago e pronto. Está faltando enxergar um valor, que não é só financeiro, nesses subprodutos. 

“Da forma como vem sendo feito hoje não está errado, pelo contrário é um descarte correto e dentro das normas, mas existem alternativas melhores” – enfatiza Mateus. Para ele, o grande ponto é a burocracia. Todas as empresas têm suas características e regras, o famoso termo de compliance. Para fazer algo diferente e mudar é necessário, além de alterar esses termos, gastar energia, tempo, dinheiro e estar disposto a isso. Nesse sentido ainda é preferível utilizar os mecanismos já usuais no mercado e padronizado pela ordem de compliance interna, do que tentar o novo. 

Infelizmente para grandes empresas o maior peso é em torno do retorno financeiro. “Se a população não exigir das indústrias uma inclinação para economia circular e não houver essa conscientização, isso dificulta bastante o desenvolvimento do setor de subprodutos. Do lado do consumidor, o desafio é a questão do conhecimento e da informação acessível. Ainda há muita dúvida” – completa Mateus. 

Assim como todo novo processo de inovação há demanda de tempo e há mudanças. Os novos modelos exigem uma dedicação e novas regras de negócio, não dar espaço para isso atrasa esse novo modelo de comercializar algo que ainda não é visto como benéfico e lucrativo. 


Contato da empresa:
Agro2Business:
 www.agro2business.com

https://www.revistatae.com.br/Artigo/687/subprodutos-e-aplicacoes-no-agronegocio

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