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Tecnologias em Nutrição Animal: Produtividade Sustentável

Infográfico sobre cinco pilares da nutrição sustentável em vacas leiteiras: equilíbrio oxidativo, uso eficiente de nutrientes, saúde óssea, uso responsável de antibióticos e cuidado com o meio ambiente.

Tecnologias em nutrição animal: aumento sustentável na produtividade

No campo, ganhar eficiência não é mais opcional: depende cada vez mais da adoção de novas tecnologias em nutrição animal, que podem contribuir para uma produtividade mais sustentável sem abrir mão da segurança alimentar e da responsabilidade ambiental.

Estima-se que, em 2050, a população mundial chegue a aproximadamente 9,7 bilhões de pessoas. Para alimentar esse contingente, a produção de produtos de origem animal precisará crescer cerca de 70% — e tudo isso dentro dos limites do nosso planeta. Nesse cenário, os animais ruminantes desempenham um papel-chave: convertem pastagens e outras plantas forrageiras em alimentos de alto valor nutritivo, como o leite e a carne. Esse equilíbrio dialoga diretamente com o conceito de sustentabilidade, que busca o ponto de equilíbrio entre suprir as necessidades humanas e preservar os recursos naturais, sem comprometer as próximas gerações. No dia a dia, porém, pensar em sustentabilidade não é simples — é um conceito que parece pouco tangível, sobretudo na pecuária de leite. Na prática, ela está ligada ao uso eficiente dos recursos naturais, à alta produtividade da vaca ao longo de toda a sua vida, à redução dos gases de efeito estufa, à redução do uso de antibióticos e ao menor desperdício de alimentos — neste caso, o leite.

Fases críticas do ciclo produtivo e os pilares da sustentabilidade nutricional

O ciclo produtivo de uma vaca tem muitas particularidades, e entendê-las fica mais fácil quando o dividimos em fases. Tudo começa na fase de bezerra, um período crítico que exige cuidados redobrados para garantir o crescimento adequado do animal. Em seguida vem a fase de transição — por volta de três semanas antes do parto até três semanas depois —, marcada por diversas alterações fisiológicas e hormonais que aumentam o estresse oxidativo e fragilizam a saúde da vaca. Depois começa a fase de lactação, na qual se espera que o animal expresse seu máximo potencial produtivo por aproximadamente mais 284 dias. É justamente aqui que a nutrição entra como ferramenta para enfrentar esses desafios dentro dos conceitos de sustentabilidade: o objetivo é ter uma vaca longeva, com máxima performance produtiva ao longo de toda a vida. Para isso, cinco pontos-chave podem ser trabalhados: 1) melhorar o balanço oxidativo das vacas, ou seja, diminuir a produção de peróxidos e radicais livres quando em excesso; 2) melhorar a utilização dos nutrientes da dieta; 3) promover um melhor desenvolvimento do esqueleto; 4) produzir leite livre de antibióticos; e 5) respeitar o meio ambiente (Figura 1).

Infográfico sobre cinco pilares da nutrição sustentável em vacas leiteiras: equilíbrio oxidativo, uso eficiente de nutrientes, saúde óssea, uso responsável de antibióticos e cuidado com o meio ambiente.
Os cinco pilares da nutrição sustentável em vacas leiteiras.

Suplementação mineral e vitamínica contra o estresse oxidativo

Vitamina E no controle e na redução da mastite

Vitaminas e minerais atuam de forma ativa no metabolismo oxidativo do animal: fazem parte de um sofisticado sistema antioxidante que impede a formação excessiva de radicais livres, prejudiciais à meia-vida da célula imune. Por isso, a suplementação com minerais e vitaminas é importantíssima para a saúde da vaca. Um exemplo clássico é a vitamina E, considerada o antioxidante mais potente da natureza e especialmente associada à redução da mastite. O estudo de Bill Weiss et al. (1997) comprovou uma redução de 11,8% no número de casos de mastite clínica em vacas que receberam suplementação com vitamina E (1000 UI no período seco, 4000 UI 14 dias antes do parto e 2000 UI no início da lactação). O mesmo estudo (Weiss et al., 1997) constatou que vacas com nível plasmático de vitamina E (α-tocoferol) abaixo de 3,0 mg/ml tinham 9,4 vezes mais chances de manifestar mastite clínica no início da lactação. A mastite é uma das doenças que mais geram prejuízo na pecuária leiteira. Considerando um rebanho de cerca de 3 milhões de vacas especializadas na pecuária brasileira, com uma taxa de mastite clínica de 25% e uma perda de 150 kg na produção de leite por vaca (referentes a 5 dias de descarte pelo uso de antibiótico), o resultado seria de 112,5 milhões de litros de leite perdidos. A suplementação vitamínica e mineral adequada, integrada ao manejo sanitário e ao acompanhamento profissional, pode contribuir para reduzir a incidência de mastite, o desperdício de alimentos e o uso de antibióticos, além de promover o bem-estar da vaca e melhorar a rentabilidade do produtor de leite.

O papel do betacaroteno na saúde reprodutiva

Outra vitamina que melhora o balanço oxidativo é o betacaroteno, também chamado de vitamina da fertilidade. Essa pró-vitamina A atua no nível dos ovários, diminuindo a formação de radicais livres, melhorando a produção de hormônios e, assim, as taxas reprodutivas — outro ponto crítico para uma produção de leite sustentável. O estresse oxidativo afeta a qualidade do oócito e o desenvolvimento do embrião (De Bie et al., 2016), e estima-se que cerca de 40% dos embriões morram antes de 14 dias após a fertilização. Em seu estudo, Bian et al. (2007) comprovaram que a suplementação de betacaroteno dos 21 dias pré-parto até os 70 dias em lactação reduziu o número de abortos de 10% para zero, além de aumentar a taxa de concepção em 12 pontos percentuais. O desempenho reprodutivo do rebanho leiteiro afeta muito a rentabilidade do produtor, pois interfere negativamente nas taxas de reposição e nos intervalos entre partos, os quais, quando muito longos, diminuem a produção média de leite do rebanho.

Aditivos e enzimas para otimização alimentar

Outro tópico de extrema importância é a eficiência na utilização dos nutrientes da dieta para a produção de leite. Com esse objetivo, os aditivos zootécnicos — em especial as enzimas — merecem destaque. Como o amido é uma das fontes energéticas mais importantes para vacas leiteiras, o uso da enzima amilase tem se intensificado: ela melhora o aproveitamento do amido para a produção de leite de forma mais eficiente. Estudos já reportaram aumento na digestibilidade da dieta (matéria seca e FDN; Klingerman et al., 2009), aumento na produção de leite (de 700 g a 3,6 kg) e melhora na eficiência alimentar das vacas (Andreazzi et al., 2018; Klingerman et al., 2009). Aproveitar melhor os nutrientes permite produzir mais e de modo mais eficiente, o que está em conformidade com o conceito de sustentabilidade, além de proporcionar aumento na rentabilidade do produtor.

Óleos essenciais como alternativa ao uso de antibióticos

Também é crescente, em âmbito mundial, a preocupação com o uso de antibióticos na nutrição animal, por conta do risco de desenvolvimento de resistência microbiana. Com isso, as cadeias de produtos de origem animal precisam estar preparadas para atender à demanda por carne e leite produzidos com menor uso — ou livres — de antibióticos. Nesse contexto, surgiram alternativas como os óleos essenciais e as leveduras. Os óleos essenciais são compostos extraídos de plantas que, nas vacas, atuam modulando a fermentação ruminal, de modo a otimizar a ação e a saúde do rúmen. O uso de óleos essenciais na dieta de ruminantes favorece o desenvolvimento dos microrganismos mais eficientes no rúmen, de modo que há um melhor uso de proteína e energia da dieta e, consequentemente, uma melhora na produção e na composição do leite. Os óleos essenciais não são classificados como antibióticos pela União Europeia e, por isso, são uma alternativa viável para produzir leite e carne com utilização mais eficiente de nutrientes e livre de antibióticos. Em uma metanálise, Tassoul e Shaver (2008) comprovaram aumento na produção de leite (+900 g) e maior produção de gordura e proteína com o uso de óleos essenciais na dieta de vacas em lactação. Quando utilizados no período de transição em associação com a biotina, os óleos essenciais promovem uma melhora no metabolismo energético, prevenindo a perda de peso pós-parto, além de melhorar a produção de leite corrigida (Hausmann et al., 2018).

Suporte ao metabolismo de cálcio com a 25-hidroxivitamina D3

Na pecuária leiteira, principalmente em rebanhos de alta produção, é preciso monitorar constantemente as doenças do período de transição, que muitas vezes levam ao descarte precoce de animais. Parte desse problema pode estar relacionada ao metabolismo de cálcio da vaca: logo após o parto, aumentam as necessidades de cálcio para a produção de colostro e de leite, o que eleva a demanda por cálcio mobilizado a partir dos ossos. Repetida a cada parto, essa mobilização provoca uma queda gradativa nas reservas corporais desse mineral. Uma das principais ferramentas para reduzir esse problema é o fornecimento de 25-hidroxivitamina D3 na dieta das vacas — uma forma mais ativa de vitamina D3 que aumenta a retenção de cálcio e fósforo nas vacas (McGrath et al., 2012). Quando utilizada no período de 21 a 30 dias antes do parto, a 25-hidroxivitamina D3 melhora o metabolismo do cálcio, permitindo que a vaca inicie a lactação com mais saúde e produzindo mais leite. Estudos têm demonstrado aumento na produção de leite de até 4 kg por dia e redução de doenças no início da lactação com o uso dessa tecnologia (Martinez et al., 2018), contribuindo também para um melhor desenvolvimento do esqueleto e o bem-estar animal.

Integração tecnológica: a linha Bovigold da DSM

A DSM reuniu toda essa tecnologia nos produtos da linha Bovigold. Nela você encontra as vitaminas da DSM — incluindo o betacaroteno e a biotina —, os minerais Tortuga, o blend de óleos essenciais Crina Ruminants, a enzima α-amilase Ronozyme RumiStar e a 25-hidroxivitamina D3, comercializada com o nome HyD. A linha Bovigold foi desenvolvida para atender às exigências de todas as fases de vida do animal, nos diversos sistemas de produção, sempre com o objetivo de melhorar a rentabilidade de forma sustentável.

Referências

Andreazzi, A. S. R., Pereira, M. N., Reis, R. B., Pereira, R. A. N, Morais Júnior, N. N., Acedo, T. S.,  Hermes, R. G., Cortinhas, C.S., 2018. Effect of exogenous amylase on lactation performance of dairy cows fed a high-starch diet. J. Dairy Sci. 101:7199-7207.

Bian, S. B., R. Elliott, I. Immig, and D. F. Sun. 2007. The influence of beta-carotene supplementation on post-partum disease and subsequent reproductive performance of dairy cows in China. J. Anim. Feed Sci. 16(Suppl. 2):370–375.

De Bie, J., Langbeen, A., Verlaet, A. A. J., Florizoone, F., Immig, I., Hermans, N., Fransen, E., Bols, P. E. J., Leroy, J. L. M. R., 2016. The effect of a negative energy balance status on β-carotene availability in serum and follicular fluid of nonlactating dairy cows. J. Dairy Sci. 99:5808–5819.

Klingerman, C. M., W. Hu, E. E. McDonell, M. C. DerBedrosian, L. Kung. 2009. An evaluation of exogenous enzymes with amylolytic activity for dairy cows. J. Dairy Sci. 92:1050–1059.

Hausmann, J., Deiner, C., Patra, A. K., Immig, I., Starke, A., and Aschenbach, J. R., 2018. Effects of a combination of plant bioactive lipid compounds and biotin compared with monensin on body condition, energy metabolism and milk performance in transition dairy cows. PLoS One 13:e0193685.

McGrath, J. J., Savage, D. B., Nolan, J. V., Elliott, R., 2012. Phosphorus and calcium retention in steers fed a roughage diet is influenced by dietary 25OH-vitamin D. Anim. Prod. Sci. 52:636–640.

Martinez, N, Rodney, R. M., Block, E, Hernandez, L. L., Nelson, C. D., Lean, I. J., Santos, J. E. P., 2018. Effects of prepartum dietary cation-anion difference and source of vitamin D on dairy cows: Lactation performance and energy metabolism. J. Dairy Sci. 101:2544-2562

Tassoul, M. D., Shaver, R. D., 2008. Efficacy of Essential Oils as Dietary Supplements for Dairy Cows. In Proc. 6th Mid-Atlantic Nutrition Conf. Timonium, MD. N. G. Zimmermann, ed., Univ. Maryland, College Park.

Weiss, W. P., Hogan, J. S., Todhunter, D.A., Smith, K. L., 1997. Effect of vitamin E supplementation in diets with a low concentration of selenium on mammary gland health of dairy cows. J Dairy Sci. 80:1728–1737.

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