Farelo de amendoim: incrível fonte de proteína para alimentação animal

Farelo de amendoim: incrível fonte de proteína para alimentação animal
O farelo de amendoim é um coproduto com papel relevante na formulação de dietas para animais. Rico em proteína e com potencial energético, ele ganhou espaço nas discussões sobre alternativas ao farelo de soja, especialmente quando os preços dos insumos pressionam o custo da produção. A decisão, porém, precisa considerar a composição do lote, a finalidade da dieta, a qualidade do armazenamento e a orientação de um profissional de nutrição animal.
Para entender melhor esse ingrediente, vale separar expectativa de evidência. O farelo pode complementar a dieta de bovinos de corte e de leite, mas não é um substituto automático para todos os componentes da ração. A proporção adequada depende do equilíbrio entre proteína, energia, fibra, minerais e demais ingredientes. Neste artigo, reunimos a origem do coproduto, seus dados nutricionais, resultados de pesquisa, vantagens econômicas e cuidados sanitários.
O que é o farelo de amendoim?

O farelo de amendoim surge durante a extração do óleo da semente. Depois que o amendoim é esmagado, permanecem coprodutos como a casca e a torta. A torta é a massa residual que fica após a retirada do óleo; quando processada e desagregada, dá origem ao farelo utilizado na alimentação animal.
O modo de processamento influencia o produto final. Há farelo derivado de torta de amendoim descascado e também material obtido de vagens inteiras, com a casca. Essa diferença pode alterar o teor de fibras, a textura e a concentração de nutrientes. Por isso, a descrição comercial e a análise do lote são tão importantes quanto o preço por quilo.
O interesse pelo ingrediente está ligado ao seu alto teor proteico e à possibilidade de aproveitar um resíduo da indústria de óleo. Como outras fontes alternativas, ele pode ajudar a diversificar a compra de insumos e reduzir a dependência de uma única matéria-prima. O tema também é discutido em conteúdos sobre eficiência da utilização de resíduos do amendoim na alimentação animal.
Como utilizar na alimentação de bovinos?
Por oferecer proteína degradável no rúmen, o farelo de amendoim pode entrar em dietas de bovinos de corte e de leite como complemento proteico. No rúmen, a fração degradável fica disponível para as bactérias que participam da fermentação. A resposta do animal, contudo, depende da dieta inteira: é preciso fornecer energia fermentescível em quantidade compatível para que os microrganismos aproveitem o nitrogênio disponível.
É possível substituir parte do farelo de soja em determinadas formulações, desde que a troca seja calculada com base na matéria seca, na proteína e na energia. A substituição parcial do milho exige ainda mais critério, pois o amido é um nutriente importante e não deve ser retirado sem que a dieta seja reequilibrada. Em outras palavras, o farelo de amendoim é principalmente uma fonte proteica; ele não elimina a necessidade de fontes energéticas como milho, sorgo, polpa cítrica ou outros coprodutos adequados.
O primeiro passo é definir o objetivo produtivo. Uma dieta para vacas em lactação tem exigências diferentes de uma dieta de terminação de bovinos de corte. O segundo é conhecer o lote: matéria seca, proteína bruta, fibra, extrato etéreo, minerais e possíveis contaminantes. Com essas informações, o zootecnista, o veterinário ou o nutricionista consegue estabelecer a inclusão e avaliar a relação custo-benefício.
O que dizem os dados de composição nutricional?
Os valores apresentados no banco CQBAL 4.0 ajudam a visualizar o potencial do ingrediente. Na amostra de referência, o farelo tem 89,41% de matéria seca, 94,69% de matéria orgânica e 56,74% de proteína bruta, todos os valores expressos na base indicada pela tabela. A proteína degradável no rúmen aparece com 82,01%, enquanto a proteína não degradável no rúmen é de 17,99%.
| Variável | Valor (%MS) |
|---|---|
| Matéria seca (MS) | 89,41 |
| Matéria Orgânica (MO) | 94,69 |
| Proteína Bruta (PB) | 56,74 |
| Proteína Insolúvel em Detergente Neutro (PIDN/MS) | 2,14 |
| Proteína Insolúvel em Detergente Ácido (PIDA/MS) | 1,24 |
| Proteína Não degradável no Rúmen (PNDR) | 17,99 |
| Proteína Degradável no Rúmen (PDR) | 82,01 |
| Fibra Insolúvel em Detergente Neutro (FDN) | 13,08 |
| Fibra Insolúvel em Detergente Ácido (FDA) | 10,84 |
| FDN corrigida para cinzas e proteínas (FDNcp) | 14,27 |
| Extrato Etéreo (EE) | 1,28 |
| Matéria mineral (MM) | 5,06 |
| Energia Bruta (EB) | 4,70 |
| Amido | 12,29 |
Além da proteína, a tabela registra 13,08% de fibra em detergente neutro, 10,84% de fibra em detergente ácido, 1,28% de extrato etéreo e 12,29% de amido. Esses números não devem ser tratados como uma garantia para todos os lotes: variedade, descascamento, extração do óleo, umidade e processamento podem mudar a composição. A análise laboratorial do produto adquirido é, portanto, uma etapa de segurança técnica.
Farelo de amendoim ou farelo de soja?

A comparação com a soja deve ser feita com cuidado. Na referência apresentada, o farelo de amendoim tem 56,74% de proteína bruta, 13,08% de FDN, 1,28% de extrato etéreo e 82,01% de PDR. Para o farelo de soja, os valores comparativos são 49,9% de proteína bruta, 14,9% de FDN, 1,6% de extrato etéreo e 70,3% de PDR. A tabela usa CQBAL 4.0 para o amendoim e valores baseados no NRC 2001 para a soja.
Uma pesquisa publicada na revista Tropical Animal Health and Production analisou a substituição do farelo de soja pelo farelo de amendoim na dieta de gado leiteiro em confinamento. Conforme o material de referência, a troca reduziu o custo da alimentação sem afetar a produção de leite nem a concentração de sólidos totais no contexto estudado. O resultado é relevante, mas deve ser interpretado como evidência de uma formulação específica, e não como autorização para substituir ingredientes sem cálculo.
Na prática, a escolha depende do preço entregue na propriedade, da disponibilidade, do padrão nutricional e do desempenho esperado. A soja pode ser mais familiar ao sistema e ter oferta regular; o amendoim pode ser vantajoso em períodos de alta dos grãos. A melhor resposta é a que mantém a dieta equilibrada e o custo por unidade de nutriente sob controle.
Quais são as vantagens para a engorda?

Em dietas de engorda, o farelo de amendoim pode contribuir com proteína rapidamente disponível no rúmen e apoiar dietas de maior densidade energética. O efeito esperado é indireto: o ingrediente fornece nutrientes que participam do funcionamento ruminal e do ganho de peso, mas o resultado depende do consumo, da saúde do rebanho, da energia total e do manejo.
- Tem elevado teor de proteína bruta na amostra de referência, acima de 55%.
- Apresenta proporção expressiva de proteína degradável no rúmen.
- Pode diversificar a compra de ingredientes e reduzir a exposição às oscilações de soja e milho.
- Permite aproveitar um coproduto da extração de óleo.
- Pode ser encontrado em diferentes apresentações, como farelo ensacado e peletizado.
Também existem limites. O farelo não deve ser usado como se fosse uma ração completa, e o excesso de proteína ou de gordura pode desequilibrar o programa alimentar. A inclusão precisa respeitar a recomendação técnica; no conteúdo original, a orientação apresentada é não ultrapassar 25% de farelo na formulação. Essa referência deve ser revisada pelo profissional responsável para o caso concreto e para a composição real do lote.
Como comprar e escolher o lote?
A disponibilidade do amendoim é concentrada em regiões produtoras, com destaque para São Paulo, que no material de origem é apontado como responsável por mais de 90% da produção brasileira. Mesmo quando a propriedade está distante, um marketplace pode facilitar a busca por diferentes lotes. A Agro2Business reúne ofertas e informações para apoiar essa pesquisa.
Antes de fechar a compra, confira a origem, a forma de processamento, a quantidade de casca, a umidade, o teor de proteína, a apresentação, o tamanho do lote, o preço por quilo e as condições de entrega. Há opções de farelo de resíduo do amendoim, farelo ensacado e farelo peletizado, com características e preços que podem variar.
- Acesse o marketplace e pesquise pelo produto.
- Leia a descrição completa do lote e verifique as características nutricionais.
- Confirme quantidade, endereço, forma de recebimento e dados fiscais; o cadastro pode ser feito pela página de registro.
- Compare ofertas e, antes da compra, converse com o responsável técnico pela dieta.
Quais cuidados sanitários são indispensáveis?

O armazenamento merece a mesma atenção dedicada à formulação. O farelo deve ficar protegido de umidade, calor excessivo, infiltrações, pragas e contato direto com o piso. O galpão precisa ser limpo, ventilado e organizado, com controle de entrada e saída dos lotes. Sacos danificados, cheiro alterado, empedramento ou sinais de mofo são motivos para interromper o uso e solicitar avaliação.
O fungo Aspergillus flavus pode favorecer a contaminação por aflatoxinas em matérias-primas como amendoim, soja, algodão e milho. A prevenção depende de boas condições de secagem, transporte e armazenagem, além de análises quando houver suspeita ou exigência do programa de controle. A ANVISA publicou limites máximos toleráveis para micotoxinas na RDC nº 7/2011. O material também cita a Portaria MAPA de 7 de novembro de 1988, com referência ao limite de 50 µg/kg para aflatoxinas em ração ou matéria-prima destinada aos animais.

O farelo de soja também exige armazenamento correto e balanceamento. Tanto ele quanto o farelo de amendoim devem ser incluídos em proporções adequadas, sem excesso de proteína ou gordura. A recomendação mais segura é trabalhar com laudo, registrar a entrada de cada lote e buscar orientação de veterinário, zootecnista ou nutricionista animal.
Custo-benefício e decisão final
O custo-benefício não é apenas o preço da tonelada. É necessário comparar o custo por unidade de proteína e energia, o frete, as perdas no armazenamento, a qualidade do lote e o desempenho do rebanho. O texto de referência registra preços históricos de R$ 860,00 a R$ 1.200,00 por tonelada para o farelo de amendoim e de R$ 2.500,00 a R$ 3.000,00 para o farelo de soja, com variação conforme o teor de proteína e o mercado. Esses valores não devem ser tratados como cotação atual.
Em síntese, o farelo de amendoim é uma alternativa proteica promissora para bovinos de corte e de leite. Seus dados de composição, a pesquisa sobre substituição do farelo de soja e a possibilidade de compra em diferentes apresentações justificam a avaliação. A decisão correta combina análise laboratorial, formulação profissional, controle sanitário e comparação econômica. Assim, o coproduto pode contribuir para uma dieta eficiente sem transformar uma vantagem potencial em risco nutricional.