31 de jul de 2023

Gado de Leite: Características, Manejo e Perspectivas para o Setor

O Gado de leite é uma das grandes apostas da pecuária brasileira e isso se comprova pela posição da produção leiteira no ranking mundial. Nosso país já se encontra entre os 10 maiores produtores de leite do mundo. 

O Brasil já comparece em sexto lugar nos rankings de organizações internacionais, como a FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) e a Statista  – Plataforma internacional especializada em coleta de dados. 

Portanto, se a produção de leite for o seu ramo de agronegócio, fique atento e ganhe muito conhecimento proveitoso, para fazer crescer ainda mais sua propriedade. E já que estamos aqui para falarmos disso, que tal começar nossa conversa lembrando as várias categorias de gado de leite mais comuns no Brasil?

Categorias do gado de leite

Existem várias raças de gado de leite em todo o mundo, cada uma delas conta com suas próprias particularidades. Algumas são as mais comumente encontradas globalmente. Entre elas estão as descritas abaixo. 

Holandesa (Holstein)

O gado Holandês, raça holandesa ou Holstein, é uma das raças mais comuns e predominantes em muitos países. É uma linhagem conhecida por sua alta produção de leite, corpo robusto e pelagem predominantemente branca e preta.

A raça Holandesa é muito comum no Sul do Brasil, onde consegue superar sua dificuldade de adaptação a climas muito quentes. Os primeiros indivíduos desta linhagem chegaram por aqui na época das Capitanias Hereditárias, entre 1530 e 1535.

É uma raça bastante utilizada em cruzamentos, onde entra como matriz capaz de transmitir para outras gerações, seu gene altamente expressivo para a produção de leite.

Sendo assim, a raça holandesa contribui para otimizar os índices de produção leiteira do Brasil, pois, vem dela grande parte do material genético importado para cá.

Jersey

O gado Jersey é reconhecido por sua pelagem castanha que varia desde um pardo claro até um amarelado mais escuro.  Embora produza menos leite em volume do que a raça Holandesa, a Jersey tem a vantagem de contribuir com uma alta concentração de sólidos no leite, como gordura e proteína. Este fato a torna preferida por muitos criadores, como gado de leite. 

Pardo-Suíço 

O gado Pardo-Suíço, também conhecido como Pardo-Alpino, é uma raça nativa da Suíça. É um tipo de gado que apresenta uma pelagem amarronzada, com tons que vão desde o claro até o mais escuro. Essa raça é utilizada tanto para produção de leite, quanto para outros serviços rurais, devido à sua resistência e adaptação a diferentes condições climáticas.

Ayrshire

O gado Ayrshire é originário da Escócia e é conhecido por sua pelagem avermelhada com manchas brancas. Essa raça é valorizada pela eficiência alimentar, adaptabilidade e capacidade de produzir leite com bons teores de sólidos.

Guernsey

O gado Guernsey é nativo da Ilha de Guernsey, no Canal da Mancha. Eles têm uma pelagem onde predomina o amarelo, sendo as extremidades de cor branca. Essa raça é conhecida por produzir leite rico, com alta concentração de gordura. É um leite repleto de sólidos, como o betacaroteno, que lhe confere uma tonalidade dourada. Os animais Guernsey têm tamanho médio e são valorizados por sua eficiência alimentar.

Normando

O gado Normando, originário da região da Normandia, na França, é conhecido por sua pelagem branca e manchas avermelhadas ou marrons. Essa raça é valorizada por sua adaptabilidade a diferentes sistemas de produção e pela capacidade de produzir leite com alto teor de gordura e proteína.

Simental

A raça Simental vem de regiões alpinas da Suíça, Áustria e Alemanha.

Sua pelagem costuma ser avermelhada ou marrom com manchas brancas na face e nas extremidades.  Seu leite conta com teores médios de gordura e proteína. A produção pode ser alta, dependendo, porém, da seleção genética.

Os animais desta raça se adaptam bem a diferentes condições climáticas e sistemas de manejo. Também são considerados bons para atividades nas áreas agrícolas.

Girolando

Girolando é uma raça brasileira desenvolvida a partir do cruzamento entre o gado Holandês e o Gir, uma raça zebuína. Entre suas características estão a alta capacidade produtiva, a rusticidade, a precocidade e a boa fertilidade. Mas, não é só isso, pois, os animais da linhagem também são reconhecidos pela ótima capacidade de adaptação a climas diferentes e a variadas formas de manejo.

Vale acrescentar que nem de longe são apenas estas as raças de gado de leite espalhadas pelo mundo. Existem muitas outras e, portanto, saber fazer opção pela mais adequada fica cada dia mais relevante.

Um dos aspectos que tem despertado interesse no contexto da escolha das raças leiteiras é a seleção genética. Hoje em dia, existe uma preocupação geral em optar por um gado leiteiro de boa linhagem, com o objetivo final de aumentar a produtividade. 

Portanto, é bom que você conheça um pouco sobre Seleção Genética, que é uma ferramenta usada para pôr em prática o Melhoramento Genético empregado no gado de leite.

Seleção Genética no Gado de Leite

A seleção genética no gado de leite é um processo pelo qual os criadores selecionam os melhores animais para reprodução. A seleção é feita com base em suas características genéticas, sendo escolhidas as mais desejáveis. Isso significa que são priorizadas as características mais importantes para a pecuária, como por exemplo, a capacidade de melhorar a produção de leite.

O objetivo é aumentar a eficiência da produção, assim como otimizar a qualidade do leite e a resistência dos animais a prováveis patologias. Outro fator muito buscado é a melhora da conformação física da futura geração.

Vale acrescentar que a seleção genética possibilita que bovinos com os melhores valores genéticos sejam escolhidos para reprodução, transmitindo, assim, suas características positivas para os descendentes, que formarão rebanhos futuros.

Nesse caso, os melhores touros são utilizados para que as melhores fêmeas possam dar à luz a crias com características melhores e mais desejáveis.

Muito se discute, ainda, sobre a seleção genética no gado de leite, porém, já está constatada a eficiência da prática. Segundo a Embrapa, as pesquisas em melhoria genética trouxeram ricas contribuições para revolucionar a pecuária do Brasil. 

A instituição cita como exemplo, a introdução das raças zebuínas na região central do Brasil, sendo notória a expansão trazida à região, assim como sua evolução no contexto do melhoramento genético. 

Hoje em dia, mais e mais avanços ocorrem por ali, como por exemplo, desenvolvimento de técnicas de fecundação in vitro, embriologia bovina e clonagem. 

A Embrapa afirma ainda, que a evolução foi tanta que atualmente o Brasil é cotado entre os mais expressivos exportadores de sêmem. Segundo informam, nosso país passou de importador de bois para exportador de genética superior. 

Falar em seleção genética nos remete ao ciclo reprodutivo das vacas, um aspecto bastante significativo dentro deste mesmo contexto. Por isso, vale relembrar como ocorre e sua estreita relação com o melhoramento genético.

Ciclo reprodutivo das vacas leiteiras

O ciclo reprodutivo das vacas leiteiras é composto por diferentes fases e eventos que ocorrem em intervalos regulares. Veja, abaixo, a descrição de cada fase.

Estro (Também conhecido por Cio)

O estro é onde tudo começa. Trata-se do período em que a vaca está receptiva à monta pelo touro. Este estado de máxima receptividade sexual, onde as vacas estão prontas para aceitar a monta dura em torno de 12 a 18 horas. 

Durante o estro ou cio a vaca manifesta comportamentos característicos. São muito comumente observadas condutas como: agitação, pouco apetite, monta em outras companheiras fêmeas, mugidos e elevação do rabo quando este é pressionado, muco vaginal claro e viscoso, meio transparente, aumento da irrigação sanguínea na vulva e vagina, tornando-as levemente inchadas e avermelhadas, aceitação pacífica de monta.

Ovulação

Cerca de 12 a 16 horas após o fim do estro ocorre a ovulação. Nesta fase um óvulo maduro é liberado do ovário e aguarda a fertilização. Vale acrescentar que nem sempre a duração do cio e o momento de ovulação têm esta mesma duração em todas as fêmeas da mesma espécie. Podem acontecer pequenas diferenças devido a agentes endógenos e exógenos.

Gestação

Se ocorrer a monta ou se a vaca for inseminada com sucesso durante o estro, o óvulo pode ser fertilizado, ocorrendo então, a gestação. A gestação em vacas leiteiras dura aproximadamente de 9 meses, ou seja, 280 a 285 dias.

Parto

O parto é a etapa final da gestação e depois de nascida a cria, o ciclo reprodutivo é concluído. O ideal é que o parto seja assistido por um profissional veterinário, para evitar problemas tanto para a vaca quanto para o bezerrinho.  

Pós-parto

Depois de ocorrido o parto, a vaca entra em um período conhecido como pós-parto ou puerpério. No decorrer deste período surgem mudanças físicas e hormonais próprias da fase. 

São alterações como, por exemplo, involução uterina, produção de colostro e início da produção de leite. É um tempo em que a vaca fica em um estado chamado de anestro, durante este período, a vaca não entra em estro novamente.

Retorno ao estro

Após o puerpério, a vaca passa a retornar ao ciclo normal de estro e ovulação. O tempo médio entre o parto e o primeiro cio pós-parto é de cerca de 50 dias, mas pode variar de uma vaca para outra. 

A duração do ciclo estral seguinte é de aproximadamente 21 dias, mas o tempo do cio pode ser diferente entre as raças. Um exemplo é a vaca holandesa que tem um cio maior do que as outras vacas. 

É importante destacar que, para otimizar a eficiência reprodutiva das vacas leiteiras, é fundamental realizar um manejo adequado, incluindo um eficaz manejo

alimentar e ambiental, a identificação do cio, o momento certo para a monta por meios naturais ou para lançar mão da inseminação artificial, que é uma das técnicas de reprodução assistida. Quer saber um pouco mais sobre isso?

Reprodução Assistida em gado de leite

A reprodução assistida em gado de leite consiste na aplicação de técnicas utilizadas para auxiliar ou melhorar o ciclo reprodutivo visando aumentar a eficiência na geração de novas crias que formarão o futuro rebanho leiteiro. Existem vários tipos de reprodução assistida, entre estas estão: 

  • A Inseminação Artificial (IA): A IA é uma técnica em que o sêmen de um touro é coletado e introduzido no útero da vaca por meio de procedimentos artificiais, como o uso de pipetas ou pistolas de inseminação. Esse método permite o uso seletivo de touros de alta qualidade geneticamente, facilitando a disseminação de características desejáveis no rebanho.
  • Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF): A IATF é uma variação da inseminação artificial em que as vacas são inseminadas em um momento específico do ciclo estral, independentemente de estarem ou não em estro. Isso permite maior controle sobre o processo reprodutivo e aumenta a taxa de concepção.
  • Transferência de Embriões (TE): A TE envolve a retirada de embriões de uma vaca doadora superovulada ou seja, que foi estimulada a produzir múltiplos embriões, para transferir para uma vaca receptora. Esse método permite que animais de alto valor genético produzam vários descendentes em um curto período de tempo.
  • Fertilização in vitro (FIV): A FIV é uma técnica em que os ovócitos, que são as células reprodutivas femininas, são coletados de uma determinada vaca. Em seguida, são fertilizados em laboratório com o sêmen de um touro.

 Posteriormente, os embriões resultantes são transferidos para a vaca receptora. Essa técnica é usada principalmente em casos de baixa fertilidade ou problemas reprodutivos nas vacas.

Essas técnicas de reprodução assistida podem ser combinadas ou utilizadas separadamente, dependendo dos objetivos do produtor e das necessidades do rebanho leiteiro. Elas têm o potencial de melhorar a eficiência reprodutiva, acelerar o progresso genético e aumentar a produção de leite em vacas leiteiras. 

É importante ressaltar que essas técnicas devem ser realizadas por profissionais qualificados para garantir o sucesso e o bem-estar dos animais envolvidos. Também não se deve esquecer de que o acompanhamento veterinário é determinante para o sucesso do ciclo reprodutivo, seja no caso de reprodução natural ou reprodução assistida. Em qualquer das situações o papel deste profissional é super importante no manejo desses animais.

Quais as principais raças de gado de leite utilizadas no Brasil?

Dentre as raças existentes no mundo, as mais utilizadas para produção leiteira em nosso país são:

  • Holandesa – Muito presente no Sul do Brasil;
  • Jersey – Os rebanhos de maior número estão concentrados em regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
  • Pardo-Suíço ou Schwyz – Os rebanhos maiores estão nas regiões Sul e Sudeste.
  • Girolando– A raça surgiu de cruzamento entre as raças Holandesa e  Gir. Os primeiros animais surgiram em região do sul de Minas Gerais. A raça é responsável por 80% do leite produzido em nosso país.
  • Guernsey– Muito presente na Região Sudeste. Seu leite conta com alto teor de gordura, apresentando glóbulos de gordura de cor amarelo-dourado, em decorrência do alto teor de betacaroteno. O interessante é que, devido a isso, os produtos lácteos feitos a partir do leite desta raça também adquirem uma tonalidade dourada. 

O leite Guernsey é bastante rico em relação ao leite médio produzido por outras vacas. Ele contém aproximadamente:

12% a mais de proteína;

30% a mais de gordura; 

33% a mais de vitamina D;

25% a mais de vitamina A;

15% a mais de cálcio.

Se você observar o quadro abaixo, terá maiores informações e terá uma boa noção da época em que estas raças geram a primeira cria, sua produção média de leite e os dias de lactação. 

Raça de Gado de LeiteProdução médiaÉpoca da primeira cria
Holandesa6 a 10 mil litros de leite no decorrer de 305 dias de lactação.                           Em torno de 2 anos de idade.
Jersey3.500 a 5.500 litros de leite em 305 dias de lactação.           Entre 15 a 18 meses de idade.
Pardo Suíço2500 litros de leite durante 200 dias de lactação.           Com 30 meses de idade aproximadamente. 
Gir777 litros de leite no decorrer de 286 dias de lactação.           Aos 43 meses já consegue dar cria.
Guzerá2.359 litros de leite em 290 dias de lactação.      Entre 37 e 47 meses. 
Sindi2.266 litros de leite em 250 dias de lactação.Com 31 meses.
GirolandoEm 283 dias de lactação produz em torno de5.061 litros de leite Primeira cria aos 36 meses.
GuernseyA produção média de cada vaca gira em torno de 6000 litros de leite por ano.Guernsey é uma raça leiteira que amadurece rapidamente e, portanto, pode ser criada para dar cria por volta dos dois anos de idade.

Fonte de referência: prodap.com.br/https://www.agrifarming.in/

Como você vê, são informações que importam para quem quer saber mais sobre o gado de leite.  

Manejo Alimentar

O manejo alimentar adequado é essencial para garantir a produção eficiente de leite em bovinos. A nutrição desempenha um papel crucial nesse processo, fornecendo os nutrientes necessários para sustentação da saúde e para um melhor desempenho do rebanho leiteiro.

Existem diversos aspectos a considerar no manejo alimentar de bovinos de leite, tais como a seleção de alimentos, a formulação de dietas, o manejo do pastejo e o fornecimento de água limpa e fresca. 

A Embrapa recomenda, por exemplo, que na alimentação de vacas em lactação sejam levados em conta fatores como a taxa de produção, a fase da lactação, a idade da vaca, o consumo de matéria seca, a condição corporal, os tipos de alimentos e seus valores nutritivos. 

Desse modo, tanto a quantidade quanto os tipos de nutrientes fornecidos devem estar adequados às necessidades nutricionais dos animais, conforme cada estágio de produção. Uma das vantagens em manter uma dieta balanceada e rica em energia, contendo proteínas, vitaminas e minerais essenciais é uma produção de leite eficiente e satisfatória.

Vacas bem alimentadas têm ciclos reprodutivos mais regulares, apresentando melhores taxas de concepção e maior probabilidade de manter a gestação até o final. Sem dúvidas, uma dieta equilibrada fortalece o sistema imunológico, reduzindo o risco de doenças e infecções, proporcionando conforto e bem-estar, o que resulta em maior produtividade. 

Portanto, é fundamental não deixar de fornecer a alimentação adequada no decorrer de todo o ano, tanto no período das águas, quanto no tempo seco, sem esquecer que a suplementação utilizando volumosos ou concentrados precisa fazer parte da dieta no cotidiano do gado de leite.

Para concluir, podemos citar os principais alimentos que devem estar presentes na alimentação de uma vaca em lactação. Consultando novamente a Embrapa, vemos que uma dieta completa deve conter alimentos volumosos como: silagem, feno e capim, além de concentrados como grãos e farelos e suplementos energéticos, protéicos, minerais e vitaminas.

Alimento volumoso bastante utilizado na alimentação de bovinos de leite. Consiste na fermentação do milho inteiro ou da planta inteira, proporcionando uma fonte de energia e fibra para os animais.

  • Capim

A criação a pasto é uma prática comum no caso do gado leiteiro. Neste caso, diversas espécies de capim são usadas, como por exemplo o capim elefante, Napier e o Tanzânia. O capim oferece fibras, energia e alguns nutrientes essenciais.

É a forma seca do capim, que é cortado e desidratado. O feno é usado principalmente na época seca do ano, quando a disponibilidade de pastagem é reduzida. Ele fornece fibras e nutrientes aos bovinos.

  • Concentrados

São ricos em energia e proteínas e complementam a dieta dos bovinos leiteiros. Podem ser incluídos: o milho, a cevada, trigo, farelos de soja, algodão e girassol. Os concentrados são fornecidos em quantidades controladas para atender às necessidades nutricionais específicas dos animais.

Estes são essenciais para manter a saúde e um bom desempenho do gado leiteiro.

São utilizados para fornecer minerais e vitaminas que podem estar ausentes ou em quantidade insuficiente nas outras fontes de alimentação. 

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Mas, se você, proprietário pecuarista, é criador de gado de leite e busca fornecer para seu rebanho a melhor dieta possível, não se preocupe em buscar muito longe. É bem simples encontrar todos estes alimentos em uma mesma plataforma, a Agro2business. Maior facilidade não há. Todos os produtos para seu rebanho, reunidos em uma mesma página da Internet. 

Instalações e infraestrutura

Pensar em infraestrutura é pensar em um futuro promissor para seu agronegócio, mesmo que isso te custe um pouco mais. O gado de leite retorna muito mais produtividade quando locado em instalações adequadas e limpas. 

Para produzir leite de qualidade as boas condições de bem-estar, saúde e nutrição para as vacas, estão em primeiro plano, concorda? Portanto, é fundamental planejar e construir instalações adequadas. A infraestrutura deve assegurar um ambiente de bem estar, água limpa em abundância e boa alimentação para a saúde animal.

Tudo deve ser feito de forma a atender as necessidades fisiológicas, comportamentais e produtivas de seus animais. Estamos dizendo que tudo que cerca o rebanho deve proporcionar conforto, higiene, segurança e bem-estar, ou seja, para obtenção de uma produção de leite eficiente e produtiva, é preciso investir em instalações e infraestrutura eficazes. 

Mas, não é só isso, além de ter um gado saudável você estará favorecendo a execução do manejo e a ordenha. Nesse caso, alguns elementos não podem faltar. É essencial ter em sua propriedade as instalações mínimas para produção de leite, como por exemplo: um bom pasto, a sala de ordenha, bebedouros, cocho, curral, silo, pista para alimentação, área para descanso, bezerreiros, fossa séptica, etc.

Mas, antes de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra, lembre-se de que as instalações e infraestrutura dependem também de outros fatores. Portanto, a primeira providência é planejar, pensando no tipo de sistema de criação que irá adotar, nas condições de sua propriedade, e nos custos que assumirá. 

Saúde e manejo sanitário

A saúde e o manejo sanitário do gado são aspectos essenciais para garantir a produção de leite de qualidade e o bem-estar dos bovinos de leite. O cuidado adequado envolve medidas preventivas, assim como implica também no uso correto de medicamentos e no cumprimento das boas práticas agropecuárias de manejo.

Uma das principais preocupações dos pecuaristas é a prevenção e controle de doenças. Para evitá-las, a vacinação tem sido boa aliada sendo vista, portanto, como uma prática fundamental para proteção do rebanho.

Além da vacinação, a higiene, o manejo adequado, instalações e infraestrutura conforme o sistema de criação adotado são pontos essenciais. Um ponto de atenção são as áreas de criação, como estábulos e pastagens, que devem ser limpas regularmente para evitar o acúmulo de fezes e urina. 

É necessário também garantir uma boa ventilação e iluminação nas instalações, proporcionando um ambiente saudável para os animais. Tais cuidados são o primeiro passo para evitar o surgimento de doenças e parasitas. 

Em resumo, pode-se dizer que a adoção de boas práticas de manejo que incluem a vacinação, higiene, controle de parasitas, nutrição adequada e monitoramento constante são medidas essenciais para o sucesso da atividade pecuária leiteira. 

Quais as principais doenças que afetam o gado de leite?

O gado de leite está sempre sujeito a uma série de patologias. Este fato representa um impacto negativo na produção de leite, podendo deixar o rebanho fragilizado e doentio. 

Para evitar tal situação é fundamental que os pecuaristas adotem medidas de prevenção para reduzir os riscos de doenças e até evitar perdas em suas propriedades, driblando assim os impactos negativos que interferem na produção de leite e consequentemente na lucratividade. 

Entre as medidas de prevenção que devem ser adotadas estão as práticas de manejo que incluem o cuidado com a higiene e com a saúde e a prevenção de  doenças. Diagnosticá-las com rapidez é um dos modos de impedir a ocorrência de problemas com as vacas e suas crias. 

Observe abaixo algumas doenças que costumam afetar o gado leiteiro:

PatologiaAgente causadorSintomas e consequências
Mastite Bovina Doença infecciosa aguda ou crônica que afeta o úbere das vacas leiteiras.É um tipo de infecção causada por microrganismos presentes na glândula mamária ou bactérias externas à glândula mamária.A doença se apresenta por meio de processo inflamatório que causa alterações físicas e químicas e redução da produção de leite.
Febre Aftosa A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus.Causada por vírus da família Picornaviridae, gênero Aphthovírus. O vírus se instala nos tecidos como couro e carne também se expressando no trato respiratório, nas glândulas salivares, no trato urinário, nas fezes e sêmen.Ela afeta os cascos, a boca e as mamas dos bovinos. Além de causar dor e desconforto nos animais, a febre aftosa pode levar à diminuição da produção de leite, afetando também sua qualidade. 
Bovine Viral Diarrhea (BVD)A BVD é uma doença viral que afeta o sistema imunológico e reprodutivo dos bovinosA BVD é causada por um Pestivirus. Sua transmissão ocorre por contato direto entre animais infectados e por meio de fluidos corporais (saliva, leite, urina, fezes). Pode ser também transmitida indiretamente através de agulhas, seringas ou outros equipamentos contaminados.                      Os animais infectados podem apresentar diarreia, febre, perda de apetite e diminuição da produção de leite. A doença também pode provocar abortos, má formação fetal e enfraquecimento do sistema imunológico dos bezerros. 
Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR)A IBR é causada pelo vírus herpesvírus bovino tipo 1 (BHV-1) e afeta as vias respiratórias superiores dos bovinos.Surgem sintomas respiratórios, como tosse e corrimento nasal, a IBR pode levar a problemas reprodutivos, como abortos e infertilidade. 
Leucose Enzoótica Bovina (LEBA LEB é uma doença viral causada pelo vírus da leucose bovina. O controle da LEB envolve a identificação e remoção de animais infectadoEla afeta principalmente os linfócitos e os animais desenvolvem tumores. É uma infecção que pode ocorrer de mãe para filho, ou por contato direto com animais contaminados.
Papilomatose BovinaA papilomatose é causada pelo papilomavírus bovinoSuas características são o crescimento de verrugas na pele e mucosas. Não se trata de doença grave, porém, as verrugas podem causar desconforto aos animais e afetar a aparência do couro e das mucosas das vacas. Isto pode ocasionar problemas na comercialização do leite. 

Mas, não são apenas estas que acometem o gado, há muitas outras. Em caso de suspeita de qualquer doença, é recomendado consultar um veterinário para diagnóstico e tratamento adequados.

Vale acrescentar que as melhores estratégias para controlar essas doenças virais são a vacinação regular, a biossegurança adequada e o controle de doenças transmissíveis, a quarentena de animais recém-chegados, o controle de visitantes, o uso de equipamentos próprios e o monitoramento constante do rebanho.

Todas estas medidas citadas ajudam a reduzir a ocorrência e a disseminação de doenças virais nos bovinos leiteiros, porém, uma das melhores defesas contra a disseminação de agentes infecciosos é a vacinação.

Qual a importância da vacinação?

A vacinação é uma prática fundamental para proteger o gado contra enfermidades como a febre aftosa, brucelose, leptospirose e clostridioses. Por isso, é importante ter um planejamento e seguir o calendário recomendado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Desse modo, todas as vacinas poderão ser administradas corretamente.

A importância das vacinas é inquestionável, pois, com elas se garante a saúde e a produtividade. Vacinando os bovinos da propriedade, os produtores reduzem o risco de surtos e epidemias, e conseguem proteger seus rebanhos, evitando as perdas econômicas.

Esta importância e a extrema necessidade de vacinar é reconhecida por todo pecuarista, no entanto existem desafios que se apresentam, quando se trata do controle de microrganismos que afetam o gado por diferentes meios.

Veja como seu rebanho pode ser afetado por patógenos: 

  • Através de contato direto entre os animais;
  • Pela ingestão de alimentos;
  • Através de água contaminada;
  • por meio de vetores como insetos;
  • Por pessoas que lidam com o rebanho. 

Um outro problema é a facilidade pela qual estes microrganismos se espalham em ambientes com más condições de higiene e manejo inadequado. Além disso, muitos deles têm uma incrível capacidade de adaptação e desenvolvem resistência a medicamentos, tornando ainda mais difícil o controle de doenças. Essa resistência pode ser agravada pelo uso excessivo e inadequado de antibióticos.

Além de vírus, bactérias e fungos, outros agentes de doenças se apresentam. Parasitas internos, como vermes, e externos, como carrapatos e moscas, podem causar diversos males, irritações na pele, anemia, redução na produção de leite e até mesmo a morte dos animais.

Neste caso, o controle adequado inclui o uso de antiparasitários, adoção de práticas de manejo adequadas como a rotação de pastagens, e monitoramento regular do rebanho. Observe, abaixo, algumas dicas legais para um bom manejo sanitário.

Manejo Sanitário: Boas práticas para você aplicar em sua propriedade

Um meio de evitar doenças e perdas no rebanho é a aplicação de boas práticas de higiene sanitária. Estas desempenham um papel crucial na prevenção de doenças e na manutenção da saúde dos animais. 

No entanto, existem algumas medidas importantes que podem ser consideradas. Aqui ao lado citamos algumas delas. 

Observe o infográfico e veja se você concorda que não há rebanho saudável e produtivo sem um bom manejo como o do exemplo.

Ao adotar boas práticas de higiene sanitária, os produtores de gado leiteiro reduzem o risco de contaminação do leite, melhoram a saúde e a produtividade dos animais, e garantem a segurança dos consumidores, oferecendo um produto de muito mais qualidade.

Ordenha e processamento do leite

A ordenha pode ser realizada de duas formas: do modo manual ou mecânico, a diferença entre os métodos é o uso ou não de equipamento acoplado ao úbere das vacas. 

  • A ordenha manual

Nesta forma de ordenha o leite é retirado pelo cuidador, que usa as próprias mãos para extrai-lo. Os instrumentos utilizados são simples. São necessários: um balde para aparar o leite, um pequenino banco para o cuidador sentar-se, peia para conter a vaca, filtro e tanque de refrigeração.

  • Ordenha mecânica

Esta é feita com ajuda de equipamento adequado, que imita o sugar da cria. São dois os tipos de ordenha mecânica: balde ao pé ou canalizada.

Na ordenha mecânica com balde ao pé é necessário realizar um trabalho individual, extraindo o leite de uma vaca de cada vez. Trata-se de um modo mais simples e menos custoso, porém, é pouco produtivo, exigindo mais mão de obra.

O leite é retirado das vacas, depositado em um balde, para depois ser levado ao tanque de refrigeração. Neste sistema o máximo que se consegue é a ordenha de 15 vacas a cada hora. 

Na ordenha mecânica canalizada o processo é mais inovador, trazendo resultados mais positivos em relação à produção. É usado um sistema de canais por onde o leite passa e chega ao tanque de refrigeração sem nenhum contato humano. O leite é extraído da vaca pelo equipamento e transferido diretamente para o tanque de refrigeração.

Etapas do processamento do leite: Da coleta aos produtos lácteos

O processamento do leite envolve várias etapas, desde a coleta até a obtenção de produtos lácteos. 

O ponto inicial se dá com a coleta do leite. Nesta o leite é extraído das vacas em fazendas leiteiras, por meio de ordenha mecânica ou manual.

A etapa seguinte é a filtração, onde o leite é filtrado para remover impurezas, como pelos de animais e detritos. Em seguida, é clarificado para retirada de partículas sólidas suspensas e sedimentos.

Há em seguida a padronização, etapa na qual o teor de gordura é ajustado para atender aos requisitos específicos de cada produto lácteo. Isso é feito removendo ou adicionando creme ao leite.

A pasteurização vem depois.Trata-se de processo de aquecimento do leite a uma temperatura específica, por um tempo determinado. Isto é feito para eliminação de patógenos. Geralmente, as temperaturas usadas ficam entre 72°C e 85°C, em um tempo que gira em torno de 15 a 30 segundos.

A homogeneização ocorre depois da pasteurização. Esse processo envolve a quebra das partículas de gordura em tamanhos menores, para evitar que se separem e formem uma camada de creme na superfície do leite. O resultado é um leite com uma textura mais uniforme e mais leve.

No resfriamento o leite é resfriado rapidamente para uma temperatura baixa para evitar o crescimento de bactérias. 

Na etapa da embalagem o leite é embalado em recipientes adequados, como garrafas, caixas de papelão ou embalagens tetra pak, para preservar sua qualidade e garantir sua segurança durante o transporte e armazenamento.

O armazenamento e o transporte são etapas que envolvem cuidado. O leite processado é armazenado em câmaras frias, antes de ser transportado para distribuidores e pontos de venda.

Produção de produtos lácteos: O leite processado pode ser utilizado para a produção de vários produtos lácteos, como queijos, iogurtes, manteiga, creme de leite, leite condensado, leite em pó, entre outros. 

Vale acrescentar que cada produto depende de um determinado processamento, envolvendo suas próprias etapas, como por exemplo: fermentação, coagulação, maturação, etc.

É importante ressaltar que essas etapas podem variar dependendo do tipo de produto lácteo que está sendo produzido e das práticas específicas de cada indústria de laticínios.

Desafios e perspectivas do gado de leite 

O Brasil está entre os 10 maiores produtores de leite do mundo. Isto significa que muitos desafios têm sido vencidos pela pecuária nacional. Os produtores encaram em seu cotidiano uma série de dificuldades para que o leite e seus derivados cheguem às mesas, mas o esforço tem sido compensado.

O empenho em atingir o melhor é grande, e entre os entraves a vencer para atender a demanda do mercado estão:  

Controle sobre os altos custos

Os custos de produção no setor leiteiro podem ser altos devido a diversos fatores. Os produtores precisam investir em infraestrutura, como instalações de ordenha, tanques de refrigeração e equipamentos de processamento. 

Além disso, há despesas com alimentação, combustível, mão de obra e cuidados veterinários para o rebanho leiteiro. O desafio está exatamente em manter o equilíbrio, sabendo administrar os custos para não ter prejuízo, nem mesmo em períodos de baixa produção.

E por falar em produção, podemos considerá-la um outro desafio a vencer. 

Uma boa produtividade depende de muitos fatores e varia conforme os gastos com a produção, alimentação, preço dos insumos, variação de clima, sazonalidade, entre outros.  

Sazonalidade e variação de clima

Sem dúvida, que a sazonalidade que traz ocorrência de variações do clima e provoca aumento ou diminuição da temperatura são impactantes para a produção leiteira. O desafio está em adaptar-se às variações climáticas que afetam o bem estar do gado leiteiro.

  • Instabilidade do mercado

Os problemas a enfrentar não param, a instabilidade do mercado é outra incerteza que permeia a pecuária leiteira no Brasil. Os produtores rurais estão sempre submetidos a estas flutuações de preços, que dependem também de fatores como a oferta e demanda. Isto impacta diretamente as vendas e os resultados. 

Impacto sobre o meio 

Outro desafio que a cada dia mais se apresenta é o impacto negativo sobre o ambiente. Exemplos são: o consumo de água e energia, a geração de resíduos e a contaminação do solo e da água, devido a produtos químicos utilizados. Há cada vez mais necessidade de uma pecuária mais sustentável.

Novas perspectivas para o agronegócio leiteiro

Apesar de toda dificuldade que possa existir, o setor leiteiro não pode perder a garra, pois são muitas as expectativas para melhores dias futuros para o setor leiteiro. 

A demanda global por produtos lácteos continua a crescer, especialmente em países em desenvolvimento, devido ao aumento da renda e mudanças nos hábitos alimentares. Isso cria oportunidades para os produtores de leite expandirem seus negócios e explorarem novos mercados.

Outra perspectiva que amplia horizontes são os avanços tecnológicos. Estes podem ajudar a melhorar cada dia mais a eficiência na produção de leite, reduzindo assim, os custos. Novas tecnologias voltadas para o setor podem tornar mais fácil o manejo e mais eficiente.

Seção 3: conclusão

Conclusão

A criação de gado de leite é um setor da pecuária que objetiva a produção de leite e seu crescimento. Raças leiteiras especializadas, como a Holandesa, Jersey e Pardo Suíço, são comumente utilizadas para alcance destes objetivos.

No entanto, muito se discute sobre os desafios que se apresentam, sendo cada vez mais necessário um equilíbrio e controle sobre tudo, especialmente sobre o manejo sanitário e alimentar que são fundamentais para prevenir doenças.

Por isso, torna-se tão importante a vacinação regular, os cuidados com higiene. Instalações adequadas para criação e ordenha de vacas.

Os principais desafios do setor incluem custos de produção, mercado volátil, questões ambientais e controle de doenças. A superação desses desafios requer inovação, sustentabilidade e o uso de tecnologias avançadas. Apesar de todos esses desafios, a adoção de tecnologias avançadas, de práticas sustentáveis e a exploração de novos mercados, podem gerar muitas novas oportunidades de crescimento.

Manter um rebanho sadio, com vacas leiteiras saudáveis e produzindo ativamente não é fácil, mas é plenamente possível. E se você é um criador que deseja estar sempre bem informado sobre outros assuntos do agronegócio, visite a Agro2business, plataforma online, pronta para atender às necessidades dos pecuaristas. 

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João Filinga
João Filinga
7 meses atrás

Gostei muito da matéria.

João Filinga
João Filinga
7 meses atrás

Gostei muito da matéria. Espero muito mais matéria e esperiência vossa.

Gustavo Borges
Gustavo Borges
3 meses atrás

Matéria muito boa! Adoro o gado de leite.

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