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Subprodutos do etanol de milho na nutrição

Milho e DDG em primeiro plano, com bovinos no cocho e silos de uma usina de etanol ao fundo

Subprodutos do etanol de milho como fonte de proteína mais barata

O DDG e WDG resultantes da produção de etanol de milho são alternativas ao farelo de soja na alimentação de bovinos. Saiba por quê.

Desde 2012, quando foi inaugurada a primeira usina de processamento do grão para a produção de etanol no país, essa indústria vem ganhando força. A produção de etanol de milho é vista estrategicamente pela indústria alcooleira, pois usinas flex podem trabalhar durante a entressafra da cana-de-açúcar e consumir o excedente de produção do milho.

Para o produtor de milho, essa possibilidade de escoamento da produção deverá minimizar a redução de preços na época da colheita. As usinas, por sua vez, poderão vender subprodutos produzidos durante o processo, como o DDG (grão de destilaria seco) e o WDG (grão de destilaria úmido), consumidos na alimentação de bovinos, suínos e aves (IEA, 2018).

Goiás e Mato Grosso são os únicos estados nos quais é produzido o etanol de milho. Segundo a União Nacional de Etanol de Milho (Unem), existem 15 projetos de usinas em construção e sendo licenciados, a maioria no Mato Grosso e alguns em Goiás. A previsão é que mais três destilarias sejam inauguradas entre 2019 e 2020, sendo duas no Mato Grosso (Sinop e Sorriso) e uma em Chapadão do Céu, Goiás.

Ainda segundo a Unem, a estimativa de produção de etanol de milho para 2018 (os dados ainda não foram consolidados) é de 600 a 700 milhões de litros. A expectativa é que, em cinco anos, a produção seja de 3,0 a 3,5 bilhões de litros. Etanol de milho x etanol de cana A produção de etanol de milho possui algumas particularidades quando comparada à produção a partir da cana-de-açúcar. No caso do milho, é preciso utilizar enzimas para facilitar a quebra das grandes moléculas de amido e, por isso, são necessárias mais etapas até o produto final.

Consequentemente, o custo de produção do etanol de milho é maior que o da cana, de R$ 1,23 ante a R$ 1,13 por litro em 2018, segundo o Instituo de Economia Agrícola (IEA). Outras vantagens englobam a produção de etanol de milho: – Enquanto uma tonelada de cana-de-açúcar pode gerar em torno de 70 a 85 litros de etanol, uma tonelada de milho produz cerca de 400 litros. – Os grãos de milho podem ser armazenados, minimizando os efeitos da entressafra da cana no fornecimento do biocombustível em âmbito nacional. – As usinas obtêm renda adicional dos subprodutos gerados na produção de etanol, como o óleo bruto e os grãos de destilaria (DDG e WDG), de alto valor agregado.

O rendimento médio é 380 kg de DDG para cada tonelada de milho. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o DDG é comercializado entre R$ 400,00 e R$ 650,00 por tonelada, sem o frete. A variação é em função do valor nutricional (proteínas e fibras), que no caso da proteína pode variar de 25% a 32%. Já o WDG possui valor de mercado mais baixo, devido à concentração de água no produto. A cotação varia de R$ 130,00 a R$ 200,00 a tonelada, sem o frete. Utilização dos grãos de destilaria na alimentação de bovinos.

Como mencionamos anteriormente, o DDG e o WDG são resíduos da produção do etanol de milho e podem ser utilizados como fonte de energia e proteína para bovinos, dependendo dos níveis de inclusão. A composição dos grãos de destilaria, como também são conhecidos, varia muito, e na literatura são encontrados diversos teores de nutrientes na sua composição.

Em linhas gerais, o WDG pode apresentar, em média, 30% de MS (matéria seca), 10% de EE (extrato etéreo), 40% de FDN (fibra em detergente neutro) e 32% de PB (proteína bruta). As concentrações de proteína, gordura, fibra e P (fósforo) são três vezes maiores nos grãos de destilaria em comparação com o milho, de acordo com um trabalho de KLOPFENSTEIN et al 2008. Já o DDG pode apresentar de 88% a 90% no conteúdo de MS, 25% a 32% de PB, 43% a 53% de PDR (proteína degradável no rúmen), 47% a 57% de PNDR (proteína não degradável no rúmen), 39% a 45% de FDN, 8,8% a 12,4% de lipídios e 85% a 90% de NDT (nutrientes digestíveis totais), segundo TJARDES & WRIGHT (2002).

Além disso, o subproduto também é boa fonte de energia proveniente dos lipídios e pode substituir parte do milho utilizado na ração dos animais, minimizando problemas com acidose (doença metabólica causada pela ingestão de grãos ou outros alimentos altamente fermentáveis em grandes quantidades) nos confinamentos. O nível de inclusão nas dietas é muito estudado e na literatura podem ser encontrados que níveis acima de 30% não são recomendados, devido à diminuição drástica do consumo de matéria seca pelos animais, comprometendo o ganho de peso médio diário.

Expectativas positivas

Os grãos de destilaria como fonte de alimentos para os bovinos são uma excelente estratégia para diminuição de custos no confinamento, visto que podem substituir o milho e a soja. Seus preços podem variar de 31,8% a 63,6% em relação à soja (farelo), segundo levantamento realizado pela Scot Consultoria. Para 2019, a maior produção de milho prevista no Brasil é um fator que deverá manter os preços do cereal em patamares mais baixos em relação a 2018. Dessa forma, a produção de etanol a partir do cereal deverá ser viável.

Autora: Letícia Vecchi – Zootecnista

http://pastoextraordinario.com.br/subprodutos-do-etanol-de-milho/

O que são DDG e WDG?

DDG e WDG são nomes usados para os grãos de destilaria que permanecem depois que o amido do milho é fermentado para produzir etanol. A diferença mais evidente entre eles é a quantidade de água. O DDG passa por secagem e pode ser armazenado e transportado com mais facilidade. O WDG conserva umidade e, por isso, exige planejamento logístico e uso mais rápido ou uma forma adequada de conservação.

Embora sejam originados do mesmo processo, esses ingredientes não devem ser tratados como produtos idênticos. A matéria-prima, a eficiência da retirada do amido, a separação do óleo, a secagem e o armazenamento influenciam o resultado final. Por essa razão, a análise do lote é uma etapa importante antes de formular a dieta.

Por que os grãos de destilaria podem reduzir o custo?

O valor econômico dos subprodutos depende de uma comparação completa, e não apenas do preço por tonelada. É necessário considerar matéria seca, concentração de proteína, energia, fibra, minerais, frete, perdas e disponibilidade local. Um ingrediente aparentemente barato pode perder vantagem quando contém muita água ou precisa percorrer longas distâncias.

Quando o DDG ou o WDG está disponível perto do confinamento, ele pode complementar a oferta de proteína e energia da dieta. Isso abre espaço para substituir parte de ingredientes tradicionais, como farelo de soja e milho, desde que a formulação preserve o equilíbrio nutricional. A oportunidade tende a ser mais interessante em regiões próximas às usinas ou em períodos de oferta regular.

Como avaliar a qualidade do produto

A avaliação começa pela identificação do produto e pela conferência da matéria seca. No WDG, pequenas variações de umidade alteram bastante a quantidade efetivamente entregue de nutrientes. No DDG, a uniformidade da secagem e a presença de partículas muito finas ou empedradas ajudam a indicar problemas de processo ou estocagem.

Itens que merecem atenção

O produtor deve solicitar uma análise laboratorial representativa do lote, observar cor, odor, fluidez e sinais de aquecimento ou mofo. Também convém verificar proteína bruta, fibra, gordura, minerais e energia conforme a necessidade da formulação. A amostra precisa representar o carregamento, pois a composição pode variar entre lotes e até dentro do mesmo estoque.

O controle de recebimento, a cobertura contra chuva e a limpeza dos equipamentos contribuem para preservar a qualidade. No caso do WDG, a distância até a usina, a frequência de entrega e a capacidade de consumo diário são decisivas para evitar deterioração.

Inclusão na dieta exige planejamento

A inclusão deve ser definida por nutricionista ou zootecnista, considerando categoria animal, fase de produção, objetivo de ganho, volumoso e demais ingredientes. A adaptação gradual ajuda o rebanho a se acostumar ao novo perfil de sabor, fibra, gordura e fermentação. Também é necessário acompanhar consumo, escore de fezes, comportamento no cocho e desempenho.

Não existe uma taxa universal que sirva para todas as propriedades. O limite prático depende da composição do lote e do restante da dieta. Excesso de gordura, fósforo ou determinados minerais pode desequilibrar a formulação, enquanto fibra e umidade alteram o volume e a estabilidade da mistura. O custo por unidade de proteína ou energia é uma métrica mais útil que o preço nominal.

Logística: DDG seco e WDG úmido

O DDG oferece maior flexibilidade de estoque porque sua baixa umidade reduz o risco de deterioração quando é armazenado corretamente. Ainda assim, o galpão precisa ser ventilado, protegido e organizado para impedir contato com água. A movimentação deve evitar segregação de partículas, especialmente quando o produto será misturado a outros ingredientes.

O WDG pode ter vantagem de preço na origem, mas sua umidade torna o transporte e o giro mais exigentes. Antes da compra, é prudente estimar o consumo do rebanho, a capacidade de descarga e a regularidade dos caminhões. Uma boa negociação considera frete, prazo, qualidade garantida e procedimento para rejeitar cargas fora do padrão.

Riscos e cuidados na formulação

A substituição parcial de farelo de soja ou milho precisa respeitar a função de cada ingrediente. Proteína bruta não descreve sozinha o aproveitamento no rúmen, e a energia disponível também varia. A dieta deve ser balanceada para proteína degradável, proteína não degradável, fibra efetiva, amido, gordura e minerais, com atenção especial ao fósforo.

O acompanhamento frequente permite corrigir a formulação quando o lote muda. Registros de consumo e desempenho ajudam a separar uma economia real de uma falsa vantagem causada por menor ingestão ou queda de ganho. Em caso de dúvida sobre mofo, aquecimento, odor estranho ou contaminação, o lote deve ser isolado e avaliado tecnicamente.

Uma decisão econômica e nutricional

Os subprodutos do etanol de milho podem aproximar a indústria de biocombustíveis da pecuária e criar valor para a cadeia do milho. Para o confinador, a oportunidade está em comprar um ingrediente competitivo, conhecer sua composição e incorporá-lo com precisão. Para a usina, consistência, rastreabilidade e informação nutricional são fatores que ampliam a confiança do mercado.

Em resumo, DDG e WDG não são soluções automáticas, mas ferramentas úteis dentro de um programa de nutrição bem acompanhado. A melhor escolha combina análise do lote, custo posto na fazenda, disponibilidade, estrutura de armazenamento e orientação profissional. Para aprofundar temas relacionados à produção rural, consulte também o conteúdo de gestão e produção do portal.