Resíduo de biscoito na alimentação animal

Resíduo de Biscoito na Nutrição Animal: Qualificação, Lote e Conservação
O resíduo da indústria de biscoitos e massas alimentícias é um coproduto energético de elevada digestibilidade, composto por quebras de produção, aparas de massas, produtos fora de especificação dimensional e sobras de embalamento primário. Trata-se de um ingrediente denso em carboidratos solúveis e extrato etéreo, muito utilizado na formulação de rações para suínos, bovinos em confinamento e suplementos energéticos de alto desempenho.
1. Origem e Processo de Obtenção
Originado nas linhas de assamento e embalagem de indústrias alimentícias, o resíduo de biscoito reúne farinha de trigo refinada, açúcares, gordura vegetal, amido e sal. Na fábrica de origem, as aparas passam por trituração e desidratação parcial antes do ensaque ou expedição a granel, resultando em uma mistura homogênea de granulometria fina a média.
2. Identificação e Documentação de Lote
Como se trata de um coproduto proveniente de alimentos para consumo humano, o rigor com a rastreabilidade é total. O comprador deve exigir o documento de lote e o certificado de garantia da indústria geradora, atestando que a matéria-prima está 100% isenta de resíduos de embalagens plásticas, papelão, metais ou qualquer agente estranho ao processo de moagem.
3. Ficha Técnica e Laudo de Bromatologia
A composição bromatológica do resíduo de biscoito varia conforme o mix de produção da fábrica (biscoitos recheados, salgados ou doces). Por isso, o laudo bromatológico atualizado de cada lote é indispensável. Os itens de maior atenção incluem:
- Extrato Etéreo (EE): Pode variar de 8% a 15%, proporcionando alta densidade energética à dieta.
- Carboidratos Não Fibrosos (CNF) e Amido: Apresenta altos teores de amido gelatinizado de rápida degradação ruminal e intestinal.
- Sódio (Na): Em lotes predominantemente salgados, o teor de sódio pode ser elevado, exigindo reajuste do sal mineral no concentrado.
- Matéria Seca (MS): Produto extremamente seco, com MS habitualmente superior a 90%.
4. Conservação, Armazenamento e Transporte
O transporte do resíduo de biscoito triturado deve ocorrer em carretas fechadas ou Big Bags herméticos. Devido ao alto teor de gordura e açúcar, o produto é suscetível ao ranço oxidativo e à atração de insetos e pragas urbanas se armazenado inadequadamente. Na fazenda, deve ser mantido em local fresco, coberto, sob paletes e com rotação rápida de estoque (sistema FIFO: primeiro que entra, primeiro que sai).
5. Comparação Responsável de Fornecedores
Ao cotar o resíduo de biscoito no mercado de coprodutos, é essencial comparar o custo por Mcal de energia metabolizável colocada no cocho. A análise deve ponderar o grau de moagem do insumo, a ausência garantida de impurezas e a estabilidade do fluxo de fornecimento da planta industrial vendedora.
6. Avaliação por Profissional Habilitado
A substituição do milho ou outros cereais pelo resíduo de biscoito deve ser estritamente calculada por um zootecnista ou médico veterinário. Em ruminantes, devido à altíssima velocidade de fermentação do amido gelatinizado, a inclusão excessiva ou desbalançada pode induzir acidose ruminal subclínica. O profissional estabelecerá a taxa de substituição segura e os tampões necessários para garantir máxima eficiência nutricional.