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Período seco e sal mineral na pecuária

Rebanho bovino em pasto seco ao redor de um cocho coberto com sal mineral

Período seco exigirá maior uso de sal mineral na pecuária

A chegada do período de maior seca no Centro-sul do País vai exigir que o pecuarista adote estratégias de suplementação nutricional do rebanho bovino, como, por exemplo, uma maior utilização de sal mineral na ração animal.

De acordo com o zootecnista da Tortuga/DSM, Marcos Baruselli, as estações de maior estiagem [outono e inverno] empobrecem o pasto, diminuindo a qualidade nutricional, que pode, por exemplo, ser compensada, com o uso de sal mineral na ração animal, entre outras tecnologias de aumento da produtividade na bovinocultura.  

“O período seco é o momento de se retirar o gado do pasto e levá-lo para o confinamento para engordá-lo, já que o capim não será capaz de suprir as necessidade diárias do animal.”

Ademais, Baruselli sublinha que a pandemia da covid-19 irá impactar nos números de confinamento em 2020. “Estimávamos cerca de seis milhões de cabeças confinadas antes do coronavírus, mas este montante, certamente, deve cair.” Entretanto, segundo o executivo, o confinamento bovino ainda se mostra extremamente atrativo em termos de retorno financeiro. “O confinamento está apresentando uma taxa de retorno próxima a 5% ao mês, mesmo com o milho em valores elevados.”

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Foto: Embrapa

Por que o período seco muda o planejamento do rebanho

A transição para meses de menor chuva altera a dinâmica da pastagem. O capim tende a crescer mais devagar, perde vigor e pode apresentar menor disponibilidade de folhas novas. Isso não significa que todo pasto deixe de ser útil de uma hora para outra, mas indica que o manejo precisa acompanhar a oferta real de forragem. O primeiro passo é observar o campo e comparar a condição do pasto com a exigência dos animais.

Em uma propriedade bem acompanhada, decisões sobre suplementação consideram categoria, idade, objetivo produtivo, peso, condição corporal e acesso à água. Matrizes, animais em crescimento e bovinos destinados à terminação podem ter necessidades diferentes. Por isso, o sal mineral não deve ser tratado como uma solução uniforme ou automática para todos os lotes.

O papel do sal mineral na alimentação bovina

O sal mineral fornece minerais que participam de funções importantes do organismo, como formação de tecidos, equilíbrio fisiológico e funcionamento adequado do metabolismo. A composição do produto, entretanto, varia conforme a finalidade e as condições da fazenda. A recomendação precisa considerar a dieta completa, o solo, a forragem disponível e a orientação de um profissional habilitado.

Suplementação exige produto e manejo adequados

Disponibilizar um produto no cocho é apenas uma parte do trabalho. O pecuarista deve proteger o suplemento da chuva, manter o cocho limpo, verificar o consumo e garantir que todos os animais tenham oportunidade de acesso. Também é importante conferir a qualidade, a indicação de uso e as condições de armazenamento do produto adquirido.

O consumo pode variar quando há mudanças na pastagem, no clima ou na rotina do lote. Uma queda ou um aumento inesperado merece investigação, pois pode indicar problema de acesso, competição entre animais, umidade no cocho ou inadequação da formulação. Registros simples de reposição ajudam a identificar padrões e a ajustar o planejamento.

Como avaliar o pasto antes de aumentar o sal mineral

A observação deve começar pela disponibilidade de massa verde e pela distribuição do pastejo. Áreas muito raspadas, presença excessiva de solo exposto e demora na rebrota são sinais de que a lotação e a oferta de forragem precisam ser revistas. A condição corporal do rebanho e a evolução do peso também complementam a leitura do campo.

Água, cocho e acesso são partes do mesmo sistema

Não há suplemento capaz de compensar falta de água limpa, longos deslocamentos até o bebedouro ou acesso restrito ao cocho. A infraestrutura deve ser distribuída de maneira que reduza a disputa e o desperdício. O local precisa permitir inspeção frequente, facilitar a reposição e oferecer proteção contra umidade.

Quando a pastagem não sustenta a meta produtiva, podem ser avaliadas outras estratégias, como ajuste da lotação, diferimento de áreas, uso de forragem conservada ou suplementação energética e proteica. Essas alternativas não substituem um diagnóstico nutricional. Elas devem ser combinadas de acordo com os recursos disponíveis e com o objetivo do sistema.

Confinamento e transição para a seca

O confinamento pode ser uma ferramenta para organizar a terminação e reduzir a dependência da pastagem em momentos críticos. A decisão de confinar envolve preço dos insumos, estrutura, mão de obra, disponibilidade de dieta, sanidade, logística e mercado. Não é prudente adotar o sistema apenas porque o período seco começou.

Adaptação gradual reduz riscos de manejo

Quando o confinamento é escolhido, a adaptação dos animais à nova dieta deve ser planejada e acompanhada. Mudanças bruscas podem afetar o consumo e a saúde ruminal. Rotina de trato, qualidade dos ingredientes, acesso ao cocho e observação do comportamento são elementos centrais do acompanhamento diário.

Mesmo em sistemas intensivos, o sal mineral precisa estar integrado ao balanceamento da dieta. A formulação deve ser definida com base nos ingredientes efetivamente usados e nas exigências do lote. O acompanhamento técnico ajuda a evitar tanto a carência quanto o fornecimento inadequado de determinados nutrientes.

Milho, custos e eficiência na decisão

O milho costuma ter grande peso no custo de dietas de terminação, mas a escolha dos ingredientes não deve considerar somente o preço de compra. É necessário avaliar qualidade, disponibilidade regional, transporte, armazenamento e contribuição nutricional. Um insumo barato pode perder vantagem quando apresenta perdas, variação de qualidade ou dificuldade de entrega.

O planejamento econômico deve trabalhar com cenários, porque preços e condições de mercado oscilam. A conta precisa incluir alimentação, sanidade, mão de obra, depreciação, manejo de dejetos e eventuais investimentos em instalações. A margem estimada deve ser revisada conforme os custos reais e o desempenho observado, sem transformar uma expectativa em promessa de retorno.

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Checklist de manejo para os meses de estiagem

Antes do período crítico

Revise a disponibilidade de pasto, a lotação, os bebedouros e a posição dos cochos. Faça a manutenção das coberturas e organize o estoque em local seco. Separe os lotes por categoria e defina quais indicadores serão observados, como escore corporal, consumo, peso e ocorrência de problemas sanitários.

Durante a seca

Inspecione os cochos com frequência, anote reposições e observe se o suplemento está sendo consumido de forma regular. Verifique a qualidade da água, reduza desperdícios e acompanhe a condição dos animais. Qualquer alteração relevante deve motivar uma avaliação do manejo, da dieta e da saúde do rebanho.

Na retomada das chuvas

A volta da umidade não elimina a necessidade de planejamento. A pastagem precisa de tempo para se recuperar, e o retorno ao pastejo ou a redução da suplementação deve ser gradual e monitorada. O histórico da seca ajuda a decidir quais áreas requerem descanso, reforma ou correção de manejo.

Orientação técnica torna a suplementação mais segura

O uso de sal mineral é uma ferramenta importante, mas seus resultados dependem do contexto. A recomendação deve ser feita por médico-veterinário, zootecnista ou outro profissional habilitado, que possa avaliar a dieta, a categoria animal e as condições da propriedade. Rótulos, instruções de uso e regras locais também precisam ser respeitados.

Com monitoramento e registros, o pecuarista consegue transformar a suplementação em parte de uma estratégia de produção, e não em uma resposta isolada à falta de chuva. A combinação entre pasto bem manejado, água de qualidade, infraestrutura funcional e decisões econômicas realistas aumenta a capacidade de atravessar a estiagem com mais previsibilidade.